Instituições de solidariedade têm sido parente pobre nos apoios da pandemia, diz cardeal Marto

| 13 Mai 21

Cardeal Tolentino Mendonça, que preside à peregrinação de 12-13 de Maio, afirmou que “a crise sanitária activou outras crises, no campo social, na precarização do trabalho, no agravamento das dificuldades económicas e na pobreza que cresce”.

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Cardeal Marto na conferência de imprensa, ladeado por Tolentino Mendonça e pelo reitor do Santuário, Carlos Cabecinhas: as declarações “não chegam” para o apoio às IPSS. Foto © Arlindo Homem/Ecclesia.

 

O sector social “tem sido o parente pobre” dos apoios sociais ligados à pandemia, e as ajudas do Estado não têm sido suficientes para evitar a insolvência de muitas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), disse o cardeal António Marto, bispo de Leiria, na tarde desta quarta-feira, 12 de Maio, na conferência de imprensa que marcou o início da peregrinação aniversária de 13 de Maio.

“Elas não têm o suporte necessário para garantir o funcionamento e os pais ficam sem sítio onde pôr os filhos”, exemplificou, acrescentando: “Tem havido declarações das autoridades governamentais”, mas isso não tem sido suficiente face às necessidades.

O reitor do Santuário de Fátima, padre Carlos Cabecinhas, falou daquela que tem sido a experiência da instituição para referir que as consequências directas da pandemia levaram “a um aumento exponencial da procura de ajuda junto dos serviços de apoio social do Santuário”. E deu exemplos: pessoas em situação de desemprego, de lay-off, que perderam o subsídio de desemprego ou o Rendimento Social de Inserção (RSI), com problemas de saúde sem poder gozar baixa médica, emigrantes recém-chegados, pedidos de ajuda para pagar rendas, água e luz, ou para comprar medicamentos, vestuário ou calçado…

Nestes últimos casos, acrescentou o reitor, quem mais pede apoio são desempregados, famílias monoparentais, pessoas a quem foi cortado o RSI ou sem-abrigo, imigrantes que precisam também de pagar despesas de legalização. Nem sequer se prevê o apoio em coisas tão necessárias como próteses dentárias ou óculos, acrescentou.

“O que se vê a olho nu, mesmo em torno aos santuários, há um número crescente de pessoas que recorrem a instituições da Igreja, que têm tido um papel insubstituível, apoiando pessoas em maior necessidade”, disse por seu turno o cardeal José Tolentino Mendonça, bibliotecário do Vaticano e que preside a esta peregrinação de Maio, em Fátima.

À noite, na homilia da celebração, o cardeal português fez também um diagnóstico: “A crise sanitária activou outras crises, no campo social, na precarização do trabalho, no agravamento das dificuldades económicas, na pobreza que cresce e não só entre os segmentos considerados mais frágeis, na debilitação do campo escolar, na diminuição de presenças nas comunidades cristãs e na incerteza que pesa sobre a vida de tantos.”

 

Idosos e jovens nas prioridades para o regresso à normalidade
Procissão das Velas, Fátima, pandemia

Procissão das Velas em Fátima na noite de dia 12, com acesso limitado a 7500 pessoas. Foto © António Marujo

 

As crises social e económica que têm sucedido à crise sanitária atingiram também o Santuário, admitiu o padre Carlos Cabecinhas. No entanto, depois do sobressalto do ano passado, a situação da instituição, embora com dificuldades, não põe neste momento em causa “a estabilidade da instituição”.

Em 2020, o Santuário atravessou um processo de reestruturação que terminou com 57 saídas de funcionários – 33 rescisões, 20 cessações de contratos a termo e quatro aposentações – deixando a instituição com 294 trabalhadores.

Agora, diz Carlos Cabecinhas, “a situação económica e financeira do Santuário é estável como sempre foi”, mas “estes tempos são difíceis”. E acrescentou: “Todos temos consciência das dificuldades, mas o Santuário tem uma situação que lhe permite” enfrentar e “responder aos seus compromissos”, garantiu.

Já no âmbito de um regresso gradual à normalidade, o reitor do Santuário afirmou que, assim que a situação pandémica o permitir, serão retomadas a presença nas celebrações e as “actividades com doentes e com idosos, que são os mais frágeis e que maior atenção merecem”. Mas, acrescentou, os jovens não ficarão esquecidos: estes também se contam “entre os mais frágeis, não já por motivos de saúde, mas de condições sociais e, tantas vezes, pela falta de horizontes e de esperança”, acrescentou.

Na mesma linha, o reitor afirmou que o Santuário irá criar “um centro de escuta e de atendimento” para as pessoas que buscam “apoio espiritual para enfrentarem as situações da vida”.

Esta peregrinação de Maio, em Fátima, estava limitada à participação de 7.500 pessoas no recinto de oração. No entanto, nas cerimónias da noite deste dia 12, havia mais largas centenas de pessoas nas imediações. Os peregrinos cumpriam genericamente as recomendações de distanciamento e uso de máscara, com vigilância discreta da GNR.

A comparação com o que se passara na véspera, com a festa do título do Sporting no futebol, não mereceu muitos comentários da parte dos responsáveis do Santuário, que fizeram questão de sublinhar que a instituição tem cumprido as regras das autoridades de saúde desde o primeiro momento da pandemia. O cardeal Marto disse, na conferência de imprensa: “São as mesmas autoridades” as que estão em Fátima e estiveram em Lisboa na noite de 11 para 12. “Aqui não é preciso trazer os corpos da Polícia, da GNR. Em princípio, à partida nós já confiamos nessa responsabilidade das pessoas. Lá, não sei porquê, deve perguntar às autoridades e aos que lá estavam, por que é que deixaram falhar essas regras de segurança”, afirmou, em resposta a uma pergunta dos jornalistas.

 

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