
“O medo motiva alguns a procurar soluções e apoio espiritual numa versão objetivada e instrumentalizada da tradição, por vezes disfarçada de apelo aos ‘valores tradicionais’”, alertam representantes cristãos. Foto © Parlamento Europeu
Os responsáveis de quatro organizações representativas de Igrejas na Europa rejeitam a manipulação de “valores cristãos” por discursos racistas, na campanha para as próximas eleições europeias. A mensagem fica expressa numa declaração divulgada esta quarta-feira, 20 de março, assinada pelos representantes da Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE, Igreja Católica), da Conferência das Igrejas Europeias (CEC), da Assembleia Interparlamentar da Ortodoxia e do movimento ecuménico Together for Europe (Juntos pela Europa).
“Apelamos aos grupos políticos das instituições europeias, aos partidos políticos e aos candidatos a deputados europeus a lutar contra a instrumentalização dos valores cristãos para interesses políticos e na perspetiva de narrativas étnico-raciais”, pode ler-se no texto. “O medo motiva alguns a procurar soluções e apoio espiritual numa versão objetivada e instrumentalizada da tradição, por vezes disfarçada de apelo aos ‘valores tradicionais’. Nestes casos, os conceitos de ‘pátria’ e ‘religião’ são transformados em armas e figuras históricas duvidosas são transformadas em heróis”, alertam os responsáveis cristãos.
Lamentando a “exclusão de qualquer referência adequada aos valores cristãos nos textos relevantes da União Europeia”, os líderes religiosos assinalam que “uma grande parte dos cidadãos, que olham com confiança para o futuro europeu através do prisma dos valores cristãos, sentem-se agora marginalizados, pois não têm a oportunidade de expressar as suas posições e opiniões de forma autónoma e distinta”.
Os subscritores do texto desafiam, por isso, as forças políticas a “reconhecer os valores cristãos como um dos principais fundamentos do projeto europeu”, implementando de forma mais alargada o Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia, e pedem “um diálogo aberto, transparente e regular com as Igrejas e associações religiosas”.
As eleições para o Parlamento Europeu vão decorrer nos vários Estados-membros, de 6 a 9 de junho de 2024.










