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Papa Leão, pomba, Paz, Ângelus
Uma pomba sobrevoa a Praça de São Pedro, durante a oração do Ângelus do Papa Leão, em 14 de Dezembro de 2025. Foto © António Marujo/7MARGENS

Este sábado, 11 de abril

Igrejas respondem ao convite de Leão XIV e organizam vigílias pela Paz em Évora, Beja e Lisboa

| 11/04/2026

Respondendo ao apelo do Papa feito na sua mensagem Urbi et Orbi do último Domingo de Páscoa, para que todos os católicos se associem a ele na vigília pela paz que celebrará no sábado, 11 de abril, às 17h00 (hora de Portugal continental), em São Pedro, muitos bispos e padres vão também presidir em todo o mundo a celebrações com a mesma intenção.

Em Portugal, decorre neste sábado, às 21h15, na igreja do Calvário, em Évora, uma vigília de oração pela paz no mundo, uma iniciativa organizada pela Comunidade Sementes do Verbo, por sugestão do arcebispo Francisco Senra Coelho e em resposta ao apelo do Papa Leão XIV.

Em Beja, o bispo local convocou também uma vigília pela paz, que, no entanto, se efetuará na quinta feira, 16 de abril, às 21h, na sé catedral da diocese. Segundo uma mensagem do bispo, Fernando Paiva, a iniciativa é organizada pelas paróquias da cidade, sendo aberta a todos os diocesanos.

Pelo menos os bispos de três outras dioceses que não organizam iniciativas próprias emitiram apelos a que os respetivos diocesanos participem, através dos media, na vigília presidida pelo Papa Leão XIV, na Basílica de São Pedro.

 

Num comunicado divulgado no dia 9 de abril, o patriarca de Lisboa incita os católicos de Lisboa a unirem-se “espiritualmente ao Santo Padre, acompanhando esta Vigília através dos meios de comunicação e fazendo” da sua oração “um verdadeiro ato de comunhão com a Igreja universal”.

Mas no Patriarcado outros tomaram a iniciativa de realizarem a sua própria celebração: a comunidade da Capela do Rato e a Comunidade de Santo Egídio “unem-se em vigília de oração na Capela do Rato no dia 11 de abril pelas 19h00 e convidam todos a participar para que juntos brote também do nosso coração aquela prece do poema da Sophia de Mello Breyner: ‘Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos/ A paz sem vencedor e sem vencidos’.”

O cardeal Américo Aguiar, bispo de Setúbal, apelou também à participação, desejando “que este seja um momento de comunhão espiritual, de súplica confiante e de renovado compromisso pessoal e comunitário com a paz de Cristo, a única capaz de transformar os corações e reconciliar o mundo”.

Por fim, nas dioceses de Santarém e do Funchal, os católicos foram também convidados a unir-se espiritualmente a esta iniciativa de Leão XIV, “rezando pela paz nas suas comunidades, famílias e paróquias”. “Num tempo marcado por tantas tensões e incertezas, este momento surge como um apelo concreto à oração e à responsabilidade de cada um na construção da paz”, refere um texto no Diário da Madeira.

O 7MARGENS tentou saber em outras dioceses se haveria idênticas iniciativas mas, dada inexistência de informação centralizada, quer nas dioceses quer a nível nacional, foi impossível recolher outros elementos.

Pelo mundo são múltiplas as celebrações pela paz que terão lugar. Em Itália, o cardeal Matteo Zuppi, presidente da Conferência Episcopal Italiana, emitiu uma declaração exortando padres, religiosos e todos os fiéis a participarem da vigília presidida pelo Papa ou a reunirem-se em oração nas suas comunidades locais. Em Espanha há várias iniciativas locais e pelo menos um bispo (o de Huesca) irá presidir à vigília que convocou para a Igreja de San Vicente el Real, ao princípio da noite de sábado.

Também nas Filipinas, o arcebispo Gilbert Garcera, presidente da Conferência Episcopal, apelou às igrejas locais para organizarem encontros de oração, convidando os fiéis a “implorarem o dom da paz” e a renovarem os seus compromissos com o diálogo, a reconciliação e a não-violência. Às dioceses pediu que promovessem adoração eucarística, recitações do terço ou missas dedicadas à paz. “Tal acto coletivo de oração não só expressará a nossa solidariedade com o Santo Padre, mas também testemunhará a nossa esperança partilhada de que a verdadeira paz, que começa em Cristo, prevaleça nos nossos corações e no mundo”, afirmou Garcera.

O Papa Leão XIV convidou todos os católicos a associarem-se numa vigília pela paz no sábado, 11 de abril, como forma de contrariar a resignação perante a violência e a indiferença diante da “morte de milhares de pessoas” [ver 7MARGENS]. O Papa alertou para o que designou por “globalização da indiferença” cada vez mais acentuada, denunciando o facto de se estar perante uma “habituação e resignação à violência”, que leva as pessoas a tornarem-se “indiferentes à morte de milhares de pessoas; indiferentes às repercussões do ódio e da divisão que os conflitos semeiam; e indiferentes às consequências económicas e sociais que [esses conflitos] produzem”.

 

“Ação militar não cria espaços de liberdade ou tempos de paz”

“A paz é o futuro”, lê-se no cartaz: no Pentecostes de 2025, o Papa Leão XIV convidou a rezar pelo “dom da paz”. Foto © Vatican Media, via Agência Ecclesia

Falando esta sexta-feira a um grupo de bispos reunidos em Roma para o Sínodo da Igreja Caldeia com sede em Bagdad, no Iraque, que irá eleger o novo Patriarca sucessor de Louis Raphaël Sako, o Papa Leão XIV apelou: “Ajudem-nos a proclamar claramente que Deus não abençoa nenhum conflito; a clamar ao mundo que aqueles que são seguidores de Cristo, o Príncipe da Paz, jamais se aliem àqueles que ontem empunhavam a espada e hoje lançam bombas.”

Na mesma linha, lembrou que “não é a ação militar que criará espaços de liberdade ou tempos de paz, mas somente a promoção paciente da convivência e do diálogo entre os povos”.

O Papa acrescentou que, “num mundo marcado por uma violência absurda e desumana”, “atos, movidos pela ganância e pelo ódio espalham-se agora ferozmente nas próprias terras que testemunharam o nascimento da salvação, nos lugares sagrados do Oriente cristão, profanados pela blasfémia da guerra e pela brutalidade dos negócios, sem qualquer consideração pela vida das pessoas, que são consideradas, na melhor das hipóteses, um subproduto de seus próprios interesses”.

Aos que são chamados a serem “incansáveis ​​pacificadores em nome de Jesus”, como aqueles a quem se dirigia, o Pontífice lembrou que “nenhum interesse pode valer a vida dos mais fracos, das crianças, das famílias; nenhuma causa pode justificar o derramamento de sangue inocente”.

 

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