JMJ Lisboa 2023 já tem um logótipo para que os jovens “não se acomodem”

| 17 Out 20

Uma cruz com o verde e vermelho da bandeira portuguesa, rasgada por um caminho em curva, onde se destaca uma língua de fogo e as contas de um rosário, e ladeados ainda por uma silhueta de rosto de mulher. A traço grosso, são estes os componentes do logótipo da Jornada Mundial da Juventude de Lisboa, marcada para 2023, depois do adiamento de um ano provocado pela pandemia. Um convite, diz a autora, a que os jovens “não se acomodem” e que “não deixem o destino do mundo nas mãos dos outros”.

O desenho vencedor foi anunciado nesta sexta-feira, às 11 da manhã em Lisboa, através de um vídeo colocado nas redes sociais do Comité Organizador Local (COL):

 

Ao mesmo tempo, foi lançado o site oficial da iniciativa. Nas redes sociais, a JMJ de Lisboa conta já com versões em 20 línguas e com dois milhões de seguidores só no Facebook, mas está também presente no Instagram, Twitter e YouTube.

O logótipo agora revelado pretende remeter para traços da cultura e religiosidade portuguesas, como sejam a devoção mariana e a ideia da peregrinação. Aliás, o lema da Jornada Mundial de Lisboa toma precisamente uma frase relativa à mãe de Jesus: “Maria levantou-se e partiu apressadamente”, retirada do evangelho de São Lucas (Lc 1, 39).

Beatriz Roque Antunes, 24 anos, a designer vencedora, estudou Design em Londres e na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e trabalha numa agência de comunicação. Estava ansiosa por saber o resultado, como confessa no vídeo acima, depois de se ter inspirado no tema da JMJ, que surge no episódio em que Maria de Nazaré decide visitar a sua prima, Isabel, mãe de João Batista, durante a gravidez de ambas.

Beatriz Roque Antunes, autora do logótipo: que os jovens “não deixem o destino do mundo nas mãos dos outros”. Foto JMJ Lisboa

 

“Esta decisão de Maria de ir visitar a sua prima Isabel é muito inspiradora, porque Maria não se acomoda. É esse o convite aos jovens: que não se acomodem, que se levantem, que façam acontecer, que construam e não deixem o destino do mundo nas mãos dos outros”, diz a designer.

A proposta vencedora, informa o COL, foi escolhida num concurso internacional que teve a participação de centenas de candidatos, originários de 30 países dos cinco continentes.

Os trabalhos recebidos foram inicialmente seleccionados por uma equipa de professores da Universidade Católica, que escolheu 21 propostas, avaliadas depois por profissionais de agências de comunicação, que escolheram três finalistas. O desenho vencedor foi escolhido pelo Dicastério para os Leigos, Família e Vida, do Vaticano.

Num comentário ao logótipo vencedor, o patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, diz que ele reflecte a ideia do Papa em focar a JMJ na “evangelização”. “É isso que se espera de Lisboa (…): uma esperança alegre que a evangelização transmite, com todos estes jovens que aqui vêm e depois partirão com uma experiência forte”, para levarem Cristo “a todos”.

 

“Muito bem desenhado” ou reflexo de uma JMJ muito “mariana”?

Nas páginas da JMJ nas redes sociais, muitos comentários saudaram o logótipo anunciado. “Está muito bem desenhado com um excelente alinhamento daquilo que era pretendido”, comenta António Tavares no Facebook, entre os muitos que dão os parabéns à autora ou que dizem que o desenho é “lindo”.

“O que me chamou logo a atenção e o que vejo no logótipo é um terço e uma imagem de uma mulher”, diz entretanto Luís Gonzaga ao 7MARGENS. Criador do site paroquias.org e autor de Religião Online (ed. Centro Atlântico), a trabalhar desde há anos como coach (facilitador ou formador) na área de inteligência espiritual, Luís Gonzaga centra as suas reservas no tema proposto para a JMJ, que o logótipo forçosamente teria de traduzir: “Tenho pena, porque o centro da mensagem deveria ser Jesus Cristo, mas percebo que em Portugal era difícil que não estivesse presente a devoção mariana”, diz. E nos símbolos das jornadas anteriores, o centro foi sempre a cruz e Cristo, acrescenta.

Os logótipos das Jornadas Mundiais da Juventude de 1985 (Roma) a 2016 (Cracóvia)…

… e o do Panamá, em 2019, o único, além do de Lisboa, que invoca a devoção mariana.

 

A oração do Rosário surgiu porque as pessoas não sabiam rezar a liturgia das horas, recorda Luís Gonzaga. “Os muçulmanos têm várias orações, nós, católicos, também. Continuar a insistir numa oração dedicada à mãe de Jesus, que disse ‘façam o que Ele vos disser’, parece-me redutor, porque dá a sensação que as pessoas são adultas e continuam a comer comida de bebés.”

 

“Parece que nunca aconteceu uma pandemia”

Outra crítica é para a mensagem que sai da apresentação. Inês Leitão, produtora e guionista, realizadora do documentário O Padre das Prisões, diz que “o logo é um clássico e não traz novidade”, mas centra as suas reservas na apresentação do filme promocional: “O filme é uma promoção de turismo de Lisboa, que mostra bem a amizade entre os jovens, mas não há nada ali que identifique o que vai acontecer como uma iniciativa de jovens católicos.” O pior, acrescenta, é que “esquece as realidades sociais e o momento histórico que o mundo vive: parece que nunca aconteceu uma pandemia, misturada com a crise gravíssima das alterações climáticas e realidades sociais gravemente díspares”. Foi uma pena “não se ter aproveitado este momento para ir mais longe”, lamenta.

O vídeo a que Inês Leitão se refere foi a forma de a Câmara Municipal de Lisboa se associar ao lançamento do logo e do site, com a divulgação de um filme promocional da capital e propondo uma mensagem de compromisso: “Levanta-te. Vem viver a alegria da partilha e do encontro. Aqui vais descobrir a missão de construir um mundo mais justo, mais fraterno e solidário. Levanta-te: Lisboa espera por ti”, diz o texto, que mostra imagens de alguns jovens a circular em zonas mais turísticas da cidade e refere a importância de Santo António, “um homem com o coração inquieto, sempre à procura de ir mais longe”.

A Jornada Mundial da Juventude é a maior concentração organizada pela Igreja Católica, que reúne normalmente entre 500 mil e um milhão de pessoas. A que teve mais participação foi a de Manila (Filipinas), com cerca de quatro milhões de pessoas, e a que teve menos foi a última, em 2019, no Panamá, quando foi anunciada a JMJ em Lisboa, que irá decorrer no Parque Tejo, como o 7MARGENS anunciou na altura em primeira mão.

As JMJ começaram por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude, e da sua presença em Lisboa, com a eucaristia que celebrou com os jovens, no parque Eduardo VII, em Lisboa, em 1982.

Depois de Roma, de novo em 1986, sucederam-se jornadas em Buenos Aires (1987), Santiago de Compostela (1989), Czestochowa (1991), Denver (1993), Manila (1995), Paris (1997), Roma (2000), Toronto (2002), Colónia (2005), Sidney (2008), Madrid (2011), Rio de Janeiro (2013), Cracóvia (2016) e Panamá (2019).

 

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