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padre mario rui pedras durante celebracao da vigilia pascal na igreja de sao nicolau, em lisboa, em 2019, foto FB Paróquia de São Nicolau

Três padres intercederam em Roma

Investigação prévia terminou; sem acusações, padre Mário Rui volta a celebrar missa publicamente

| 15/06/2023

padre mario rui pedras durante celebracao da vigilia pascal na igreja de sao nicolau, em lisboa, em 2019, foto FB Paróquia de São Nicolau

O padre Mário Rui Pedras durante a celebração da Vigília Pascal na Igreja de São Nicolau, em Lisboa, em 2019, Foto reproduzida da página da Paróquia de São Nicolau no Facebook.

 

O padre Mário Rui Pedras, pároco de São Nicolau e Santa Maria Madalena (Lisboa), um dos quatro do Patriarcado de Lisboa que estava suspenso do exercício de funções públicas por acusações de abusos sexuais, anunciou que voltará a celebrar missa publicamente no próximo domingo, dia 18 de junho.

Num comunicado que divulgou na página digital da paróquia, Mário Rui Pedras diz que a investigação prévia terminou no dia 12 (segunda-feira). Considerando-se “vítima de uma denúncia falsa, difamatória e anónima”, e “dada a inverosimilhança da denúncia”, o instrutor do processo “propôs ao Bispo que fosse levantado o ‘afastamento preventivo’” – uma “medida justa que ontem, dia 14 de junho, foi aplicada pelo Patriarca de Lisboa”.

A decisão de levantar o afastamento preventivo surge porque aparentemente não apareceu qualquer denúncia. Durante este dia de quinta-feira, 15, o 7MARGENS tentou confirmar esse dado junto do presidente da Comissão de Protecção de Menores e Pessoas Vulneráveis, José Souto Moura, sem resultado. Fontes eclesiásticas do Patriarcado de Lisboa garantem no entanto que foi aquela a razão para o levantamento da sanção, apesar de recentemente três padres destacados da diocese terem ido a Roma para tentar obter o arquivamento do processo de Mário Rui Pedras, dizem as mesmas fontes.

De qualquer modo, concluída a investigação preliminar em Lisboa, o processo seguirá agora para o Vaticano, para uma decisão final.

O nome de Mário Rui Pedras e outros três padres foram entregues ao patriarca de Lisboa, em Março, pela Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais sobre Crianças na Igreja. Na sequência disso, todos eles foram afastados preventivamente de funções públicas.

Agora, a equipa liderada por Pedro Strecht é objecto de críticas duras por parte do pároco lisboeta: ela “recebeu e transmitiu a denúncia, fazendo de mera caixa de correio e dando ressonância à calúnia”. Pior: “Lavou as mãos como Pilatos, e integrou esta denúncia soez na listagem dos eventos que anunciou, de forma estridente e sensacionalista”.

Também a Comissão de Protecção de Menores e Pessoas Vulneráveis do Patriarcado de Lisboa é criticada pelo padre Mário Rui: esta “cedeu à fortíssima pressão mediática”, sem a “ponderação exigida diante de uma denúncia anónima, difamatória e sem verosimilhança”. E ainda recomendou o “afastamento do exercício público do ministério, insensível às consequências que daí derivariam inevitavelmente” para o padre, queixa-se o próprio.

Aliás, na parte final do texto, o padre Mário Rui enumera uma longa lista de agradecimentos a quem o apoiou, mas não refere expressamente o patriarca, que agora decidiu o levantamento da suspensão de funções. Há apenas uma frase em que o padre afirma, citando uma expressão do Papa João Paulo II: “Em primeiro lugar, agradeço a Deus pelo ‘dom e mistério’ do sacerdócio que há quase 42 anos me concedeu. Agradeço por servir a santa Igreja, nesta querida Diocese de Lisboa, em comunhão com o meu Bispo.”

Mário Rui Pedras escreve ainda que nestes três meses percorreu “em silêncio, em sofrimento e em paz interior” um “caminho de cruz” recordando diariamente “as palavras de São Paulo: ‘completo na minha carne o que falta à paixão de Jesus Cristo em favor do Seu Corpo, que é a Igreja’”, que “iluminaram, deram sentido e suavizaram” a “provação” sofrida.

 

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