Contributos para o Sínodo (20)

Instituto Justiça e Paz: Igualdade e inclusão, mais democracia e direitos humanos na Igreja

| 26 Jun 2022

Estudantes e membros da estrutura pastoral do IUJP que participaram na dinâmica sinodal. Foto: Direitos reservados.

Estudantes e membros da estrutura pastoral do IUJP que participaram na dinâmica sinodal. Foto: Direitos reservados.

 

A Igreja a defender claramente políticas de igualdade e de inclusão, promovendo mais democracia e respeito pelos direitos humanos no seu interior, a viver processos permanentes de escuta e discernimento que envolvam todos os seus membros e a promover a explicação das liturgias e celebrações – estas são algumas das propostas da comunidade do Instituto Universitário Justiça e Paz, de Coimbra, que abrange estudantes universitários, incluindo muçulmanos, entre outras pessoas. 

Este documento surge em resposta à maior auscultação alguma vez feita à escala planetária, lançada pelo Papa Francisco, para preparar a assembleia do Sínodo dos Bispos de 2023. Esse coro imenso de vozes não pode ser silenciado, reduzido, esquecido, maltratado. O Espírito sopra onde quer e os contributos dos grupos que se formaram para ouvir o que o Espírito lhes quis dizer são o fruto maduro da sinodalidade. O 7MARGENS publica alguns desses contributos que nos têm sido enviados, estando aberto a considerar a publicação de outros mais.

 

“A síntese deve ser fiel às vozes do povo e a tudo o que emergiu do seu discernimento e diálogo, mais do que uma série de afirmações generalizadas ou doutrinalmente corretas.”
Vademecum do Sínodo, apêndice D

1.  OS COMPANHEIROS DE VIAGEM

1.1.  Sendo companheiros de viagem, como é que o “caminhar em conjunto” está a acontecer hoje na nossa Igreja local?

Muitos sentem que a Igreja não tem caminhado com as pessoas. Há tanto por fazer que muitos se assustam e desistem. A Igreja parece reduzida ao clero e não olha para todos da mesma forma (LGBTQ, recasados, prostitutas, opiniões diferentes). Podemos ser barreira entre as pessoas e Cristo. Há comunidades e grupos fechados, mas também paróquias acolhedoras (ou o IUJP) [as siglas são decifradas no final do texto].

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia” no IUJP sentem-se acolhidos: há suporte mútuo e encontro com Deus, “é o que nos dá força para caminhar”; grupos bem organizados, unindo todos num propósito comum. Dada a timidez ou falta de fé, é precioso o acompanhamento de colegas e dos mais velhos. 

“A maior parte dos colegas ficam com as pessoas das cores delas.” Há estudantes hostilizados, mas o IUJP é um refúgio, é plural, não distingue religião, cor, raça: “muçulmanos e evangélicos participam juntos nas reuniões JMJ”.

“Se a pessoa não acreditar, não é preciso discriminar”. No IUJP o social e o espiritual estão unidos e complementam-se, respeitando a liberdade religiosa. 

1.2.   A propósito deste tema, que passos é que o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso “caminhar juntos”?

É de extrema importância o compromisso e pertença a uma comunidade/grupo. Ajuda-nos a viver como Jesus nos ensinou e ser presença calorosa e afetiva junto dos mais frágeis, assim como dos estrangeiros e “vencidos” do cristianismo.

Promover o contacto entre cristãos para que se sintam mais acompanhados e que a vivência da fé não seja um mero cumprimento semanal ao domingo. Acolher de forma inequívoca os desamparados. Reconhecer que muitos foram afastados pelos cristãos: os divorciados, os ex-padres e os homossexuais. Cativar as pessoas pelo exemplo, pelos gestos, sem hipocrisia, sem maledicência.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

“Não rodar sempre entre os mesmos especialistas da religião”. Encontrar formas de estar renovadas na linguagem, nos lugares, nos horários.

Que a Igreja esqueça a “Cristandade” e assuma viver na minoria e em pequenos grupos; que, à exceção dos sacramentos, não queira fazer nada sozinha; que abandone, de vez, a tendência controladora das vidas e aposte a sério na fé na responsabilidade de cada um.

2.  OUVIR

2.1.  Chamados a ouvir, como é que o “caminhar em conjunto” está a acontecer hoje na nossa Igreja local?

Sendo Deus AMOR, a Igreja deveria estar atenta às necessidades das minorias e excluídos da sociedade.

“A Igreja: fala mais do que ouve”. Decide, organiza-se e propõe um programa ao qual os fiéis aderem, mas para o qual pouco ou nada contribuem. Isso leva à desmotivação e duvida-se da mudança. Mesmo quando se ouvem as pessoas, as opiniões são pouco tidas em conta e as da hierarquia da Igreja prevalecem. A escuta parece limitar-se à confissão. 

Muitos louvam esta escuta sinodal, alguns referem que falhou, pelo pequeno número de envolvidos.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

Numa sociedade envelhecida é difícil inovar. Muitas paróquias acolhem/integram os jovens, mas há muitos, principalmente estrangeiros, que não têm uma paróquia à qual podem chamar sua.

Por vezes, na Igreja, as injustiças denunciadas, não são ouvidas. “O IUJP cria um espaço de escuta, vai ao encontro das nossas necessidades e inquietações”. 

2.2.   A propósito deste tema, que passos é que o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso “caminhar juntos”?

Ouvir os menos ouvidos:  mulheres, pobres, refugiados, imigrantes, pessoas com deficiência ou doença mental, sem abrigo, vítimas, idosos, crianças, jovens, grupos à margem da prática religiosa. Um grupo sugeriu a criação de um “conselho consultivo” que também incluísse essas pessoas.

Deve ouvir-se todas as pessoas, incluindo não praticantes, para compreender o seu afastamento, as suas procuras e ânsias.

Os Grupos de Jesus são boa forma de treino da escuta regular.

Reforçar a PES na escuta dos estudantes para maior proximidade da/à Igreja. Para escutar os estudantes é preciso estar dentro da Academia. O caminho não pode estar todo do lado de quem “está fora”.

A escuta, dentro da ética do cuidado, é também ouvir silêncio dos que têm dificuldade em pedir ajuda.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

Fazer de forma regular este tipo de escuta a nível comunitário para identificar problemas específicos, pois é mais fácil encontrar soluções.

Pensar uma forma que facilite a denúncia de situações de discriminação.

Ouvir e escutar, mais do que falar.

Encontro JM — Escuta Sinodal no IUJP. Foto: Direitos reservados.

Encontro JM — Escuta Sinodal no IUJP. Foto: Direitos reservados.

 

3.  TOMAR A PALAVRA

3.1.  Na nossa comunicação, como é que o “caminhar em conjunto” está a acontecer hoje na nossa Igreja local?

A Igreja não promove a expressão dos fiéis, nem facilita um estilo comunicativo livre e autêntico, continuando fechada sobre si mesma.

A comunicação interna por vezes é pouco explícita e gera interpretações ambíguas. É necessária uma forma de comunicar em conjunto.

A comunicação social, em geral, centra-se muito nos aspetos negativos associados à Igreja; temos pouca representatividade neste meio.

Nas homilias, a forma simples de comunicar adaptada aos nossos dias aproxima os crentes mais afastados.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

Não deveria ser necessário um pré-requisito de “pureza” para poder falar na/à Igreja.

Muitas vezes na Igreja não se chamam as coisas pelo nome com medo de se ferir suscetibilidades. É preciso comunicar na verdade e sem medos.

Por vezes na tentativa de melhorar a vida das pessoas acabamos por comentar e dar conselhos indesejados sobre o seu modo de viver. 

Há dificuldade em falar acerca da fé com indivíduos não cristãos. Alguns louvaram este esforço do IUJP/Capelania nesse sentido.

3.2.   A propósito deste tema, que passos é que o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso “caminhar juntos”?

Que quem falar em nome da comunidade cristã seja mandatado por ela e transmita o sentir da comunidade e não somente as ideias da hierarquia. As pessoas são escolhidas pelo superior da hierarquia clerical e a comunidade não é ouvida. Por outro lado, é preciso apostar na consciencialização dos fiéis para agir. 

É necessário mudar os métodos de comunicação: maior e mais apelativa comunicação através das redes sociais para que a palavra de Deus chegue a todos.

A Igreja e os seus membros devem exprimir a sua posição face aos temas da sociedade, dizendo abertamente o que é importante.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

Formar para e realizar uma comunicação clara, eficaz e realista por parte de quem conduz os grupos, movimentos e celebrações.

Chamar as pessoas à atenção quando algo não está certo de forma adequada.

Depois de escutar, é importante esclarecer dúvidas e preconceitos acerca da Igreja Católica.

Sugestão de a PES integrar-se como um serviço da Academia, integrando o inter-religioso e a espiritualidade antropológica. 

4.  CELEBRAR

4.1.   Na oração e na celebração, como é que o “caminhar em conjunto” está a acontecer hoje na nossa Igreja local?

A menor frequência nas celebrações deve-se ao facto de não serem entendidas, como se não trouxessem acréscimo nenhum. Disso é exemplo a pouca participação dos jovens ao domingo. Muitos participam nas suas paróquias, não na missa da PES.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

A regra litúrgica é importante, mas faz falta alegria e comunhão entre todos. São importantes as partilhas da missa de 4ª feira, de testemunhos, de experiências. É necessário repensar a Missa de domingo.

Muitos padres e religiosos ainda usam discursos de medo e palavras muito duras ao evangelizar, o que afasta pessoas ao iniciar a sua caminhada cristã.

A missa não importa só pelo padre. Choca saber quando não se aceita um padre africano. “Não pode existir cor na Igreja; isso dá guerra entre as pessoas”.

As abordagens inovadoras na celebração da fé não devem ser abafadas pelos mais “radicais”. 

Todos nós costumamos errar. Por isso a Igreja tem a Reconciliação. Se a Igreja expulsar as pessoas, elas ficam sem vontade de voltar.

4.2.   A propósito deste tema, que passos é que o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso “caminhar juntos”?

Repensar a liturgia para uma maior participação dos fiéis: partilha da Palavra, apresentação de testemunhos de vida, oração dos fiéis.

Um dos grupos propõe uma reforma da Liturgia tornando-a inteligível para a sociedade e para que manifeste o sentido mais profundo da existência. “Para quando a abertura às mulheres do múnus sacerdotal?” Propor a participação ativa na eucaristia, a oração pessoal e a meditação cristã, sem reduzir a vivência de fé à esfera privada.

O protagonismo dos jovens na celebração ajuda toda a comunidade a celebrar. Maior qualidade musical.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

“Jesus é o “noivo” da Igreja: a celebração deve ser como um casamento – lealdade, fidelidade, comunhão, amor e felicidade”.

Promover a adoração e o louvor. Ex: Hillsong. Não utilizar instrumentos demasiado ruidosos nas celebrações. Fazer missas campais ou nas praças, na natureza (ocasião de comunhão com o Pai) e missas explicadas.

Os jovens não devem entender o Matrimónio como legitimador de relações tóxicas e violentas.

5.  CORRESPONSÁVEIS NA MISSÃO

5.1.  Porque todos somos missionários, como é que o “caminhar em conjunto” está a acontecer hoje na nossa Igreja local?

Embora todos chamados a participar na missão da Igreja, não participamos todos da mesma forma. Não há projeto comum. As linhas da Missão não são conhecidas, não se sabe como se definiram e não há sintonia com elas.

Raramente os fiéis assumem o protagonismo da missão, sendo esse papel atribuído ao clero que faz o discernimento sobre as escolhas relativas à missão. Deus convida a uma Igreja menos complicada, mais centrada nas comunidades.

Fala-se pouco da participação das mulheres na Igreja e o seu envolvimento deve ser maior: presença em lugares de decisão de topo na Igreja, no diaconado e no sacerdócio.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

A desigualdade ou a moral rigorosa impedem a participação. 

Muitos não participam por falta de tempo, pois estudam e têm de trabalhar para financiar o estudo.

“Nós sabemos que no Justiça e Paz podemos assumir responsabilidades”.

“O IUJP faz-nos sentir que somos servidores, havendo um espaço de colaboração”, destaca-se por promover esse espírito. 

5.2.   A propósito deste tema, que passos é que o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso “caminhar juntos”?

As comunidades devem promover a participação na missão através de projetos inovadores, transformadores e necessários à sociedade, envolvendo os seus membros.

A Igreja só se renovará e se tornar sinodal, se voltarmos às fontes do cristianismo primitivo. 

É prioritário acompanhar espiritualmente os batizados em todas as fases da vida, “libertar” os sacerdotes/consagrados de outras profissões para se focarem no acompanhamento espiritual e missão, delegando nos batizados tarefas administrativas/gestão. Repensar o celibato e clausura.

Efetivar a participação de todos os batizados na função sacerdotal, profética e real de Cristo, “no exercício da multiforme e ordenada riqueza dos seus carismas, das suas vocações, dos seus ministérios”, enquanto sujeitos ativos de evangelização.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

Promover a igualdade de oportunidades, sem interesses que não sejam os essenciais para a construção de uma Igreja e sociedade justa e inclusiva.

Propor iniciativas de Ecologia/Focos de Conversão Ecológica.

6.  DIALOGAR NA IGREJA E NA SOCIEDADE

6.1. Na construção do diálogo, como é que o “caminhar em conjunto” está a acontecer hoje na nossa Igreja local?

A Igreja tem de dialogar com todos. Para isso tem de “Sair” ao encontro, “Ouvir” e dar espaço para “Tomar a Palavra”.

Faz falta o diálogo franco entre o Povo de Deus e os seus pastores.

Os fundamentos do “comportamento cristão” têm sido transferidos para a sociedade, abdicando da Igreja.

Alguns grupos desconhecem a colaboração com dioceses vizinhas ou outras religiões.

No IUJP há um convívio permanente entre pessoas de diferentes religiões. O diálogo com as periferias é diário e efetivo.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

Os jovens estão mais indiferentes à religião. Há respeito pelas diferenças, mas poucos procuram compreender.

Um dos grupos escutados, não se sente “credenciado” para as experiências formais de diálogo que a Igreja oferece.

Experiências de convívio entre outras religiões: “O meu pai é muçulmano, minha mãe é cristã”.

“Temos cérebro, temos sangue, temos coração. Sentimos a forma elegante e brilhante de acolher e de falar com os estudantes, manifestada pela funcionária que recebe diariamente os estudantes”.

6.2.   A propósito deste tema, que passos é que o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso “caminhar juntos”?

A Igreja precisa de considerar e promover todos os seres humanos, suas culturas e expressões religiosas como parte do Mistério de Deus.

A Igreja deveria claramente defender políticas de igualdade e de inclusão, nunca políticas discriminatórias, o que nem sempre se vê nem dentro do seu próprio seio. Vários grupos dão como exemplo a exclusão da mulher ou a não aceitação do casamento dos padres.

Manter/reforçar o gesto do celebrante cumprimentar, no final da missa, o que simboliza a promoção do diálogo.

No IUJP, manter os compromissos sociais e culturais (Ubuntu) com organizações civis da cidade e com não crentes. 

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

Desformalizar o diálogo. Diversificar as pessoas com quem interagimos criando momentos e alinhamento da missão entre paróquias e pastorais.

Conhecer melhor a Igreja e a sua história. Os momentos menos bons podem dar lugar a algo belo, à esperança para o futuro e realidades melhores. 

O voluntariado e serviço podem envolver outros jovens. Devemos divulgar em massa todo o tipo de propostas.

Lançamento do Caminho Sinodal no IUJP com o padre João Alves, da Diocese de Aveiro. Foto: Direitos reservados.

Lançamento do Caminho Sinodal no IUJP com o padre João Alves, da Diocese de Aveiro. Foto: Direitos reservados.

 

7.  COM OUTRAS CONFISSÕES CRISTÃS

7.1.   Na relação com as outras confissões cristãs, como é que o “caminhar em conjunto” está a acontecer hoje na nossa Igreja local?

No IUJP, quem não é católico sente-se bem na participação da missa e de outras atividades. Todos são bem-vindos, independentemente das confissões e culturas, sem proselitismo.

O IUJP tem a decorrer, pontualmente, nos seus espaços atividades de outras confissões religiosas.

Muitos participantes dos grupos de escuta não conhecem colaboração formal de diferentes Igrejas cristãs para a mesma missão, o que impossibilita colher frutos. No entanto, foi dado o exemplo de colaboração entre confissões cristãs e religiões no SAER do CHUC. Pontualmente, ouve-se falar de celebrações ecuménicas a nível da cúpula da Igreja, da semana da oração pela unidade dos cristãos ou de experiências ecuménicas como as peregrinações a Taizé.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

A Igreja Católica não tem acompanhado as outras igrejas cristãs. Deixou de sair e evangelizar, tem deixado de se focar em Cristo e sim na doutrina da Igreja, no facto de ser grande: “não precisa de ser pescador, tem estado à espera que os peixes venham à sua rede”.

7.2.   A propósito deste tema, que passos é que o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso “caminhar juntos”?

É necessário ir ao encontro de outras Igrejas Cristãs, nomeadamente as da mesma área geográfica, escutar-nos, dialogar e promover atividades conjuntas, para que o Espírito se possa revelar numa vivência conjunta.

O prazo curto do período diocesano do caminho sinodal não permitiu, nesta fase, concretizar a ideia de fazer um percurso de escuta com diferentes Igrejas cristãs presentes na cidade de Coimbra.

A relação da Igreja Católica com outras confissões cristãs poderia passar por dois eixos: formação e projetos sociais. No primeiro, promover-se-ia o diálogo e o esclarecimento no sentido de nos conhecermos uns aos outros e de ultrapassarmos o preconceito de que a nossa fé é a única verdadeira e a correta. E o segundo contribuiria para o estabelecimento de laços de cooperação na humildade cristã.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

Criar espaços para o diálogo ecuménico e inter-religioso.

Tomar conhecimento, aprender e reproduzir o que funciona bem com outras confissões religiosas. Exemplo maior são os estudos bíblicos.

8.   AUTORIDADE E PARTICIPAÇÃO

8.1. No exercício da corresponsabilidade e da participação, como é que o “caminhar em conjunto” está a acontecer hoje na nossa Igreja local? 

Os leigos vão sendo chamados a participar em iniciativas promovidas pelo Clero mas com participação secundária, limitada e passiva. Cada grupo faz o que lhe é determinado.

Há pouca abertura da hierarquia, mas também alheamento forte por parte dos fiéis, que têm dificuldade em fazer sacrifícios de tempo e dar disponibilidade.

Os ministérios laicais conhecidos são o do acólito, o do catequista e o dos ministros da Comunhão.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

É preciso acompanhar os tempos sem perder a essência. Muitos jovens são impedidos de realizar funções na eucaristia, na catequese ou na liderança de grupos, pois essas funções são sempre assumidas por pessoas mais velhas. Deve dar-se lugar aos jovens, com liberdade e acompanhamento.

Nota-se institucionalização excessiva, que formaliza demasiado as relações. A Igreja ganha se se libertar desse peso e se a sua autoridade passar a ser mais transversal.

Os estudantes dizem que os bispos têm de ouvir as pessoas sobre a vida da Igreja e a crise de participação dos jovens.

8.2.   A propósito deste tema, que passos é que o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso “caminhar juntos”?

É necessário incentivar a participação ativa dos leigos, através da aceitação das suas propostas e apoio para a sua concretização, “democratizar as capelas”.

A Igreja devia promover mais situações semelhantes a este caminho sinodal, mas com mais frequência, ouvindo cada um, sem preconceitos, recolhendo as suas opiniões. Para que cada um possa ter um papel ativo na comunidade, é necessário perguntar que contributo cada um pode dar. Um dos participantes sente que os ministérios laicais podem ser interpretados como oportunidade de poder e não de serviço; a instituição a longo prazo talvez promova essa ideia.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

Sacralizar a autoridade, desumaniza-a. Deve haver uma maior abertura por parte de quem dirige a vida das igrejas e dos grupos.

Viver a fraternidade na Igreja e ter uma atitude de escuta perante todos, poderá trazer para a Igreja pessoas que antes criticavam ou estavam afastadas, pois veem que alguém se preocupa com aquilo que têm a dizer.

9.   DISCERNIR E DECIDIR

9.1.  No processo de discernimento e busca de consenso, como é que o “caminhar em conjunto” está a acontecer hoje na nossa Igreja local?

Não são conhecidos muitos momentos de discussão antes das tomadas de decisão sobre assuntos que acabam por influenciar todo o Povo de Deus. A tomada de decisão faz-se só ao nível das hierarquias. Normalmente, a comunidade é apenas informada. Nos casos em que possa ter acontecido discussão, as decisões não parecem tê-la em conta.

Alguns sentiram dificuldade em perceber de que forma poderiam contribuir para este caminho sinodal, dado não estarem habituados a ser ouvidos e a discernir.

No IUJP as decisões são tomadas a partir das necessidades e perspetivas das pessoas, com autonomia e corresponsabilidade das várias lideranças envolvidas. A Equipa de Animação Pastoral, representativa de todo o Instituto, é órgão colegial onde se tomam as principais decisões. O plano de ação e a avaliação é realizada anualmente com todos os membros e grupos.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

Os estudantes testemunham o sentimento de transparência nas decisões que são tomadas no projeto social do Justiça e Paz: “Não temos nenhuma queixa”.

9.2.   A propósito deste tema, que passos é que o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso “caminhar juntos”?

Os leigos devem ser ouvidos nos fóruns próprios e as suas opiniões devem ser tidas em conta para as tomadas de decisão, com transparência. Devem convidar-se os deixados à margem a propor e discutir outros caminhos a percorrer. Só assim existirá uma corresponsabilização de todo o Povo de Deus na construção de uma Igreja com futuro. A mudança é complexa e a mudança dos comportamentos e tradições que mexem com a fé, torna-se ainda mais complexa. Deveriam estabelecer-se mecanismos regulares, periódicos e simples de escuta dos crentes.

Um grupo relembrou a necessidade de transparência das contas da Igreja.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

A comunidade é frequentemente destinatária daquilo que alguém decide para ela, com o argumento inapelável de isso ser vontade de Deus. Um dos grupos manifesta preocupação com a carência de democracia e de direitos humanos na Igreja.

10.   FORMAR-SE NA SINODALIDADE

10.1.  Com o objetivo de formar para a sinodalidade, como é que o “caminhar em conjunto” está a acontecer hoje na nossa Igreja local?

A cultura eclesial ainda está impregnada de clericalismo. À autoridade se associam muitas vezes vários tipos de abuso (de poder, económico, de consciência, sexual). Existe na Diocese e no IUJP um vasto leque de formação e participação. O que acontece depois? A mudança acontece na hierarquia e nos fiéis? Demasiadas vezes não.

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

Os jovens que fazem percurso de catequese saem sem sentir que foi uma experiência transformadora. Muitas vezes a formação cristã integra atividades sem um objetivo. Não se ajudam a formar cristãos conscientes, mas cristãos comodistas que acham que tudo se pode adaptar a si próprios, ignorando que há coisas que não se podem mudar sem fundamento sério. O SPES permite a discussão de temas e perspetivas sobre o que é a fé e como ela se manifesta em diferentes culturas, que de outra forma não seriam abordados. Há muita gente fundamentalista por falta de formação ou ferramentas para compreender a Bíblia.

Um estudante testemunha: “No SPES sinto-me mais próximo da Igreja e dos seus ensinamentos”.

10.2.  A propósito deste tema, que passos é que o Espírito nos convida a dar para crescermos no nosso “caminhar juntos”?

Aprofundar o conhecimento religioso através da leitura/oração da Bíblia, cursos de fé, catequese de adultos, história comparada das religiões, atividades de cariz social e promover debates sobre temas da atualidade. Formar quem trabalha na educação religiosa de crianças e jovens. Formação humana e cristã das famílias e comunidades. A Igreja pode ser facilitadora ecuménica na formação escolar. A Igreja tem de ter um especial carinho para com os jovens na catequese e ajudá-los a encontrar e interiorizar Jesus numa linguagem apelativa e dialogante. 

Estudantes do ES (SPES), incluindo alguns que se sentem na “periferia”

Formar os jovens num itinerário progressivo, no diálogo entre a fé e a ciência e na Doutrina Social da Igreja, para construir consciência e discernimento. A formação cristã deve chegar ao coração.

No serviço pastoral não está a ser explorada a possibilidade de apostar em pessoas remuneradas.

O que deve continuar a ser o objetivo da Igreja, da Mesquita e da sociedade é ensinar e capacitar as pessoas a andar por si mesmas e querer fazer o bem.

 

Siglas utilizadas
IUJP – Instituto Universitário Justiça e Paz
SPES – Serviço da Pastoral do Ensino Superior, projeto pastoral do IUJP
ES – Ensino Superior
FSNEXT – Fundo Solidário NEXT, projeto social do IUJP
PES – Pastoral do Ensino Superior
SAER – Serviço de Assistência Espiritual e Religiosa do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra
LGBTQ – Lésbicas, gays, bissexuais, transgénero e queer

 

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