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James Oyet Latansio, Sudão do Sul

Inundações, pandemia, gafanhotos, guerra: líderes cristãos do Sudão do Sul apelam a assistência humanitária urgente

| 05/11/2020

James Oyet Latansio, Sudão do Sul

P. James Oyet Latansio, secretário-general do Conselho de Igrejas do Sudão do Sul. Foto © Ivars Kupcis/WCC

 

Os líderes de várias igrejas cristãs do Sudão do Sul fizeram um apelo à ajuda humanitária urgente para satisfazer as necessidades da população do país, que ficou vulnerável na sequência das cinco crises recentes, cuja simultaneidade criou uma situação trágica.

A pandemia, os conflitos armados, a grave insegurança alimentar, os gafanhotos e as inundações coincidiram e provocaram uma calamidade humanitária, numa população que já vivia com imensas dificuldades, fruto da pobreza e da guerra de anos.

“Nós, líderes do Conselho de Igrejas do Sul do Sudão [SSCC, da sigla inglesa], que trabalhamos no seio destas comunidades, apelamos a que a assistência seja expedida para as comunidades actualmente sem assistência humanitária”, disse o padre James Oyet Latansio, secretário-geral da organização, em declarações citadas no serviço noticioso do Conselho Mundial de Igrejas (CMI).

O apelo do SSCC foi assinado também pelo bispo Arkanjelo Wani Lemi, da Igreja Africana do Interior, o presidente da Igreja Episcopal, arcebispo Justin Badi Arama e o arcebispo católico Stephen Ameyu de Juba.

“Apelamos à Igreja ecuménica global, às comunidades religiosas, aos doadores internacionais, ao sector privado e amigos, e à diáspora a nível global para que apoiem uma resposta a destas comunidades”, diz o pedido.

O Sudão do Sul, na África oriental – onde a maioria da população é cristã ou seguidora das religiões tradicionais africanas – está actualmente a tentar pôr fim a um conflito mortal que deflagrou em Dezembro de 2013, apenas dois anos após a sua independência. A situação levou mesmo o Papa a encontrar-se com os líderes das diferentes facções, ajoelhando diante deles a pedir a paz, e a prometer visitar o país na companhia do arcebispo anglicano de Cantuária, uma viagem que esteve previsto para este ano, mas que foi adiada devido à pandemia.

O conflito provocou até agora 1,6 milhões de deslocados internos e cerca de 7,5 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária, numa população de 11,1 milhões de pessoas.

Cerca de 5,5 milhões vivem em insegurança alimentar e a fome já ameaça algumas áreas. Cerca de 300.000 crianças enfrentam uma subnutrição grave a aguda. Para agravar a situação, a covid “dizimou a cadeia de abastecimento, levando ao aumento dos preços dos alimentos básicos e dos produtos básicos”.

Agora, dizem aqueles responsáveis cristãos, são necessários mais de 420 mil euros para satisfazer as necessidades imediatas de 100 mil pessoas em Jonglei, Lagos, Alto Nilo, Equatoria e Unidade, as regiões mais afectadas pelas crises: água, saneamento, saúde e nutrição, abrigo, protecção e segurança alimentar, meios de subsistência e apoio psicossocial são as áreas de acção mais urgente.

Nos últimos meses, vários zonas do país ao longo do rio Nilo foram inundadas depois de o rio ter galgado as margens devido a chuvas extremas em áreas de captação. Cerca de 700 mil pessoas foram deslocadas pelas cheias em todo o país, que também mataram gado e destruíram quintas, casas, pontos de água, latrinas de fossa e escolas.

Neste momento, de acordo com as Nações Unidas, estima-se que sejam necessários perto de 68 milhões de euros para enfrentar os estragos provocados só pelas inundações, incluindo 40 milhões na assistência imediata a 360 mil pessoas até ao final do ano. Os obstáculos maiores são os conflitos latentes, a violência inter-comunitária, as restrições para combater a pandemia e as más vias de comunicação.

O SSCC, juntamente com a rede cristã ACT Alliance e a Cáritas, têm estado no terreno no apoio de emergência e continuam disponíveis para o fazer se houver fundos adequados disponíveis, disse Latansio.

 

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