“Dois discursos antagónicos apresentam-se hoje ao mundo como fiéis a Cristo, no que é uma desfiguração grosseira do seu rosto. É uma ferida grave na credibilidade da Igreja, que passa assim por confusa e contraditória, algo que Cristo não é.” É desta forma que João Alves da Cunha, arquitecto e dinamizador de várias iniciativas sobre arte sacra e arquitectura religiosa, reflecte, num texto publicado no Ponto SJ, portal dos jesuítas portugueses, acerca de uma opinião clara e autorizada da hierarquia católica sobre o discurso público do partido Chega e do seu líder, André Ventura.
“É preciso pôr urgentemente um travão no extremismo que usa e ameaça a Igreja Católica em Portugal. E é preciso reconhecê-lo abertamente: meias palavras não são suficientes. Não se trata de apelar ao voto em nenhum partido ou candidato em particular, porque nunca nenhum reflete a plenitude do ensinamento católico em todas as questões. Trata-se tão só de dizer que há, neste momento, um deputado, que apesar de se deixar filmar e fotografar frequentemente dentro de igrejas, tem um discurso destrutivo e divisionista que não pode vir de Cristo. E a Igreja Católica deveria denunciá-lo explicitamente, sem medo, porque quer continuar a ser imagem de Jesus, não de Janus.”









