JMJ em Lisboa com vista para o Tejo e a ponte Vasco da Gama

| 22 Jan 19

Mapa do local de realização das JMJ em Lisboa; foto reproduzida do Google Maps.

Será com vista para a Ponte Vasco da Gama e o rio Tejo, que centenas de milhar de jovens de todo o mundo celebrarão em Lisboa as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), presididas pelo Papa, no Verão de 2022. Tudo aponta para que o Parque do Tejo e do Trancão, na confluência dos concelhos de Lisboa e de Loures, por baixo da ponte construída em 1998, será o local central dos actos principais das (JMJ) em Lisboa. O anúncio formal do nome de Lisboa como cidade de acolhimento será feito pelo próprio Papa Francisco, no Panamá, no próximo domingo (talvez perto das 14h de Lisboa) quando estiver a terminar a missa de encerramento das 42ª JMJ e o Papa entregar a D. Manuel Clemente a “cruz das Jornadas”, o símbolo da sua realização e que presidirá a actividades de preparação da mesma. 

A decisão sobre o assunto foi confirmada ao 7MARGENS, esta manhã, por diversas fontes eclesiásticas. E vem atestar também a veracidade da notícia dada em Dezembro. Nessa altura, vários padres do patriarcado falavam de outras localizações possíveis – como as bases aéreas da Ota ou do Montijo. Mas acabou por prevalecer a ideia de que o fim-de-semana em que decorrem os actos principais das Jornadas – a vigília e a eucaristia presididas pelo Papa – deveriam decorrer em Lisboa.

O local de realização do acontecimento, que era uma das questões essenciais ainda pendentes, terá sido tomada tendo em conta não só a vontade do patriarcado de Lisboa em ter o acontecimento próximo da cidade, como também o “grande investimento” que o actual presidente da Câmara Municipal da capital, Fernando Medina, colocou no assunto – e que o faz deslocar-se ao Panamá com uma “grande comitiva”, como disse uma fonte estatal. Aliás, a confirmação de que tudo de essencial está resolvido é dada pelo facto de, no Panamá, estarem também, no próximo fim-de-semana, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente.

Um dos padres de Lisboa dizia mesmo que o Presidente da República, o patriarca, o presidente da Câmara e o vereador responsável pelo Urbanismo e Reabilitação Urbana já estiveram todos no local para avaliar as condições existentes. Zona de aluviões, o terreno apresenta alguns riscos, sobretudo se houvesse chuvas nos dias anteriores – facto menos provável, já que o acontecimento decorrerá no Verão; e também exigirá a construção ou instalação de pontes pedonais para que os participantes nas jornadas – sempre para cima de meio milhão, quando estas decorreram na Europa – possam atravessar o Trancão em segurança.

Além disso, a operação implica uma logística pesada: um altar para a celebração da missa e a vigília, sacristias para a paramentação de centenas de padres, salas de imprensa e de logística, largas centenas de casa de banho, camiões de transporte… Normalmente, de sábado para domingo os jovens dormem ao relento, no próprio campo onde decorrem esses actos principais, o que também implica espaço suficiente para estender centenas de milhares de sacos-cama e mochilas.

Provavelmente, o Colégio Pedro Arrupe – escola privada, mas liderada por pais e professores que se baseiam na espiritualidade jesuíta – poderá servir para assegurar várias destas necessidades. Mas, mesmo assim, e mesmo aproveitando todo o espaço disponível, a organização implica alguma complexidade.

Do lado do patriarcado e da Conferência Episcopal – já que uma iniciativa como esta implicará o envolvimento de todas as dioceses portuguesas (e até, talvez, de algumas espanholas mais próximas da fronteira) – também já terá sido escolhido o principal rosto para coordenar a vasta operação logística e organizativa: o padre Américo Aguiar, presidente da administração da Rádio Renascença, que coordenou a organização da visita do Papa Bento XVI ao Porto, além de ter trabalhado directamente no gabinete do então bispo do Porto, Manuel Clemente, antes de este ter vindo para o patriarcado. Além disso, uma das fontes assegurou ao 7MARGENS que Américo Aguiar já esteve no Panamá para observar a preparação das Jornadas que serão abertas pelo Papa nesta quinta-feira, 24.

 

Quem será o Papa que vem?

Decidida a realização e o local, falta que o Papa anuncie a data concreta. E só mais para a frente no tempo se perceberá se será ainda Francisco a presidir às jornadas de Lisboa ou se isso já caberá ao seu sucessor. O Papa argentino já fez saber, em diferentes ocasiões, que o seu será um pontificado curto, abrindo as portas à possibilidade de resignar, tal como fez Bento XVI, em 2013. É uma incógnita saber se Francisco vai resignar antes de 2022 ou não. Por isso, essa será ainda, durante algum tempo (ou mesmo durante mais três anos), a grande incógnita em relação a este acontecimento.

Durante os dias iniciais das Jornadas (quatro a cinco, para lá das semanas de preparação imediata), os jovens deverão ficar distribuídos por várias dioceses, onde se realizarão dezenas de actividades – debates, conferências, exposições, concertos, animação de rua… Depois, confluem para a capital, onde decorrem os actos principais sob a presidência do Papa.

Já desde 2011 que os responsáveis católicos portugueses tinham assumido querer trazer as JMJ para Portugal (e havia mesmo um pedido ao Vaticano, datado de 2009). E também já nessa altura era previsível que, pelo calendário da sua realização, isso nunca seria possível antes de 2021 ou 2022. O processo de decisão jogou a favor de Lisboa e a data acaba por ser a primeira possível.

 

 

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