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A Conferência das Partes (COP) da ONU Mudança Climática é a maior e mais importante plataforma para negociações intergovernamentais sobre a mudança global do clima.

COP30

Instalações de combustíveis fósseis ameaçam saúde de dois mil milhões de pessoas

| 12/11/2025

 

Pelo menos dois mil milhões de pessoas vivem a menos de cinco quilómetros de instalações de combustíveis fósseis em operação o que as expõe a riscos ambientais e de saúde muito elevados, revela um estudo publicado pela Amnistia Internacional no mesmo dia em que os participantes da COP30 ficaram a saber que os países em desenvolvimento, excluindo a China, precisam de investir 3 200 mil milhões por ano até 2035 para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

Este é o terceiro dia da Conferência do Clima que decorre, apesar da violência dos números divulgados, de modo bastante mais tranquilo do que a terça-feira 11 de novembro, dia em que dezenas de manifestantes tentaram forçar a entrada num dos recintos envolvendo-se em confrontos físicos com as equipas de segurança, confrontos de que resultou um ferido. De acordo com as agências de notícias alguns desses manifestantes poderão ter participado na Marcha Pela Saúde e Clima que reuniu milhares de pessoas em Belém do Pará para “chamar atenção para os impactos das mudanças climáticas na saúde pública e para a necessidade urgente de políticas que protejam tanto as pessoas quanto o planeta”.

Combustíveis fósseis

COP30: Sienna Bilancia, vídeo Lets Help the Polar Bears (Foto retirada do vídeo). Apresentação do Relatório Climático da Juventude 2025.

Porém, os organizadores da marcha tornaram público um comunicado em que referiam que os referidos atos “ocorreram após a marcha pacífica” e nada tiveram a ver com ela.
Extinção por Extração: Porque o ciclo de vida dos combustíveis fósseis ameaça a vida, a natureza e os direitos humanos, é o título do relatório da Amnistia  Internacional (AI) divulgado a 12 de novembro e no qual se pode ler: “Mais de 520 milhões de crianças vivem a menos de cinco quilómetros das 18 000 instalações de combustíveis fósseis em operação e, pelo menos, 463 milhões vivam a menos de um quilómetro das instalações, estando expostas a riscos ambientais e de saúde muito mais elevados”.

Investigações anteriores permitiram concluir que o ciclo de vida dos combustíveis fósseis destrói ecossistemas naturais insubstituíveis e prejudica os direitos humanos — especialmente os das pessoas que vivem próximo de infraestruturas de extração ou tratamento industrial de carvão, petróleo e gás, proximidade que comprovadamente estão expostas a um maior risco de cancro, doenças cardiovasculares, complicações reprodutivas e outras consequências negativas para a saúde.

Para a realização deste estudo, a AI associou-se ao Better Planet Laboratory, da Universidade do Colorado (Boulder, EUA) com o objetivo de superar um vazio existente: “Até agora, não havia uma estimativa global do número de pessoas que vivem nas proximidades” de infraestruturas da indústria de combustíveis fósseis.

“Este relatório – sublinhou Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional, na sua divulgação – apresenta mais provas da necessidade urgente dos Estados e dos atores corporativos ‘desfossilizarem’ a economia global para mitigar os piores impactos da crise climática sobre os direitos humanos. A era dos combustíveis fósseis tem de acabar já”.

 

Caminho totalmente viável

Alterações climáticas/Países em desenvolvimento, países pobres. Foto © UN/Tim McKulka

Quarta-feira foi também o dia em que o Grupo de Especialistas de Alto Nível em Financiamento Climático (IHLEG, no acrónimo em língua inglesa), um comité em cujos trabalhos se baseou o acordo financeiro sobre o clima alcançado por países ricos e pobres no ano passado, na COP29, apresentou um relatório em que conclui: “Encontrar os 1 300 mil milhões de dólares anuais necessários para que os países em desenvolvimento combatam a crise climática é ‘totalmente viável’ se os Governos fizerem um esforço conjunto e envolverem o setor privado.” Aqui, por Governos, entende-se os Governos dos países mais ricos.

De facto, o relatório reconhece que “os países em desenvolvimento deveriam ser capazes de encontrar cerca de 1 900 mil milhões de dólares a partir de suas próprias fontes internas e precisarão de 1 300 mil milhões por ano vindos de fontes externas”. Para os especialistas do IHLE, este último valor “é o mesmo que os países desenvolvidos garantiram em Baku entregar aos países pobres em financiamento climático dentro de dez anos, embora se tenham comprometido a fornecer apenas 300 mil milhões das suas próprias fontes”.

O “caminho totalmente viável” para alcançar a “nova meta coletiva quantificada” (NCQG – uma exigência do Acordo de Paris de 2015) de 1 300 mil milhões por ano em financiamento climático exigirá que mais de 500 mil milhões venham de investimentos do setor privado. De acordo com o relatório, “o financiamento climático bilateral por parte dos Governos precisaria passar dos atuais 42 mil milhões de dólares anuais – o que representa bastante menos de um 0,01 por cento do PIB dos países de mais ricos, para cerca de 80 mil milhões de dólares por ano até 2035”.

paquistão, cheias, inundações, monção, imagem retirada de vídeo da BBC

À medida que as catástrofes provocadas pelo clima ficam cada vez mais intensas, os países precisam de mais financiamento para perdas e danos para enfrentar os seus impactos Foto: Paquistão, cheias, inundações, monção. (Imagem retirada de vídeo da BBC).

Esse “caminho totalmente viável” está, porém, posto em causa pela ausência dos Estados Unidos em Belém do Pará e pela timidez das posições da União Europeia. De acordo com The Guardian “cerca de 50 mil pessoas participam na COP30, desde grupos da sociedade civil que realizam manifestações, até pesquisadores que examinam documentos complexos, passando por políticos reunidos em salas bem iluminadas. Um grupo, no entanto, está visivelmente ausente das negociações climáticas: uma delegação dos EUA, o maior poluidor histórico de gases de efeito estufa do mundo.”

É a primeira vez que os EUA ficam completamente de fora das negociações, confirmou na terça-feira dia 11 de novembro a organização Carbon Brief. “O presidente dos EUA, Donald Trump, que classifica a crise climática de ‘farsa’, retirou, em janeiro, o país do Acordo de Paris como parte de um ataque total à política climática”, o que lhe valeu, continua o jornal, que Gavin Newsom, governador da Califórnia, ao chegar a Belém na terça-feira, “tenha condenado veementemente a agenda anti ambiental de Trump, dizendo: ‘Ele é uma espécie invasora, um presidente destruidor’ que “está a tentar reverter o progresso do século passado para recriar o século XIX, está apostando ainda mais na estupidez.’”

 

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O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

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