JMJ 2023, a terceira ponte de Lisboa

| 5 Out 2021

Este é o nosso desafio: encarar a JMJ como um verdadeiro dom que Deus nos oferece. Vamos fazer um buraco na terra e escondê-lo? Ou vamos colocá-lo a render, confiantes de que Deus tudo capacita? Há pressa em mostrar que a proposta de Jesus Cristo não é uma proposta desinspirada e cheia de teias. Há pressa em sentirmo-nos enviados a ser o meio, mas nunca o centro. Há pressa em mostrar que Deus não nos fala de uma nuvem, mas trilha connosco o caminho da vida. Há pressa em sermos realmente uma Igreja de portas abertas, de olhos levantados e de coração desdobrado.

Jovens festejam o anúncio de Lisboa como próximo anfitrião da JMJ. Foto @JMJ2023 Lisboa

 

“Ponte: Construção que liga dois pontos separados por um curso de água ou por uma depressão de terreno.”

(Dicionário Priberam da Língua Portuguesa)

 

A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2023, que irá realizar-se em Lisboa, é a possibilidade concreta da construção de uma ponte multidimensional, com início em Lisboa e com destino à humanidade. Uma ponte que culmine realmente no seu propósito de ligar margens e não meramente de uma bonita foto de postal, uma ponte que não exclua ninguém apenas por alguém estar numa “ilha”.

Uma ponte de passagem de “uma pastoral para os jovens, para uma pastoral com os jovens”, esta é a oportunidade viva de reformular e inovar as dinâmicas pastorais com a referência à atualidade e às crescentes necessidades de uma juventude cada vez mais informada e formada. Há pressa de dar um protagonismo trabalhador aos jovens, de colocá-los em todas as valências da Igreja. Só atribuindo uma utilidade ativa nesta missão da Igreja, é que surgem as condições certas para criar as raízes necessárias para enfrentar as tempestades e as secas da vida. Há pressa em parar este contínuo êxodo de jovens crismados, este agravamento do desinteresse juvenil por Jesus Cristo e pela Igreja. Há pressa em demonstrar e apostar na essencialidade do nosso papel na evangelização de outros jovens, de sermos construtores ou restauradores desta ponte entre Deus e tantos que buscam um sentido para a vida, de mostrar que a Igreja não dá as respostas mas facilita e conduz Àquele que tudo responde e tudo preenche.

Uma ponte para o continente africano, à possibilidade de realização de uma JMJ em África e à abertura a esta realidade que sempre abraça Cristo com o seu calor e alegria típica. Certamente que a proximidade entre Portugal e os países lusófonos africanos será uma sólida plataforma para que aquela que outrora foi o berço da humanidade seja terra de encontro e de reconversão de jovens de todo o mundo, num futuro próximo.

Uma ponte para as periferias da humanidade, para os refugiados, para os perseguidos, para os excluídos e para tantos outros que não têm nome, nem voz. A oportunidade de demonstrar que existe uma juventude que não vive desconectada de uma compaixão missionária, do amor ao próximo, mesmo que este esteja a quilómetros de distância. Não é justo viver as alegrias e as bênçãos de uma Igreja universal, se esquecemos ou limitamos depois todo o nosso horizonte às nossas “freguesias” e não vivemos as dores destes nossos irmãos como nossas.

Para tudo isto e tanto mais, temos de cada vez mais procurar e realizar a tradução operacional de tantas homilias e discursos para a realidade da vida, passar da tinta no papel para o pó nos pés, passar da possibilidade para a certeza.

Deus quer fazer história na vida de tantos e conta com cada um de nós para sermos estes “construtores de pontes”; não há dispensáveis, todos somos necessários. Que a JMJ Lisboa 2023 seja esta ponte essencial para que todos e mesmo todos se sintam visitados por Aquele que tudo dá.

 

João Costa trabalha na manutenção de espaços verdes, integra a equipa diocesana de pastoral de juventude do Algarve e é um dos responsáveis do Comité Organizador Diocesano (COD); considera-se apenas mais um jovem, como tantos outros, confiante que apenas com todos é que podemos fazer a diferença.

 

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