Jesuítas exigem libertação do padre Stan Swamy, preso na Índia por defender indígenas

| 19 Out 20

P Stan Swamy, sj. Índia

Foto do padre Stan Swamy, num cartaz a pedir a sua libertação, por ser activista dos direitos dos Adivasis. Foto: Direitos reservados.

 

Os jesuítas de todo o mundo estão a mobilizar-se pela libertação imediata do seu confrade Stan Swamy, 83 anos, preso no dia 8 de Outubro por ser um defensor dos povos indígenas do país e dos direitos humanos, mas a quem a autoridade antiterrorista da Índia (National Investigation Agency – NIA) acusa de ligações maoístas, que o próprio refuta.

“Estamos chocados e consternados ao tomar conhecimento que o padre Stan Swamy, que tem trabalhado toda a sua vida pela dignificação dos oprimidos e de outras pessoas vulneráveis, foi detido sob custódia da NIA”, diz o padre George Pattery, presidente da Conferência Jesuíta da Ásia do Sul, pedindo ao mesmo tempo a sua libertação imediata.

Também a Conferência Episcopal da Índia reagiu em comunicado, logo no dia 9, com um forte apelo às autoridades competentes para que “libertem imediatamente o padre Stan Swamy permitindo-lhe que regresse à sua comunidade”.

A detenção, diz um comunicado da Companhia de Jesus divulgado também em Portugal, teve lugar na residência jesuíta na periferia de Ranchi, localidade do estado de Jharkhand (Leste). A mesma fonte diz que o padre Stan apresenta um estado de saúde de grande debilidade.

Nas últimas cinco décadas, o jesuíta tem dedicado “incansavelmente” a sua vida a favor de grupos de marginalizados, diz o comunicado. Nomeadamente, manifestando-se contra expropriações injustas que têm atingido a comunidade Adivasis, povo indígena de Jharkhand.

O responsável pelo Secretariado de Justiça Social e Ecologia da Companhia de Jesus a nível mundial, padre Xavier Jeyaraj, também manifestou, a partir de Roma, a sua solidariedade para com o colega com quem já trabalhou vários anos: “Como jesuítas envolvidos em obras de educação, cuidando e defendendo os direitos dos mais pobres e vulneráveis em diversas partes do mundo, manifestamo-nos solidários com o padre Stan e com os outros defensores dos direitos humanos na Índia, condenando a sua prisão e exigindo a sua libertação imediata.” E acrescenta: “Apelamos às autoridades que se abstenham de detenções arbitrárias de cidadãos inocentes e cumpridores da lei.”

De acordo com Xavier Jeyaraj, que tem acompanhado de perto a situação, o padre Stan foi forçado a dormir no chão, desde a data da sua detenção até quarta-feira passada, dia 14. Stan Swamy está também sob quarentena: só pode contactar com o exterior através de uma chamada telefónica por semana e não viu ainda nenhum advogado. O padre Jeyaraj diz ainda que o seu colega é pacifista e apologista da não-violência.

Já tinha havido ameaças em Julho e Agosto, quando o padre Swamy foi interrogado várias vezes, e durante mais de 15 horas, pela NIA, na residência jesuíta em Bagaicha, Ranchi.

 

Advogados, escritores, jornalistas, estudantes, poetas…

As autoridades alegam que a prisão do jesuíta está relacionada com o caso de Bhima Koregaon-Elgar Parishad: a 31 de Dezembro de 2017, várias organizações que apoiam os Dalits (intocáveis) convocaram uma iniciativa para comemorar o 200º aniversário da batalha de Koregaon Bhima, um marco importante da história dos Dalits por, nessa ocasião, terem vencido o grupo dominante dos Brahmin.

A manifestação reuniu cerca de 35 mil pessoas mas vários grupos extremistas hindus entenderam-na como uma provocação. O que gerou uma situação de violência, da qual resultou um morto e vários feridos, além de diversas pessoas presas.

O padre Stan nega ter estado na manifestação, tal como nega a acusação de ligações a grupos maoístas, considerando que o Estado o persegue por causa das críticas que faz a várias políticas do governo e à sua luta em favor dos Adivasis. Stan Swamy defende há décadas os direitos de terra dos Adivasis, documentando os abusos de poder contra os jovens indígenas. Uma das suas últimas iniciativas foi apresentar uma acção pública em tribunal contra o Estado, em nome de 3000 indígenas presos. Agora, o padre Stan tornou-se o último de 16 detidos, incluindo os conhecidos advogados defensores dos direitos Arun Ferreira e Sudha Bharadwaj e os escritores Vernon Gonsalvez e Varavara Rao.

Numa declaração em vídeo, em inglês (que pode ser vista a seguir), dois dias antes da sua prisão, o jesuíta afirma: “O que me está a acontecer não é um caso isolado. Todos temos consciência de que muitos activistas, advogados, escritores, jornalistas, líderes estudantis, poetas, intelectuais e outros, que defendem os direitos dos Adivasis, dos Dalits e dos marginalizados e expressam a sua discordância com as autoridades políticas do país, estão debaixo de mira e a ser colocados na prisão”.

Por iniciativa da Conferência Jesuíta da Ásia do Sul, decorreu na segunda-feira, 12, um dia nacional de solidariedade com o padre Stan e estão previstas várias formas de manifestação e oração em diversas partes do mundo.

Uma petição pedindo a libertação de Stan Swamy já recolhera, neste domingo à noite, perto de 56 mil assinaturas. Entre elas, está a do provincial dos jesuítas em Portugal, padre Miguel Almeida. Prometendo continuar a mobilizar apoios para expressar a sua solidariedade, os jesuítas em Portugal garantem também que irão dando conta do evoluir da situação no Ponto SJ.

 

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