JMJ, um Oásis de juventude e esperança que importa descobrir

| 3 Jul 2023

Cartaz apela a inscrição de famílias de acolhimento na JMJ 2023

“Ser país ou cidade de acolhimento requer preparar as condições propícias para que quem nos visita se sinta verdadeiramente no seio de uma grande família.” Cartaz apela a inscrição de famílias de acolhimento na JMJ 2023

 

A menos de um mês para o início do maior encontro de jovens do mundo a convite do Papa atrevo-me a listar, pelos dedos de uma mão, cinco palavras que fundamentam a razão pela qual este encontro não pode deixar de nos interpelar.

A primeira é a palavra Oportunidade. Como cristã católica, olho para este acontecimento extraordinário como a possibilidade de criar um tempo favorável de renovação, crescimento, abertura e diálogo. Uma oportunidade para combater a indiferença, os ruídos estéreis e o vazio interior. Tal como quando recebemos um presente olhamos mais ao seu conteúdo do que à forma, assim devemos centrar-nos naquilo que realmente importa: o que a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) pode oferecer de tão significativo aos jovens que nelas participam? Um tempo oportuno para o aprofundamento interior e para a relação humana. Não será este o elixir que hoje tantos jovens procuram e necessitam?

A segunda palavra é Acolhimento. Se há palavra que define o encontro da juventude é a palavra acolhimento, expressa em hospitalidade, abertura, entrega e altruísmo. Ser país ou cidade de acolhimento requer preparar as condições propícias para que quem nos visita se sinta verdadeiramente no seio de uma grande família. O encontro da juventude com o Papa não se esgota num cerimonial ou num conjunto de iniciativas desgarradas, mas resulta de uma caminhada que se prepara e se concretiza num período temporal próprio de uma peregrinação. Rumo à JMJ somos peregrinos, caminhamos juntos, partilhando as alegrias e as dificuldades próprias desse trajeto, imagem da própria vida, ela própria feita de momentos de encontro e desencontro.

A terceira palavra é Sentido. Hoje, tal como ontem, a busca mais importante de cada ser humano é a busca de sentido, a descoberta de um propósito. Seja o sentido que nos faz encontrar uma direção, a razão que permite superar todos os absurdos ou a intensidade com que vivemos os acontecimentos mais significativos. A JMJ é, para milhares de jovens, uma verdadeira bússola para o sentido, nas mais diversas aceções da palavra. As experiências aí vivenciadas tornam-se maturadoras de sentido pleno de uma vida. Vemo-lo pela diversidade de testemunhos e relatos de quem viveu experiências profundamente transformadoras da vida. E ainda que fosse apenas um só jovem a encontrar o sentido da sua vida no contexto da JMJ, todo o compromisso na sua realização já teria valido a pena.

A quarta palavra é Interioridade. Num mundo que cada vez mais cultiva a aparência e a superficialidade, o risco de esvaziamento e de despersonalização não deixam espaço favorável à vivência de relações humanas autênticas ou à descoberta da verdadeira essência de si. Precisamos de cultivar a interioridade como forma de encontro da pessoa consigo mesma e de abertura ao infinito e à transcendência. Em espaços de silêncio e contemplação, oração e recolhimento, a descoberta da interioridade favorece a paz interior e a vivência de uma alegria que nunca se esgota.

A última palavra que aqui sublinho é a palavra Serviço. Este é não só o mote de todo o encontro (“Maria partiu apressadamente” para servir), mas o próprio convite que é lançado aos jovens antes, durante e após a JMJ. Se olharmos simbolicamente para esta palavra num contexto de uma refeição, o serviço é o que permite ser o suporte a toda a refeição, mas para cuja função não importa o seu preço, a sua ornamentação, ou a sua grandiosidade. A centralidade e a importância do encontro (refeição) será dar destaque aos convidados e ao bem-estar de todos à mesa. Assim também será o trabalho de todos quantos nesta grande festa da juventude irão assumir a função de serviço. Um serviço que será o de prestar apoio e suporte, proporcionar a todos os peregrinos o melhor e empenhar-se pelo bem comum.

Unindo todas estas palavras, através da sua inicial, prezo que a festa da Juventude JMJ seja um OÁSIS de juventude e esperança que todos tenham a alegria de descobrir.

 

Dina Pinto é professora de Educação Moral e Religiosa Católica no Agrupamento de Escolas Abade de Baçal (Bragança).

 

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