
O padre Mário Rui Pedras durante a celebração da Vigília Pascal na Igreja de São Nicolau, em Lisboa, em 2019, Foto reproduzida da página da Paróquia de São Nicolau no Facebook.
O padre Mário Rui Pedras, pároco de São Nicolau e Santa Maria Madalena (Lisboa), um dos quatro do Patriarcado de Lisboa que estava suspenso do exercício de funções públicas por acusações de abusos sexuais, anunciou que voltará a celebrar missa publicamente no próximo domingo, dia 18 de junho.
Num comunicado que divulgou na página digital da paróquia, Mário Rui Pedras diz que a investigação prévia terminou no dia 12 (segunda-feira). Considerando-se “vítima de uma denúncia falsa, difamatória e anónima”, e “dada a inverosimilhança da denúncia”, o instrutor do processo “propôs ao Bispo que fosse levantado o ‘afastamento preventivo’” – uma “medida justa que ontem, dia 14 de junho, foi aplicada pelo Patriarca de Lisboa”.
A decisão de levantar o afastamento preventivo surge porque aparentemente não apareceu qualquer denúncia. Durante este dia de quinta-feira, 15, o 7MARGENS tentou confirmar esse dado junto do presidente da Comissão de Protecção de Menores e Pessoas Vulneráveis, José Souto Moura, sem resultado. Fontes eclesiásticas do Patriarcado de Lisboa garantem no entanto que foi aquela a razão para o levantamento da sanção, apesar de recentemente três padres destacados da diocese terem ido a Roma para tentar obter o arquivamento do processo de Mário Rui Pedras, dizem as mesmas fontes.
De qualquer modo, concluída a investigação preliminar em Lisboa, o processo seguirá agora para o Vaticano, para uma decisão final.
O nome de Mário Rui Pedras e outros três padres foram entregues ao patriarca de Lisboa, em Março, pela Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais sobre Crianças na Igreja. Na sequência disso, todos eles foram afastados preventivamente de funções públicas.
Agora, a equipa liderada por Pedro Strecht é objecto de críticas duras por parte do pároco lisboeta: ela “recebeu e transmitiu a denúncia, fazendo de mera caixa de correio e dando ressonância à calúnia”. Pior: “Lavou as mãos como Pilatos, e integrou esta denúncia soez na listagem dos eventos que anunciou, de forma estridente e sensacionalista”.
Também a Comissão de Protecção de Menores e Pessoas Vulneráveis do Patriarcado de Lisboa é criticada pelo padre Mário Rui: esta “cedeu à fortíssima pressão mediática”, sem a “ponderação exigida diante de uma denúncia anónima, difamatória e sem verosimilhança”. E ainda recomendou o “afastamento do exercício público do ministério, insensível às consequências que daí derivariam inevitavelmente” para o padre, queixa-se o próprio.
Aliás, na parte final do texto, o padre Mário Rui enumera uma longa lista de agradecimentos a quem o apoiou, mas não refere expressamente o patriarca, que agora decidiu o levantamento da suspensão de funções. Há apenas uma frase em que o padre afirma, citando uma expressão do Papa João Paulo II: “Em primeiro lugar, agradeço a Deus pelo ‘dom e mistério’ do sacerdócio que há quase 42 anos me concedeu. Agradeço por servir a santa Igreja, nesta querida Diocese de Lisboa, em comunhão com o meu Bispo.”
Mário Rui Pedras escreve ainda que nestes três meses percorreu “em silêncio, em sofrimento e em paz interior” um “caminho de cruz” recordando diariamente “as palavras de São Paulo: ‘completo na minha carne o que falta à paixão de Jesus Cristo em favor do Seu Corpo, que é a Igreja’”, que “iluminaram, deram sentido e suavizaram” a “provação” sofrida.









