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Combustíveis fósseis

Instituições religiosas retiram dinheiro de empresas que poluem muito

| 06/07/2022

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Desinvestimento em empresas de combustíveis fósseis ascende a quase 500 milhões de euros. Foto: Direitos reservados.

 

Trinta e cinco instituições religiosas de seis países com mais de 1,2 mil milhões de euros em ativos combinados anunciaram esta terça-feira o seu desinvestimento em empresas de combustíveis fósseis, num total que ascende a quase 500 milhões de euros.

Num comunicado conjunto, divulgado pelo Movimento Laudato Si’, Conselho Mundial das Igrejas, Operation Noah, Green Anglicans e GreenFaith, entre outras organizações, é revelado que as instituições participantes neste forte desinvestimento incluem organizações católicas, nomeadamente cinco dioceses irlandesas, incluindo a Arquidiocese de Armagh, e duas no Canadá. 

O Vaticano também recomendou que os investidores desinvestissem em empresas de combustíveis fósseis. Segundo o padre Joshtrom Kureethadam, coordenador do Setor para a Ecologia no Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral da Santa Sé, que apoia o trabalho do Papa Francisco na área do meio ambiente,“em 2020, o Vaticano apelou às instituições católicas para que desinvestissem em empresas de combustíveis fósseis considerando o dano que provocam ao meio ambiente”.

Agora que se regista este avanço, o responsável deixa o seu elogio, e estende o desafio a outras organizações que se quiserem associar: “Aplaudo estas instituições proféticas que hoje procedem a este desinvestimento e encorajo todas as instituições do mundo a reduzirem a nossa dependência destas fontes de energia tão prejudiciais desinvestindo nos combustíveis fósseis. É assim que as instituições proféticas podem viver de acordo com os nossos valores e ajudar os mais vulneráveis entre nós. Se queremos alcançar a paz e assegurar um planeta habitável para todos, incluindo as gerações futuras, temos de acabar com a nossa dependência dos combustíveis fósseis que fomentam a atual crise climática.”

De acordo com o comunicado divulgado, as instituições religiosas representam mais de 35% de todos os compromissos de desinvestimento a nível mundial neste tipo de  empresas — mais do que qualquer outro setor. No relatório Invest/Divest de 2021 refere-se que mais de 1500 instituições de todos os setores, com ativos combinados de mais de 38,3 mil milhões de euros, já empreenderam alguma forma de compromisso pelo desinvestimento a nível mundial.

Para o arcebispo de Armagh e primaz da Irlanda, Eamon Martin, “não há dúvida que muitos membros das nossas comunidades, especialmente os nossos jovens, sentem que temos a responsabilidade de agir no que diz respeito aos desafios das mudanças climáticas e da justiça climática”. E deixa o alerta: “As mudanças climáticas já estão a ter um impacto desproporcional sobre aqueles que vivem nas margens, que mais dependem de ecossistemas frágeis e mais vulneráveis à fome, às secas, à insegurança alimentar e aos conflitos, aos ‘interesses económicos predatórios’ e exploradores, à destruição dos seus lares e ao deslocamento das suas famílias.”

No texto do comunicado recorda-se que as organizações religiosas tomaram “a dianteira quanto às mudanças climáticas e contra o colapso da biodiversidade”, lembrando, por exemplo, que os bispos africanos reunidos no SECAM (Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar) emitiram uma declaração em que urgem os governos a tomar medidas urgentes e ambiciosas para proteger a biodiversidade, como também noticiou o 7MARGENS.

 

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