
Mulheres participantes no Sínodo sobre a sinodalidade, 7 de outubro de 2023, à saída de uma das sessões da assembleia. O acesso das mulheres ao diaconado é um dos temas que “não será objeto dos trabalhos da segunda sessão”. Foto © António Marujo/7MARGENS
Os temas que suscitaram maior interesse na primeira e segunda fases do Sínodo desapareceram deste Instrumentum laboris [ver 7MARGENS].
Será isto uma má notícia? Não sei bem o que dizer. É evidente que a base alargada do povo de Deus, os leigos, falou claramente e mostrou que sabe pensar, que sabe articular o seu pensamento e, sobretudo, que está muito à frente daquilo em que uma outra parte do povo de Deus – porque somos todos povo – acredita, mesmo que continue a ignorá-lo.
É inquestionável que a sinodalidade veio para ficar. No entanto, a forma de a tornar realidade na Igreja mais imediata, isto é, nas paróquias e dioceses, dependerá do que os leigos decidirem.
A hora dos leigos
Há anos que ouvimos falar da “hora dos leigos”, pois bem, aqui está ela! Vamos pedir o desenvolvimento nas nossas dioceses daquilo que aprovámos nas assembleias que produziram o documento da fase diocesana. Começar por aí é importante e mesmo vital, porque o que afecta a todos deve ser decidido e aprovado por todos, como dizia São Cipriano no século III. E nós vimos o que nos afectava na Igreja, decidimos e aprovámos.
Sem medo e com boas maneiras, temos de compreender que chegou o momento de sermos verdadeiramente adultos na fé. Isto significa saber que podemos falar, que podemos convencer-nos de que a Igreja somos todos nós, e que este Sínodo não foi uma perda de tempo, porque nos fez tomar consciência disso. Como povo de Deus, fomos chamados e como povo de Deus devemos continuar a responder tornando o Reino uma realidade, mas, acima de tudo, sabendo e agindo como adultos na fé.
Não precisam de me dizer que o Instrumentum laboris que acabámos de ler é muito aborrecido. Estou certa de que não era essa a intenção daqueles que o redigiram, mas acabou por se tornar aborrecido e pouco atrativo.
No entanto, o importante é que podemos e devemos fazer da sinodalidade uma realidade. Coragem!
Cristina Inogés Sanz é teóloga e membro do Sínodo dos Bispos por nomeação do Papa Francisco, depois de ter integrado a comissão metodológica de preparação. Autora do livro A Sinfonia Feminina (Incompleta) de Thomas Merton (Paulinas Editora).
Este texto foi inicialmente publicado na revista Vida Nueva.










