Inquérito sobre abusos sexuais no Reino Unido critica falta de cooperação do Vaticano

| 30 Out 19

Grafite numa parede de Lisboa fotografado em 2011, aludindo ao abuso sexual de clérigos sobre menores. Foto © Milliped/Wikimedia Commons

 

A resposta do Vaticano ao inquérito sobre os abusos sexuais de menores no Reino Unido, por parte de membros da Igreja Católica, foi considerada como “muito decepcionante”. O comentário foi feito pelo principal responsável da investigação, numa audição de dois dias (segunda e terça) do Inquérito Independente a Abuso Sexual de Menores (IICSA, da sigla em Inglês).

Citado pelo jornal católico The Tablet, Brian Altman disse que o inquérito irá considerar a questão do relato obrigatório e da consideração de quando isso pode ser considerado quebra do sigilo da confissão, bem como a forma usada pelas dioceses, ordens religiosas e a Santa Sé para interagirem entre si.

Citado no The Times, Altman dizia ainda que o Papa Francisco já reconheceu o “dano psicológico, físico e espiritual” provocado aos menores que foram vítimas de abusos sexuais, e que “uma profunda e contínua conversão dos corações é necessária, atestada por ações concretas e efetivas que envolvam todos na Igreja”.

O objetivo do inquérito está centrado na responsabilidade institucional da Igreja Católica nas alegações de abuso sexual de menores e, em particular, na forma de melhor o regime de salvaguarda vigente.

Neste sentido, o Vaticano já enviou documentação que procura auxiliar o IICSA. Mas, como Altman nota, citado pelo The Guardian, “a Santa Sé ainda não providenciou informação sobre o papel da Congregação da Doutrina da Fé (CDF) ou da prática da laicização [o processo de remover padres do ministério] e recusou apresentar o relato de uma testemunha”. Altman refere que é necessário saber mais sobre o papel da CDF, o organismo da Santa Sé que, entre outras, tem como função aplicar sanções disciplinares a padres que cometem ofensas contra menores.

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