Itália acolhe 10 refugiados, Reino Unido recusa entrada a 200

| 22 Jul 20

refugiados lesbos corredor humanitario roma, Foto Comunidade de Sant'Egidio

O grupo de dez refugiados afegãos, recebido em festa no refeitório da Comunidade de Sant’Egídio, em Roma. Foto: Comunidade de Sant’Egídio.

 

Depois de longos meses de espera, devido à pandemia de covid-19, dez refugiados que se encontravam no campo de Moria (ilha de Lesbos, Grécia) chegaram na semana passada a Roma. Foram os primeiros após a reabertura de um dos corredores humanitários italianos. Enquanto isso, no Reino Unido, o número de migrantes que entraram no país através do Canal da Mancha bateu recordes: 180 em apenas um dia. Mas outros 200 foram intercetados e forçados a voltar para os campos improvisados no norte de França.

Os dez refugiados recebidos em Roma, de nacionalidade afegã, foram os últimos de um grupo de 67 pessoas a ser resgatadas do sobrelotado campo de Lesbos, por iniciativa do Papa Francisco, numa parceria entre a Esmolaria Apostólica da Santa Sé e a Comunidade de Sant’Egídio, noticia o Rome Reports.

O “corredor do Papa” é um dos vários corredores humanitários em Itália, os quais permitem a instituições privadas acolher refugiados no país e apoiar a sua integração. Diversos países europeus copiaram o modelo italiano, o que, segundo dados do portal Infomigrants, permitiu receber na Europa, até ao momento, um total de 3.000 refugiados oriundos de países em guerra, como a Líbia, ou de campos sobrelotados, como Moria.

Um número que continua a ser insuficiente, como prova a quantidade cada vez maior de migrantes que arriscam a vida ao tentar chegar ao Reino Unido, em pequenos botes, através da via marítima mais movimentada do mundo, o Canal da Mancha.

 

“Vítimas da escravatura moderna”

No passado dia 12 de julho, o Reino Unido registou um número diário recorde de migrantes a entrar no país por essa via, avançou a BBC News. Pelo menos 180 pessoas chegaram ao país nesse dia, sendo que outras 200 foram intercetadas pelas autoridades francesas e impedidas de completar a travessia. Só este ano, já conseguiram atravessar o Canal da Mancha e entrar no Reino Unido mais de 2.500 migrantes.

A secretária de Estado britânica para os Assuntos Internos, Priti Patel, anunciou uma “nova abordagem operacional” em parceria com o Governo francês, que consiste num “compromisso partilhado de enviar as embarcações no Canal da Mancha de volta para França, em vez de permitir que cheguem ao Reino Unido”.

Mas a organização de defesa dos direitos humanos People Not Walls (“Pessoas, Não Muros”) apelou este domingo, 19 de julho, ao Governo britânico que acolha estes migrantes, oriundos dos campos de refugiados improvisados existentes em Calais (França), e que os trate “com dignidade e respeito”, dando-lhes “acesso a rotas seguras para que possam pedir asilo no Reino Unido, em vez de arriscarem as suas vidas em travessias perigosas”, muitas vezes promovidas por traficantes.

Tendo como mote a frase “Their lives matter” (em português, “as vidas deles importam”, numa alusão ao slogan criado na sequência da morte de George Floyd, “Black lives matter”), a People Not Walls publicou um manifesto onde recorda que estes refugiados “são seres humanos com famílias, que sofreram experiências traumáticas, não pessoas a serem afastadas do Reino Unido a todo o custo”.

A organização de defesa dos direitos humanos sublinha ainda que as condições de vida nos campos de refugiados do norte de França são “desumanas”e que as pessoas que procuram sair “caem nas mãos de traficantes e tornam-se vítimas da escravatura moderna, em vez de encontrarem segurança”. Por isso, conclui a organização, “é moralmente inaceitável deixar sem alternativas aqueles que procuram um refúgio, e que ainda arriscam as suas vidas em botes frágeis”.

 

Papa convida a um exercício de escuta

Numa tentativa de dar a conhecer melhor a realidade dos refugiados e encontrar soluções para que os seus direitos sejam salvaguardados, o Papa Francisco lançou esta segunda-feira o terceiro vídeo de preparação do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, que será assinalado a 27 de setembro.

Subordinados ao tema “Forçados, como Jesus Cristo, a fugir”, os vídeos, com periodicidade mensal, inspiram-se na mensagem do Papa e apresentam testemunhos reais de pessoas forçadas a abandonar as suas casas.

Neste terceiro vídeo, é possível conhecer Sarah Hassan, iraquiana, pertencente à minoria religiosa yazidi, que conta como cristãos e muçulmanos lhe abriram as portas quando teve de fugir para o Curdistão. No curto vídeo, Sarah apela a todos para que escutem os refugiados e conheçam as suas histórias, e acredita que, se isso acontecer, poderemos “construir uma comunidade melhor”.

É também essa a mensagem de Francisco: “Num mundo onde todos querem ter razão, não há mais espaço para escutar. Fala-se apenas. Mas é somente através da escuta humilde e atenta que podemos realmente chegar a reconciliar-nos”.

 

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