Infosys premeia historiadora

Investigação sobre Goa e catolicismo oriental distingue Ângela Barreto Xavier na Índia

| 3 Dez 2021

Ângela Xavier prémio infosys foto direitos reservados

Ângela Barreto Xavier nasceu em Goa, licenciou-se em História na Universidade Nova de Lisboa e doutorou-se no Instituto Universitário Europeu de Florença, em 2003. Foto: Direitos reservados.

 

O Prémio Infosys 2021 em Humanidades, da prestigiada fundação indiana Infosys Science Foundation, foi atribuído à historiadora portuguesa Ângela Barreto Xavier “pela sua profunda pesquisa e sofisticada análise da conversão e violência no Império Português na Índia, especialmente em Goa”. O júri destaca a contribuição significativa da galardoada para a “história social e cultural do colonialismo português”, concretizando uma voz “importante e original” no que à história colonial e imperial diz respeito.

Na decisão, o júri diz que os trabalhos de Ângela Xavier “abriram novos caminhos na história social, política e cultural da conversão ao cristianismo na Índia portuguesa”. Lê-se na acta: “Baseando-se em quadros da sociologia histórica, [Ângela Xavier] considera as respostas de diferentes grupos goeses ao poder secular e eclesiástico português, através de uma leitura atenta das fontes e do exame de uma variedade de situações concretas, tanto urbanas como rurais.”

Ângela Barreto Xavier nasceu em Goa, licenciou-se em História na Universidade Nova de Lisboa e doutorou-se no Instituto Universitário Europeu de Florença, em 2003. Tem feito a sua carreira sobretudo no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, mas leccionando também como professora convidada em Paris, EUA e Goa.

A obra da historiadora faz uma análise “profunda e complexa da conversão e violência no império português na Índia, especialmente em Goa, nos séculos XVI e XVII”, nota ainda o júri, que elogia a lufada de ar fresco do estudo do colonialismo português na Índia feita pela autora.

O presidente do júri, Akeel Bilgrami, destacou ainda, na mensagem pessoal, a sua admiração pela contribuição da historiadora para a “compreensão da história do imperialismo português na Índia e dos seus efeitos mais vastos na religião, sociedade e cultura” e o seu contributo para o estudo do orientalismo católico

Ao receber o prémio, anunciado numa cerimónia em vídeo na quinta-feira, dia 2, Ângela Xavier afirmou que sempre esteve interessada “em compreender os mecanismos por detrás da exclusão e a sua relação com a construção da identidade”. Tendo em conta as muitas variáveis em presença, as questões imperiais e religiosas estão entre os temas mais relevantes da sua análise.

No livro A Invenção de Goa – Poder Imperial e Conversões Culturais nos Séculos XVI e XVII (ed. Imprensa de Ciências Sociais), Ângela Xavier analisa os processos de conversão, questionando: “Será que, para muitos dos grupos socialmente mais desfavorecidos, a conversão ao Cristianismo constituiu uma recusa (consciente?) do modelo social dominante, da própria ordem local e da economia de posições que ela lhes atribuía?” O livro conclui analisando “as formas de contemporização, de conformidade, de adesão, pragmáticas ou não, à dominação imperial portuguesa, e o modo como estes comportamentos potenciaram, a médio e a longo prazo, conversões culturais profundas”.

A Infosys Science Foundation, uma prestigiada fundação indiana, pretende promover o conhecimento e a ciência de excelência na investigação em diversas áreas. As áreas distinguidas anualmente com os prémios Infosys são Engenharia e Informática, Humanidades, Ciências da Vida, Ciências Matemáticas, Ciências Físicas e Ciências Sociais.

 

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