Papa às reclusas no lava-pés

“Jesus nunca se cansa de perdoar, somos nós que nos cansamos de pedir perdão”

| 28 Mar 2024

Papa lava os pés a 12 reclusas da Prisão Feminina de Rebibbia, em Roma, a 28 de março de 2024. Foto Vatican Media

“Faremos o mesmo que Jesus fez: lavar os pés. É um gesto que chama a atenção para a vocação do serviço”, sublinhou o Papa. Foto © Vatican Media

 

Foi num ambiente de forte comoção que o Papa celebrou esta quinta-feira, 28 de março, a missa da Ceia do Senhor na Prisão Feminina de Rebibbia, em Roma, onde – replicando o gesto de Jesus com os apóstolos – lavou os pés a 12 reclusas. Antes disso, assegurou-lhes, na curta homilia que fez de improviso: “Jesus perdoa tudo. Jesus perdoa sempre. Só pede que nós peçamos o perdão”.

Com um sorriso terno, Francisco recordou as palavras que certo dia ouviu de “uma velhinha, sábia, uma velhinha avó, do povo” e partilhou-as com as cerca de 200 pessoas presentes na celebração, na sua maioria mulheres que ali se encontram detidas: “Jesus jamais se cansa de perdoar: somos nós que nos cansamos de pedir perdão’. Por isso, acrescentou o Papa: “Peçamos hoje ao Senhor a graça de não nos cansarmos”.

Reconhecendo que “todos nós temos pequenos fracassos, grandes fracassos – cada um tem a sua própria história”, Francisco reiterou: “o Senhor espera sempre por nós, de braços abertos, e jamais se cansa de perdoar”.

“Agora faremos o mesmo que Jesus fez: lavar os pés. É um gesto que chama a atenção para a vocação do serviço. Peçamos ao Senhor que nos faça crescer, todos nós, na vocação do serviço”, acrescentou, para logo a seguir se dirigir ao grupo de reclusas, colocado à altura ideal de modo a permitir que lhes lavasse e beijasse os pés, sentado na sua cadeira de rodas.

Com idades entre os 40 e os 50 anos, e de distintas religiões e proveniências (Bulgária, Nigéria, Ucrânia, Rússia, Peru, Venezuela, Bósnia-Herzegovina e Itália), as 12 mulheres a quem o Papa lavou os pés partilhavam um sentimento visível de alegria e gratidão. Elas que “sentem um grande sentimento de culpa pelo crime que cometeram e um sentimento de culpa ainda maior pelo sofrimento que causaram lá fora, a uma mãe idosa ou, pior ainda, a uma criança pequena que não podem ver crescer, a quem não podem acompanhar à escola todos os dias, ao lado de quem não podem estar em momentos de dor ou doença”, como explicava ao Vatican News a irmã Maria Pia Iammarino, da Congregação das Irmãs Franciscanas dos Pobres, que há anos se dedica à pastoral carcerária e é voluntária na instituição onde decorreu a celebração.

Papa lava os pés a 12 reclusas da Prisão Feminina de Rebibbia, em Roma, a 28 de março de 2024. Foto Vatican Media (1)

Com idades entre os 40 e os 50 anos, e de distintas religiões e proveniências, as 12 mulheres a quem o Papa lavou os pés partilhavam o mesmo sentimento de alegria e gratidão. Foto © Vatican Media

 

De resto, perante a notícia de que Francisco viria celebrar com elas, ficaram incrédulas, questionando repetidamente se seria mesmo verdade. “Dizem que o Papa realmente deseja amar as pessoas que sofrem”, partilhou a religiosa, acrescentando: “Ainda me lembro da primeira vez em que entrei na penitenciária de Rebibbia e uma reclusa me disse que eu tinha sido bondosa por não ter tido medo delas”.

Desde o início do pontificado, Francisco tem escolhido celebrar a Missa da Ceia do Senhor, que dá início ao Tríduo Pascal, em locais das “periferias” ligadas ao sofrimento humano, como prisões, centros de refugiados ou instituições de saúde. Este ano, não foi exceção. Porque – como lembrou durante a celebração – com o gesto de lavar os pés aos apóstolos Jesus quis mostrar que “veio para servir”, e ensinar a todos esse “caminho do serviço”. E Francisco, uma vez mais, deu provas de que aprendeu a lição.

 

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