Itália: bispo autoriza equipa de médicos a dar a comunhão a pacientes de covid-19

| 17 Abr 20

Médicos dão comunhão em hospital italiano © Avvenire

O bispo Giovanni Nerbini foi ao encontro da equipa de médicos do hospital de Prato e designou-os oficialmente ministros extraordinários da comunhão. Foto: Direitos reservados/Avvenire

 

A iniciativa partiu de uma equipa de seis médicos, no hospital italiano de Prato, na Toscana: no último mês, têm estado completamente focados em cuidar da saúde física dos doentes infetados com covid-19, mas queriam poder contribuir para cuidar também da sua “saúde espiritual”. Assim, através do capelão do hospital, fizeram chegar ao bispo da diocese, Giovanni Nerbini, um pedido: o de poderem dar a comunhão aos seus pacientes. A resposta foi positiva e, no dia de Páscoa, pela primeira vez em várias semanas, mais de 100 doentes puderam comungar.

Foi ao escutar o pedido do Papa Francisco para que os profissionais de saúde fossem “intermediários da Igreja para as pessoas que sofrem” que o médico Filippo Risaliti teve a ideia de fazer o pedido ao bispo. “Dei-me conta de que, na luta contra o coronavírus, o nosso esforço se centra demasiado em combater os males físicos dos pacientes”, explicou em declarações ao jornal italiano Avvenire. Quando, no domingo de Páscoa, pôde finalmente levar-lhes a comunhão, não conseguiu conter a emoção. “Chorei com os pacientes”, confessa.

Não foi o único a emocionar-se. Também Lorenzo Guarducci, seu colega, partilhou que esta “foi uma das experiências mais belas” da sua vida “enquanto homem, enquanto cristão, e enquanto médico”. Para este profissional de saúde, distribuir a comunhão aos doentes foi uma forma de recordar a união com a sua família que, por precaução, não vê há mais de um mês: “Este gesto permitiu-me estar reunido com aqueles que me são queridos através do Senhor”, afirmou.

O bispo Giovanni Nerbini fez questão de ir ao encontro dos seis médicos no hospital e designá-los oficialmente ministros extraordinários da comunhão. “Nós somos os únicos que poderíamos fazer isto”, sublinhou Filippo Risaliti. “O bispo Nerbini fez um pequeno discurso explicando que, nestes tempos difíceis, nós médicos também somos chamados a isto. E eu concordo. (…) A espiritualidade do homem não pode ser separada do seu corpo. E também precisa de cuidados importantes.”

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