Igrejas Europeias criticam ortodoxos russos

Invasão e devastação da Ucrânia condenadas por mais de cem confissões cristãs

| 21 Jun 2023

Oração da manhã do dia 19, na assembleia da Conferência das Igrejas Europeias: entre a devastação provocada pela guerra, as Igrejas europeias propõem uma visão esperançosa. Foto © Albin Hillert/CEC.jpg

 

As Igrejas empenhadas em moldar o futuro da Europa devem ser imaginativas e corajosas, confiantes e não arrogantes, ouvindo e não apenas falando, confiantes e não ansiosas, esperançosas e não apenas otimistas”, afirma-se na mensagem final da assembleia da Conferência das Igrejas da Europa (CIE), que terminou esta terça-feira, 20, na capital da Estónia, Talin.

Com mais de 300 participantes e congregados em torno do tema “Sob a bênção de Deus – moldar o futuro”, esta assembleia, que reúne a cada quinquénio as igrejas cristãs europeias, afirmou-se “desafiada pelos desenvolvimentos em solo europeu”, que interpreta inspirada em Cristo e no testemunho bíblico.

“Isto obriga-nos – sublinha a mensagem – a enfrentar os desafios da crise climática, da perda de biodiversidade, da migração global, do nacionalismo crescente sob uma bandeira populista, dos desafios aos direitos humanos, dos conflitos mais alargados e da guerra pura e simples”.

“Todos estes fenómenos se alimentam mutuamente: por exemplo, a crise ecológica prejudica a sustentabilidade alimentar das populações que, em resultado de conflitos pela diminuição do acesso aos recursos, migram em busca de uma vida melhor”, explicam os participantes.

A assembleia, que se iniciou no dia 14 com um encontro de jovens da Europa, não os esqueceu no texto conclusivo. Reconheceu mesmo “a sua obrigação de, perante Deus, ouvir o apelo” das gerações mais novas, “cujo futuro se sente cada vez mais traído por aqueles que também já foram jovens”. Reconheceu ainda as suas próprias responsabilidades por “contribuir para a crise ecológica e a injustiça climática que estão inextricavelmente ligadas a economias que procuram um crescimento sem limites”. “A criação de Deus clama por prioridades diferentes”, vinca o texto.

Depois de ouvir o testemunho “poderoso” das pessoas diretamente afetadas pela guerra e “um forte apelo à oração e ao acompanhamento prático para o futuro”, a assembleia condenou “inequivocamente a invasão brutal da Ucrânia pela Rússia e a devastação da vida, do território e das relações internacionais – a rutura violenta do acordo pós-guerra em que o Estado de direito era primordial”.

Na mesma linha, e referindo-se à Igreja Ortodoxa Russa, manifestou-se preocupada com “o papel de algumas igrejas na promoção deste terrível conflito”, lamentando “o impacto desta divergência no testemunho cristão no continente europeu”.

“Enquanto nos reuníamos em Talin, abriu-se um novo capítulo no potencial conflito europeu”, diz a mensagem: “as armas nucleares foram transferidas para a Bielorrússia, onde a democracia e a própria resistência não-violenta foram suprimidas pelo atual regime. Lamentamos profundamente esta ação.”

O documento conclusivo alertou para as ameaças à liberdade de religião e de crença em algumas partes da Europa e denunciou também “o atual bloqueio do Nagorno-Karabakh pelo Azerbaijão”, que provoca “injustiça e sofrimento às pessoas que se veem oprimidas devido à sua identidade e território contestados”.

Finalmente, a mensagem alerta para os “enormes custos humanos” da migração global, nomeadamente nas fronteiras da Europa, recordando as centenas de pessoas que tinham morrido afogadas ao largo da costa da Grécia, já durante a assembleia de Talin. “Enquanto nos encontrávamos, ficámos chocados com a notícia de que quase 500 pessoas se tinham afogado ao largo da costa da Grécia.” A CIE e a CCME (Comissão das Igrejas para os Migrantes na Europa, da sigla inglesa) apelaram a um dia de oração e vigília, no próximo domingo, 25 de junho.

Algumas destas questões são abordadas pela CIE no âmbito do quadro estratégico Caminhos para a Paz, aprovado em dezembro de 2022.

A CIE é uma associação de 113 Igrejas ortodoxas, protestantes, anglicanas e católicas de toda a Europa, incluindo também mais de 40 conselhos nacionais de igrejas e organizações em parceria. Fundada em 1959, após a Segunda Guerra Mundial, com objetivos de pacificação e de cura, a Conferência, sediada em Bruxelas, afirma representar mais de 380 milhões de cidadãos europeus.

 

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