Pela primeira vez

Irmãos não presbíteros nomeados provinciais de uma ordem

| 22 Jun 2022

Fotomontagem do site oficial dos Camilianos, com os dois irmãos agora nomeados, Carlo Mangione e José Carlos Bermejo Higuera, e uma imagem representativa da ordem.

Fotomontagem do site oficial dos Camilianos, com os dois irmãos agora nomeados, Carlo Mangione e José Carlos Bermejo Higuera, e uma imagem representativa da ordem.

 

Pela primeira vez na história recente da Igreja Católica irmãos não clérigos foram nomeados superiores provinciais de uma ordem religiosa. De acordo com notícia da Agência Fides, deste dia 22 de junho, o superior da Ordem dos Ministros dos Enfermos (MI), o padre Pedro Tramontin, nomeou o irmão Carlo Mangione superior da província siciliano-napolitana e o irmão José Carlos Bermejo Higuera superior da província da Espanha.

As nomeações foram feitas após a obtenção da autorização por escrito do Dicastério para os Religiosos e de acordo com a dispensa que o Papa Francisco introduziu no Código de Direito Canónico em 18 de maio de 2022.

O irmão Carlo Mangione, diretor geral do Hospital Santa Maria della Pietà de Casoria, é agora responsável pela Casa da Esperança no município napolitano. Por sua vez, o irmão José Carlos Bermejo Higuera é diretor do Centro de Humanização da Saúde de Madrid. A ordem dos Ministros dos Enfermos é uma associação cristã leiga fundada em 1590 por São Camilo de Lellis, cujos membros são conhecidos como Camilianos, ou Padres Camilos, e trabalha para as famílias desfavorecidas, mulheres vítimas de violência, doentes, pobres, marginalizados e pessoas sem-teto.

A Constituição da Ordem dos Ministros dos Enfermos estipula: “A nossa Ordem, contada pela Igreja entre os institutos clericais, é composta por pessoas unidas pelo vínculo da profissão, chamadas segundo a tradição, padres e irmãos, que como religiosos tendem para o mesmo fim, têm igual dignidade e iguais direitos e obrigações, exceto os derivados da ordem sagrada. Os de votos perpétuos gozam de voz ativa e passiva.”

Alteração com interpretações polémicas

A alteração da disposição do direito canónico introduzida pelo Papa a 18 de maio de 2022 provocou algumas interpretações polémicas, entre as quais as da teóloga franco-canadiana Aline Lizotte, num artigo intitulado Le Pape François aurait-il l’intention de ‘décléricaliser’ l’Église Catholique? (Terá o Papa Francisco intenção de ‘desclericalizar’ a Igreja?), publicado no sítio Smart Reading Press. 

A teóloga, muito conotada com o pensamento do Papa João Paulo II sobre o corpo e a sexualidade, fundadora e primeira responsável da Associação para a Formação Cristã da Pessoa (AFCP) renunciou ao cargo de direção que desempenhava naquela instituição no início deste mês de junho. A renúncia ocorreu pouco depois de terminado o relatório de uma visita canónica encomendada pelo bispo de Le Mans, Yves Le Saux, realizada por Jean-Pierre Batut, bispo de Blois, e pelo dominicano Thierry Dominique Humbrecht. O relatório final da visita apontava para o convite à renúncia, embora as razões não tenham sido ainda divulgadas.

Em 2000, Aline Lizotte, que nasceu no Canadá em 1935 e fez toda a sua formação naquele país, foi viver em França, perto da Abadia de Saint-Pierre de Solesmes, e em 2004 obteve a nacionalidade francesa. Em setembro de 2012, assumiu a direção do Instituto Karol Wojtyla, instituto de educação permanente autorizado a ministrar formação universitária. Em 2013, fundou o sítio católico Smart Reading Press, da qual é editora-chefe.

 

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