Igreja Católica em França

Inclusão das mulheres nas paróquias: dez propostas para melhorar a situação

| 8 Mar 2022

Club des femmes patriotes dans une église. Dessin à la plume et encre de Chine, lavis à l'encre de Chine et aquarelle, par Chérieux, 1793. © Bibliothèque nationale de France, Public domain, via Wikimedia Commons.

Chérieux, Club des femmes patriotes dans une église (1793), desenho a caneta e tinta-da-China, lavado a tinta-da-China e aguarela. © Bibliothèque nationale de France, Public domain, via Wikimedia Commons.

 

A Igreja Católica ainda tem muito que andar até ser um espaço de igualdade entre homens e mulheres. É esta a mensagem subjacente a várias iniciativas lançadas esta segunda-feira, 7, em França, por duas associações de mulheres: o “Comité de la Jupe” (Comité da Saia) e “Tous Apôtres!” (Todos Apóstolos).

A pretexto do Dia Internacional da Mulher, as duas associações juntaram-se e elaboraram um “mapa das práticas de inclusão ou exclusão de mulheres nas paróquias católicas”, com a finalidade de conhecer o que se passa realmente nas paróquias francesas e, por outro lado,”encorajar as paróquias a adequarem-se melhor à atitude de Jesus que não discriminou ninguém”, afirma-se num comunicado difundido a propósito. 

Esse encorajamento passa por reconhecer aquelas paróquias que já põem em prática o que as normas da Igreja permitem e “apontar o dedo” àquelas que excluem as leigas. 

O mapa encontra-se parcialmente preenchido, mas é interativo, sendo possível aos utilizadores completá-lo e enriquecê-lo, inserindo informação sobre paróquias que ainda não estão referenciadas. 

O mapeamento de práticas de inclusão ou exclusão de mulheres permite, em concreto, visualizar as paróquias católicas onde as mulheres leem as leituras e distribuem a comunhão; aquelas que incluem ou excluem meninas do altar, como acólitas; e as que têm conselho pastoral eleito com preocupações de paridade de homens e mulheres, ou não. 

Com este retrato de situação, as autoras do levantamento pretendem que as pessoas saibam o que se passa nas paróquias que frequentam ou pretendem frequentar e, ao mesmo tempo, contribuir para uma perceção do ponto em que está a Igreja francesa, quanto à igualdade de homens e de mulheres.

A outra iniciativa com o mote #DemainDansMaParoisse (“amanhã na minha paróquia”), pretende levar cada vez mais cristãos a tomarem atitudes inclusivas, fazendo com que as mulheres sejam mais reconhecidas na liturgia, no anúncio da fé e no governo das paróquias. 

Elaboraram para tal um documento com dez propostas que, segundo referem, podem ser aplicados de imediato, até porque, salientam, nenhuma delas viola a lei da Igreja. Acrescentam um ponto que dizem vir a ser solicitado desde há muito: que os leigos capacitados para tal, homens e mulheres, possam comentar o evangelho na missa. 

“Estas propostas, fazem notar as associações, testemunham o inaceitável: as mulheres são remetidas ao silêncio na sua própria Igreja”. 

As dez propostas são as seguintes: 

1. Deixar as mulheres fazer as leituras e distribuir a comunhão.
2. Deixar as crianças, sem distinção de género, ajudar à missa. Que todas possam integrar o coro, sem excluir as meninas do altar, nem discriminá-las por vestes ou comportamentos diferentes.
3. Deixar as mulheres dar formação, organizar e dirigir tempos de oração.
4. Permitir aos leigos qualificados, homens ou mulheres, comentar o evangelho durante a missa.
5. Valorizar figuras espirituais femininas variadas.
6. Preferir dizer e rezar a Maria, em vez de “à virgem Maria”.
7. Eleger um conselho pastoral paritário, representativo da comunidade paroquial.
8. Durante a missa, dirigir-se a toda a comunidade: “irmãos e irmãs”, “homens e mulheres”
9. Preferir chamar aos padres “irmão”, “senhor abade”, “senhor pároco”, em lugar de pai [em francês “père”].
10. Encorajar os paroquianos e as paroquianas que o desejem a exercer os ministérios de catequista, leitor e acólito.

 

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