Jesuítas europeus pedem mais solidariedade intra-europeia, com o sul do mundo e os migrantes e refugiados

| 9 Mai 20

União Europeia. Banco Central Europeu. Frankfurt

Sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt (Alemanha), com o símbolo do euro: a União tem de ajudar a repensar o actual modelo de globalização. Foto © António Marujo.

 

Vinte e um responsáveis, representando quatro mil jesuítas europeus (e do Médio Oriente) enviaram, nesta sexta-feira, 8 de Maio, uma mensagem às instituições da União Europeia (UE) apelando a que seja promovida uma “verdadeira solidariedade ética e social” na sequência do surto do coronavírus. A Europa tem de ser solidária não só entre si mas também com o sul do mundo e com os refugiados e migrantes que procuram o seu território, escrevem.

O padre José Frazão Correia (provincial dos Jesuítas em Portugal e um dos subscritores) explica que esta tomada de posição nasce da “consciência” sobre as “graves consequências sociais e humanas da presente pandemia a nível europeu e mundial”, explica, numa nota citada pela agência Ecclesia.

É também necessário, afirma, encontrar “respostas solidárias que evitem o isolamento dos países, o crescimento de visões individualistas e a desatenção aos mais vulneráveis, entre eles os migrantes e refugiados”. O texto sugere ainda que se repense o actual modelo de globalização, pois “não se pode viver de forma saudável num planeta doente”.

A pandemia “fortaleceu a consciência de todos os povos da Europa de que estão profundamente interligados” mas, paradoxalmente, a “solidariedade pan-europeia é difícil na prática”, verifica o documento.

O documento surge no 75º aniversário do fim da II Guerra Mundial e 70 anos após a declaração de Robert Schuman, momento fundador do que viria a ser a UE. Com essas datas em mente, os jesuítas pedem aos líderes europeus que “assegurem que a UE ultrapasse a ameaça existencial colocada pela actual falta de apetência pela solidariedade internacional”.

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