"Uma injustiça inacreditável"

Irão: Duas bahá’ís condenadas a segunda pena de prisão pela sua fé

| 13 Dez 2022

duas mulheres bahá'ís, Mahvash Sabet e Fariba Kamalabadi, presas no irão, foto Comunidade Internacional Bahá'i (

Mahvash Sabet e Fariba Kamalabadi foram presas pela segunda vez a 31 de julho, num período que marcou o início de uma nova repressão contra os bahá’ís no Irão. Foto © Comunidade Internacional Bahá’i.

 

Com as manifestações contra o regime de Teerão a caminhar para o terceiro mês consecutivo e as ações das autoridades iranianas face aos manifestantes cada vez mais violentas e repressivas, duas mulheres bahá’ís, Mahvash Sabet e Fariba Kamalabadi, consideradas símbolos de resiliência no país após terem já passado dez anos na prisão devido a não terem negado a sua fé, foram condenadas a nova pena por mais dez anos.

As duas mulheres bahá’ís iranianas tinham sido presas a 31 de julho – pela segunda vez – num período que marcou o início de uma nova repressão contra os bahá’ís no Irão. A sentença foi agora conhecida, na sequência de um julgamento de uma hora que aconteceu a  21 de novembro, quase quatro meses depois da sua prisão. “Uma hora que foi gasta principalmente com o juiz a insultar e humilhar as mulheres por ‘não terem aprendido a lição’ da sua prisão anterior”, refere a Comunidade Bahá’i Internacional em comunicado enviado ao 7MARGENS.

Desde a prisão de Mahvash, 69 anos, e Fariba, 60, mais de 320 bahá’ís foram perseguidos e dezenas detidos em vários pontos de Shiraz, na província de Mazandaran, e em outras partes do país. Foram ainda demolidas casas pertencentes a bahá’ís na aldeia de Roshankouh, e pelo menos 90 elementos da comunidade estão atualmente na prisão ou obrigados a usar pulseira eletrónica.

Shirin Ebadi, vencedora do Prémio Nobel da Paz em 2003 e advogada de defesa de Mahvash e Fariba durante o seu primeiro julgamento, disse em 2008 não ter sido apresentada nenhuma evidência que provasse as acusações de ameaça à segurança nacional ou quaisquer outras alegações de que as mulheres foram alvo, e também não houve qualquer nova evidência neste último julgamento.

“É profundamente angustiante saber que estas duas mulheres bahá’ís que já perderam injustamente uma década das suas vidas na prisão por causa das suas crenças, estão novamente encarceradas por mais dez anos sob as mesmas acusações ridículas”, disse Simin Fahandej, representante da Comunidade Internacional Bahá’í nas Nações Unidas, citado no mesmo comunicado. “Mahvash e Fariba são esposas, mães e avós de famílias que já foram forçadas a suportar a sua ausência durante dez anos brutais. Em vez de expressar pesar a essas famílias pela prisão injusta que já sofreram, o governo iraniano está a repetir de forma inacreditável e inexplicável a mesma crueldade pela segunda vez. (…) Não há palavras para descrever esta injustiça absurda e cruel”, acrescentou.

 

Amnistia Internacional pede fim das sentenças de morte

Majidreza Rahnavard, executado no irão a 8 de dezembro de 2022, foto direitos reservados

O julgamento de Rahnavard consistiu em apenas uma sessão perante um “Tribunal Revolucionário”, onde foi acusado de “inimizade contra Deus”. Foto: Direitos reservados.

 

Injusta foi também a execução do jovem Majidreza Rahnavard, 23 anos, que havia sido detido durante uma onda de protestos antigovernamentais, assinalou esta terça-feira, 13 de dezembro, a Amnistia Internacional, em nota enviada às redações.

A organização apelou ao fim das sentenças de morte no Irão, depois de ter identificado mais 20 pessoas em risco de execução, a seguir a Rahnavard e a Mohsen Shekari, também de 23 anos, executado na passada quinta-feira, 8 de dezembro.

“Instamos a comunidade internacional a tomar todas as medidas necessárias para pressionar as autoridades iranianas a pôr fim às execuções e anular as sentenças de morte”, disse Diane Eltahawy, diretora adjunta da Amnistia Internacional para o Médio Oriente e Norte de África.

“A execução arbitrária de Rahnavard, menos de duas semanas após a sua única audiência em tribunal, revela a extensão da agressão das autoridades iranianas ao direito à vida e o seu desrespeito por manterem sequer uma fachada de processos judiciais significativos”, refere Eltahawy.

O julgamento de Rahnavard consistiu em apenas uma sessão perante um “Tribunal Revolucionário” em Mashhad, província de Khorasan-e Razavi, a 29 de novembro, onde foi acusado de “inimizade contra Deus”.

Antes da sua sessão no tribunal, os meios de comunicação social estatais transmitiram vídeos do Rahnavard a fazer “confissões” forçadas, nas quais se via o seu braço esquerdo enfaixado, o que sugere que poderá ter sido sujeito a tortura.

Milhares de pessoas foram já presas e indiciadas desde o início dos protestos desencadeados pela morte da jovem curda Mahsa Amini. O procurador-geral de Teerão, Ali Alqasi Mehr, decretou esta terça-feira sentenças de prisão contra 400 “desordeiros”, dos quais 160 foram condenados a penas entre cinco e dez anos de prisão; 80 a entre dois e cinco anos e outros 160 a até dois anos de encarceramento.

 

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