“Campanha difamatória”

Jesuítas encenaram operação para “linchar” o padre Rupnik, acusa Centro Aletti

| 19 Jun 2023

Mark Ivan Rupnik, Adão, arte, mosaico,

Pormenor de um mosaico de Marko Rupnik na Cova de Santo Inácio, em Manresa (Catalunha, Espanha), representando Adão comendo o fruto que Eva lhe dera. Foto © Medol, via Wikimedia Commons.

 

A Companhia de Jesus terá ignorado um pedido do padre e artista Marko Rupnik para abandonar a Ordem em janeiro deste ano, preferindo dar eco a uma campanha mediática “difamatória”, impor àquele presbítero uma nova missão no norte de Itália e acusá-lo, depois, de desobediência. É este o ponto de vista do Centro Aletti, de Roma, num comunicado da diretora, Maria Campatelli.

A reação veio a público no site do Centro, no último sábado, 17, e dá alguns esclarecimentos sobre a decisão dos Jesuítas de o expulsar. Assim, refere o comunicado, o motivo do decreto de demissão do superior geral Arturo Sosa é “a recusa do padre Rupnik em observar o voto de obediência relativamente a uma nova missão que a Ordem, numa nota datada de 9 de março de 2023, lhe tinha confiado com uma transferência para uma comunidade jesuíta na Lombardia”.

No entanto, o comunicado assinado por Campatelli não considera a informação da Companhia de Jesus “justa e completa”, porquanto “inexplicavelmente (…) omite” que foi o próprio Rupnik, “observando todas as condições canónicas exigidas”, a apresentar, em 21 de janeiro deste ano, “um pedido para ser autorizado a deixar a Ordem”.

O motivo é avançado logo a seguir: a confiança do padre e artista nos seus superiores “tinha sido completamente quebrada, uma vez que estes tinham infelizmente provado repetidamente favorecer uma campanha mediática baseada em acusações difamatórias e não provadas”.

Campatelli vai mais longe e envolve não apenas o padre Rupnik mas todo o Centro Aletti no processo, expondo todos àquilo que define como “linchamento”. Considera ainda que havia “uma verdade diferente da que foi publicada” que os jesuítas deveriam ter facultado à imprensa, traduzida em “informações corretas baseadas em atos e documentos na sua posse”.

Fica-se também a saber, através do comunicado, que “, pelas mesmas razões de desconfiança em relação aos seus superiores, os outros jesuítas do Centro Aletti também pediram o indulto para sair da Companhia e aguardam a conclusão do respetivo processo, para poderem continuar a exercer o seu ministério sacerdotal”.

Campatelli sublinha a “ilogicidade” da missão atribuída a Rupnik, em 9 de março, quando tinha em seu poder um pedido de abandono da Companhia, datado de 21 de janeiro.  “A não ser, refere o Centro Aletti, que se queira entender a sua finalidade puramente instrumental de pré-constituir (como de facto aconteceu) o pressuposto para uma desobediência sobre a qual se basearia depois o decreto de demissão”.

O comunicado termina deixando entrever que o padre Rupnik não irá recorrer da pena de demissão que lhe foi imposta pela Companhia de Jesus; antes “permanecerá firme no seu desejo já manifestado de deixar a Ordem, continuando a viver este momento em discernimento e comunhão eclesial”.

Do lado dos Jesuítas, há o compromisso, explícito no comunicado de 15 de junho último, de que não voltarão a referir-se a este caso antes de terminado o prazo para recurso por parte de Marko Rupnik. Mas os factos agora vindos a público obrigam a esclarecimentos. Da parte do Centro Aletti, das vítimas do padre Rupnik, da diocese de Roma, que tutela o Aletti enquanto associação de fiéis, e os dicastérios pertinentes da Cúria Romana poderão ter ainda uma palavra a dizer.

 

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