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Imão David, de Taizé a vender bolachas em Cluny

Irmãos de Taizé passaram a fabricar e vender bolachas para “equilibrar as contas”

| 25/11/2020

irmãos de Taizé. venda de bolachas. Ameugny

Os imãos David (à esq.) e Benoit a venderem bolachas na aldeia vizinha de Ameugny. Foto: Direitos reservados. (Na foto de capa: o irmão David em Cluny.)

 

Para obviar à falta de rendimento e uma vez que a comunidade vive apenas do seu trabalho, os irmãos de Taizé começaram a produzir bolachas de mel da Borgonha e biscoitos vegan salgados com sementes de girassol. Neste momento, a par das vendas da loja digital (livros, discos, olaria…), esta é a única fonte de rendimento da comunidade. As bolachas também são enviadas por correio para os países da União Europeia, incluindo Portugal.

Tendo em conta a pandemia, as restrições que vigoram em França impõem, neste momento, o encerramento de lojas de comércio que não sejam de alimentação. Assim, Taizé foi obrigada a encerrar a loja de exposição, onde vendem os discos da comunidade, os livros escritos pelos irmãos, as peças em olaria ou esmalte e cobre, os cartazes ou postais, mantendo apenas as vendas em linha. Com isso e com as novas bolachas “carrés de Taizé” (quadrados de Taizé), a comunidade espera conseguir equilibrar as contas, diz o irmão David ao 7MARGENS.

O próprio esteve já em Cluny (sábados) e em Ameugny (sextas), nas feiras semanais que decorrem na cidade da antiga abadia e na aldeia vizinha de Taizé. Também a Tournus, outra pequena cidade 25 quilómetros a leste de Taizé os irmãos já se deslocaram para a venda de bolachas. “Esgotam-se depressa, têm sido um grande sucesso”, diz o irmão David, o único português membro da comunidade monástica e ecuménica, fundada pelo irmão Roger Schutz em 1940.

Desde Julho, aliás, que vários irmãos da comunidade começaram a ir aos mercados das redondezas. Nessa altura, era para vender sobretudo olaria. Com a impossibilidade de colocar à venda produtos que não fossem comida, os irmãos decidiram, no início de Novembro, iniciar o fabrico de bolachas.

Para isso contam com apicultores e agricultores da região, a quem compram o mel e as sementes de girassol, o moinho em frente da comunidade onde se abastecem de farinha, uma fábrica da região que lhes vende as latas para embalagem. No início, alguns pasteleiros da zona ajudaram também na formação, ensinando os irmãos as diferentes fases de fabrico das bolachas.

“Assim, esta produção está de acordo com a lógica ecológica dos circuitos curtos” para os produtos alimentares, dizem os irmãos na página da comunidade na Internet.

 

A feitura de bolachas tem sido contínua, de cerca de 50 quilos por dia, explica ainda o irmão David. “Todos os dias pomos a produção diária em venda na webshop” e também por esta via ela esgota rapidamente.

Vendidas a 14,50 euros cada caixa, a página digital de Taizé informa também sobre os ingredientes dos dois tipos de bolachas: mel, farinha de trigo, manteiga, açúcar, gengibre, canela, aroma de limão, sal e anis, para o caso das bolachas doces de mel e canela; sementes de girassol, óleo de girassol, farinha de trigo, sal, açúcar, para os biscoitos vegan salgados com sementes de girassol. Quantidades e pequenos segredos fica, como é normal nestes casos, na reserva de quem criou a receita.

Tendo em conta a evolução da pandemia e o regresso das medidas de confinamento em vários países, a comunidade voltou a transmitir a oração em directo de Taizé: ao meio-dia (11h20 de Lisboa), em áudio, a partir da Igreja da Reconciliação; à noite (19h30 em Portugal), a partir da casa dos irmãos e difundida no canal de Taizé no YouTube.

A situação pandémica obrigou, aliás, a adiar por um ano o encontro europeu previsto para o final do ano, em Turim (Norte de Itália). Este ano, a iniciativa decorrerá em Taizé e em linha para todo o mundo, através de canais vídeo:

 

 

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