Editorial - do medo ao sonho

JMJ: dez notas ao cair do pano

| 6 Ago 2023

 

No fecho de uma intensa semana de surpresas, descobertas, gestos e, sobretudo, muitas emoções, há que dar tempo para assimilar tudo o que aconteceu. Mas pode-se já alinhavar algumas reflexões, notas conclusivas e, igualmente, interrogações, sob a forma de palavras-chave.

Um marco

A JMJ é um acontecimento histórico. Pelos jovens que reuniu, de tantas geografias, culturas e experiências de Igreja. Mas sobretudo porque foi afirmação da vontade de uma sociedade mais solidária e justa e uma vida com mais sentido também espiritual.

Os jovens

São uma categoria que alberga grande diversidade, mas compareceram e deram sinais que renovam a esperança no futuro. Mais do que “jovens do Papa”, foram incentivados a ser “coreógrafos da dança da [sua] vida” e a surfar a “onda do amor” (não platónico nem intimista).

Acolhimento e organização

O país e a Igreja mostraram ser capazes de colaborar entre si e de organizar uma iniciativa à escala global, que é complexa e arriscada, com qualidade, funcionalidade e hospitalidade. Foi uma “sementeira” da qual se podem esperar bons frutos.

Francisco

Proximidade, pedagogia e profetismo. Por muito que faça remoer os que gostariam de passar rapidamente ao papa seguinte, este Papa está aí para centrar a Igreja nos desafios do Evangelho, atenta ao sofrimento de cada pessoa, das sociedades e do planeta.

Igreja portuguesa

Mobilizou-se e foi eficiente e eficaz. Mas isso não basta. Será capaz de acolher esta experiência e a energia que a caraterizou e transformar em linhas de ação os desafios e apelos lançados pelo Papa?

Abusos na Igreja

O Papa veio fazer o que os bispos em geral não fizeram: ir pessoalmente ao encontro das vítimas, escutá-las e pedir perdão, sem ficar por múltiplos pedidos de perdão, fáceis e impessoais. Fê-lo logo, mal chegou, no primeiro dia. E mostrou que, afinal, o tema tinha cabimento na JMJ.

“Todos, todos, todos”

É talvez a mensagem papal de maior alcance prático para a Igreja universal e portuguesa: ter portas sempre abertas a todas e a todos sem discriminar ou condenar ninguém; e não basta ficar à espera que apareçam; é necessário ir ao encontro.

Do medo ao sonho

“Não tenham medo”, não fiquem parados ou presos aos ecrãs, sejam insubmissos; sejam “produtores de sonhos”; levantem-se, sejam peregrinos e testemunhas do amor – foram os apelos mais insistentes do Papa Francisco.

Emoções

Foi uma das palavras que mais se ouviram, quer dos participantes quer dos circunstantes à espera de oportunidade para saudar o Papa. Será também dos maiores riscos desta Jornada: ficar por uma grande emoção, que se desvanece na espuma dos dias.

E agora?

Apesar da vontade confessada por tantos de que a experiência da JMJ não acabe com o seu termo, a continuidade não virá por milagre, sem trabalho árduo, sem mudanças profundas na cultura da Igreja. E Francisco deixou meia dúzia de chaves potentes para abrir essas portas.

Manuel Pinto

 

Era uma vez na Alemanha

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No sábado 3 de fevereiro, no centro de Berlim, um estudante judeu foi atacado por outro estudante da sua universidade, que o reconheceu num bar, o seguiu na rua, e o agrediu violentamente – mesmo quando já estava caído no chão. A vítima teve de ser operada para evitar uma hemorragia cerebral, e está no hospital com fracturas em vários ossos do rosto. Chama-se Lahav Shapira. [Texto de Helena Araújo]

“As estatísticas oficiais subestimam a magnitude da pobreza e exclusão em Portugal”, denuncia Cáritas

Estudo apresentado dia 27

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Ao basear-se em inquéritos junto das famílias, as estatísticas oficiais em Portugal não captam as situações daqueles que não vivem em residências habituais, como as pessoas em situação de sem-abrigo, por exemplo. E é por isso que “subestimam a magnitude da pobreza e exclusão em Portugal”, denuncia a Cáritas Portuguesa na introdução ao seu mais recente estudo, que será apresentado na próxima terça-feira, 27 de fevereiro, na Universidade Católica Portuguesa do Porto.

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Breves

 

Sessões gratuitas

Sol sem Fronteiras vai às escolas para ensinar literacia financeira

Estão de regresso as sessões de literacia financeira para crianças e jovens, promovidas pela Sol sem Fronteiras, ONGD ligada aos Missionários Espiritanos, em parceria com o Oney Bank. Destinadas a turmas a partir do 3º ano até ao secundário, as sessões podem ser presencias (em escolas na região da grande Lisboa e Vale do Tejo) e em modo online no resto do país.

Ver teatro que “humaniza” e aprender a “salvar a natureza”? É no Seminário de Coimbra

Atividades abertas a todos

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Empenhado em ser “um lugar onde a Cultura e a Espiritualidade dialogam com a cidade”, o Seminário de Coimbra acolhe, na próxima segunda-feira, 26, a atividade “Humanizar através do teatro – A Importância da Compaixão” (que inclui a representação de uma peça, mas vai muito além disso). Na terça-feira, dia 27, as portas do Seminário voltam a abrir-se para receber o biólogo e premiado fotógrafo de natureza Manuel Malva, que dará uma palestra sobre “Salvar a natureza”. 

O princípio de Betânia

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Numa sexta-feira, seis dias antes da Páscoa, no regresso de Jericó para Jerusalém, Jesus faz uma pausa em Betânia, uma pequena aldeia a três quilómetros de Jerusalém que visitava regularmente, sendo amigo da família de Lázaro, Marta e Maria. É que no sábado a lei judaica não permitia viajar. Entretanto, um tal Simão denominado “o leproso” (talvez um dos que Jesus tinha curado) convida-o para um jantar no sábado à noite na sua casa, também em Betânia. [Texto de José Brissos-Lino]

Ortodoxos denunciam imoralidade do conluio de Cirilo com Putin e a sua guerra

Carta nos dois anos da guerra na Ucrânia

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No momento em que passam dois anos sobre a invasão russa e o início da guerra na Ucrânia, quatro académicos do Centro de Estudos Cristãos Ortodoxos da Universidade de Fordham, nos Estados Unidos da América, dirigiram esta semana uma contundente carta aberta aos líderes das igrejas cristãs mundiais, sobre o papel que as confissões religiosas têm tido no conflito.

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