In Memoriam – Luiz Cunha (1933-2019): Espírito livre, guiado pela contemplação

| 6 Fev 19

Na semana passada, apenas com um dia de diferença, morreram duas pessoas fundamentais da arquitectura e da arte religiosa portuguesa das últimas décadas: Luiz Cunha e Diogo Lino Pimentel. Paulo Miranda evoca aqui o trajecto de Luiz Cunha; noutro texto, João Alves da Cunha traça o percurso de Diogo Lino Pimentel.

(Foto de abertura: Luiz Cunha e Diogo Lino Pimentel; foto de Hugo Alexandre Cruz/Gabinete de Comunicação e Imagem do ISCTE-IUL)

Capela de S. Pedro da Afurada, Vila Nova de Gaia, Esboceto, ESBAP (Luiz Cunha, 1953); foto ‭© Paulo Miranda

 

Foi no dia de São Tomás de Aquino, 28 de Janeiro, que Luiz Cunha foi para a sua nova morada no Pai. Por ser tão difícil escrever neste momento, sobre um homem que não deixava indiferente quem com ele se cruzou, deixarei uma imagem subjectiva da importância do seu trabalho, serviço e amor para com os outros.

Luiz Cunha é o arquitecto com a maior obra, de significante originalidade, na arquitectura e arte religiosa contemporânea em Portugal, desde a segunda metade do século XX, até aos princípios deste novo século XXI.Nunca foi consensual, nem isso alguma vez o preocupou.

Desde muito novo, descobrira que o desenho era uma capacidade, que por natureza lhe veio parar às suas mãos, e do qual não se sentia dono. Cedo percebe ter um Dom, que praticava com alegria, num diálogo construtivo incessante.

Entra em Belas Artes com 16 anos e termina a licenciatura em arquitectura em 1957 na ESBAP (Escola Superior de Belas Artes do Porto), com 20 valores, onde foi aluno dos mestres arquitectos Carlos Ramos, Fernando Távora e José Carlos Loureiro. De imediato o arq. João Andresen convidou-o para leccionar a cadeira de Urbanologia mas, por questões de incompatibilidades, optou pelo convite do arquitecto urbanista Robert Auzelle, ingressando no Gabinete de Urbanização da Câmara Municipal do Porto (1957-1966). O seu trabalho de arquitectura e urbanismo persiste como uma marca viva nesta cidade.

Destacam-se alguns trabalhos como o Jardim do Ouro (1960), a Praça da Trindade (1960), o Passeio das Virtudes (1964) e o seu contributo como parte integrante dos jovens arquitectos de que Auzelle se rodeou na elaboração do primeiro Plano Director da cidade do Porto (1962).

Dos seus professores e amigos, estagiou alguns anos com José Carlos Loureiro, ganhando dois primeiros prémios: concurso da C.M.P. para o grupo de habitações na Rua Correia de Sá – Porto (1955) e concurso de projectos para a Colónia de Férias da FNAT (Federação Nacional para a Alegria no Trabalho) em Matosinhos (não construída), 1959/60. Colaborou com o arq. Januário Godinho para o novo teatro municipal da cidade do Porto (1966).

O mestre Carlos Ramos dá liberdade e confiança a Luiz Cunha para a concepção do projecto para a embaixada de Portugal em Brasília (1962). Lúcio Costa “felicita o seu colaborador Luiz Cunha (…) pela concepção original do projecto”, numa carta de 10/3/1962. Costa sublinha ainda o espírito crítico do jovem arquitecto, quando escrevia: “uma últimaressalva referente a um conceito emitido na esplêndida memória descritiva; é quando invectiva o que lhe pareceu “exacerbado e antinatural” na architectura de Brasília. Permita-me,a título de justificação e divertimento, a seguinte “bondade”: quando se encara a natureza sob o prisma exclusivo da rosa e da gazela, também a tulipa e o bovino parecem antinaturais, quando se trata, apenas, de um natural diferente.” Luiz Cunha desde cedo nunca receou manifestar a sua opinião sem quaisquer tipos de assombro. Este projecto acabou por ser aceite por Lúcio Costa e Óscar Niemeyer, mas não aqui, num último momento, em Lisboa.

Luiz Cunha, Praça da Trindade, Porto; pintura a óleo; 1961; foto © Paulo Miranda

 

O “fulgor criativo”

Luiz Cunha deixa a CMP em 1966, casa-se com a doutora Maria de Jesus Chichorro Medeiros e Cunha einicia o trabalho de arquitetura em regimeliberal. Muda a sua residência para Lisboa (1970), onde faz os seus trabalhos de maior escala.

Diogo Lino Pimentel é o responsável pela divulgação do “fulgor criativo de Luiz Cunha” em duas revistas Arquitectura(nº124, mai.1972 e nº145, fev.1982). Sobre o amigo disse ainda, ”omúsico não pode mentir, porque não tem instrumentos para isso”.Luiz Cunha também não pode mentir, porque as “suas artes”, tal como ele próprio, não servem para isso.”, em “O Modo de Luiz Cunha” (RevistaArchinewsNº3. Luiz Cunha, arquitecto, artista, professor. ISCTE-IUL. Coordenação Paulo Miranda,Lisboa 2012, p. 20.)

Luiz Cunha escreveu inúmeros textos e artigos e está presente em algumas conferências. Escreve oprimeiro livro dedicado à arquitectura religiosa em Portugal, Arquitectura Religiosa Moderna  (Imprensa Portuguesa. Porto. 1957). Participou em exposições nacionais e internacionais, como a 1ª Exposição Nacional de Artes Plásticas, organizadapela Fundação Calouste Gulbenkian, ou a Bienal de Veneza “Architettura e Spazio Sacro nella Modernitá”,em 1992.

Professor catedrático do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, onde iniciou, em 1995, o mestrado de Desenho Urbano e, em 1999, a licenciatura em Arquitetura, até se jubilar em 2004, Luiz Cunha tinha uma postura de mestre, perante os alunos. Com elaprocurou, de certa maneira, trazer um pouco da experiência de atelier, para o ensino de arquitectura. Um dos seus programas de Arquitectura do 1º ano iniciava assim:

“Há duas maneiras de iniciar um banho de mar: ou se entra na água, pé-ante-pé, suportando o quase sempre desagradável efeito contacto da temperatura da água no nosso corpo enxuto; ou, num acto de vontade espontâneo e decidido, se entra “de mergulho” nas ondas com determinação assumida com alegria. No caso do início de um curso de arquitectura, sendo os dois métodos defensáveis por válidas razões, optaremos por tentar uma síntese dos dois comportamentos, cabendo a cada discente escolher um deles sem contudo descurar totalmente a prática do que deixou para plano secundário. (…)”. Luiz Cunha deixa bem claro nesta metáfora, que cabe aos alunos fazer opções e trilhar o seu próprio caminho. Esta foi a sua metodologia. Luiz Cunha, professor, executava o mesmo trabalho que pedia, pondo-o também à discussão numa determinada altura. Dava o exemplo, expunha-se, nunca se ficou pela pura crítica verbal.

 

O aqueduto das águas livres como a ponte de Florença

Apesar de ser um autor independente, percorrendo caminhos que se lhe proporcionavam escolhendo-os livremente, esteve sempre muito atento ao que se ia projectando e construindo, em Portugal ou no estrangeiro. A par da prática profissional, contribuiu activamente em alguns momentos, com as estruturas necessárias para a defesa da profissão: pertenceu à comissão cultural do Sindicato Nacional dos Arquitectos – Secção Regional Norte, em 1958; concorreu para a presidência do conselho directivo nacional da AAP (Associação dos Arquitectos Portugueses) em 1984 e é  proponente de uma moção de orientação, juntamente com o seu amigo Diogo Lino Pimentel, no recente 15º Congresso da Ordem dos Arquitectos, a 25 de Outubro de 2018. O assunto desta moção mobilizou-os na defesa da reabilitação do património edificado, quer na prática profissional quer sobretudo no incremento de unidades curriculares de Conservação e Restauro de Património Arquitectónico nas Faculdades de Arquitectura.

O património arquitectónico e urbano sempre foi para Luiz Cunha essenciais para a sua acção. Lembro os casos do Auditório no antigo Convento da Graça em Ponta Delgada (1971/78) e o seu projecto-proposta de reabilitação “Construir com as Ruínas”, para Angra do Heroísmo, Açores (1980), depois do terramoto que assolara a ilha Terceira. Foi um projecto considerado por muitos como utópico, mas uma utopia possível de se realizar. Recordo ainda o projecto para a Igreja Paroquial Nossa Senhora da Luz, Faial, Açores (2005-2016).

No ISCTE-IUL, Luiz Cunha também colocou um exercício aos seus alunos (2002), para um habitáculo no aqueduto das águas-livres. Todos os que estiveram presentes se lembram dos seus exemplos relativos ao uso e natural vivência do património histórico, como no exemplo da ponte velha de Florença.

A importância da história, dos contextos, das linhas da tradição ou do desenho no trabalho de arquitectura, a par dos valores como o respeito pelos outros, a imaginação, a interiorização e a solidariedade foram, através da espiritualidade, humildade e valores do cristianismo católico, chaves na sua vida e trabalho.

Para Luiz Cunha, cada caso era um caso, mesmo quando o mesmo projecto lhe era recolocado nem que fosse um ano depois. Seriam necessariamente diferentes, quase sempre de forma radical. São exemplos inúmeros projectos, dos quais destaco dois de igrejas paroquiais: São Miguel de Nevogilde, Porto (1968/1973/1984/1996) e Sagrada Família de Nazaré, Codivel, Odivelas (2000/2009).

Obras de pintura e escultura de sua autoria encontram-se integradas em inúmeros edifícios de que é autor, como é exemplo a igreja de Nossa Senhora de Fátima, Póvoa do Valado, Aveiro (1964-1968) onde possui um crucifixo em espelhos, para que os fiéis se possam ver reflectidos”e se possam lembrar que cada um de nós é outro Cristo na terra”; uma Nossa Senhora de

Luiz Cunha, Igreja de Nossa Senhora de Fátima, Mamodeiro/Póvoa do Valado (Aveiro); foto de Diogo Lino Pimentel

Fátima construída por fatias de madeira; uma pintura da Última Ceia, de 1962; além de todo o equipamento litúrgico como altar, ambão, presidência, baptistério e sacrário, como acontece em quase todos os projectos de igrejas de Luiz Cunha.

Outros exemplos são os da Escola Francesa do Porto (1963), em coautoria com Carlos Carvalho Dias e Manuel Marques Aguiar; Igreja Nossa Senhora do Rosário do Convento Dominicano em Fátima, que contou com a colaboração do pintor suíço Ferdinand Gehr (1965); Igreja do Sagrado Coração de Jesus, Carvalhido, Porto (1972); Igreja de Santa Joana Princesa, Aveiro (1976); esplanada coberta para celebrações no santuário de São Bento da Porta Aberta, Gerês, com a colaboração do pintor Querubim Lapa (1995); guarda-vento da porta principal da Igreja Paroquial de Nossa Senhora de Fátima, Lisboa (2010) e centro paroquial da Ameixoeira, Lisboa (2012).

Luiz Cunha disse uma vez que, numa boa obra, tem de haver uma boa relação com o proprietário, construtor, todos os intervenientes em todas as fases que vão do projecto até à construção final. Tinha por experiência que sempre que isso não acontecia, ficava sempre alguma cicatriz na própria obra, quando por vezes poderia resultar num trabalho falhado. Isso é algo que se percebia, e não só por nós.

O último encontro entre Luiz Cunha e Diogo Lino Pimentel foi na II Jornada de Liturgia, Arte e Arquitectura – A Igreja na Cidade, na sede da Ordem dos Arquitectos, a 22 de Outubro de 2016. O tema escolhido por Luiz Cunha foi “Igreja aberta à cidade”, onde mostrou uma proposta de um adro para a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, derrubando parte do muro que envolve esta igreja, património moderno da arquitectura religiosa em Portugal. Luiz Cunha propôs o mesmo que o Papa Francisco nos fala e que vem não só desde o Concílio Vaticano II, mas sim das palavras de Jesus.

Como disse Simone Weil, “amar é estar atento”, essa sempre foi a postura do arquitecto, do professor, do designer, do pintor e do amigo. Profundamente atento, sem qualquer tipo de pré-noção, despojado como uma criança, e aberto, disponível a que a realidade entrasse nele, para depois a sentir, e aí sim, dar respostas, soltando a criatividade e profusão de ideias, por inúmeros percursos, mas numa direção certa.

Luiz Cunha tinha a capacidade da transformação pela contemplação, sempre em silêncio. Raramente fazia esquissos na procura das soluções; antes esperava, pacientemente, que a realidade do problema e as soluções lhe aparecessem. Seguidamente desenhava-as num traço “contínuo”. E procurou sempre, nas suas obras, partilhar essa sua paixão contemplativa. Procurou levar para o seu trabalho esta missão que implica a participação do outro, do habitante da casa, do transeunte que pode, por sua iniciativa, observar com mais ou menos atenção e paixão, como as crianças e os velhos fazem quando se aproximam das coisas.

José Tolentino Mendonça escreveu, num verso, uma certa forma de respiração, sempre presente no trabalho do arquitecto: “o teu silêncio, ó Deus, altera por completo os espaços” (A noite abre meus olhos – Poesia reunida, ed. Assírio & Alvim, 2015). Luiz Cunha sempre foi um homem muito atento ao sopro do Espírito Santo. Soube guardar dentro de si o espírito e a alma da criança que esteve sempre presente, com a ajuda de Deus, toda a sua vida.

Paulo Miranda é arquitecto e doutorando em Teoria e História da Arquitectura, na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, e professor na Escola Artística António Arroio.

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