Joe Biden rompe com antecessores e reconhece assassinato em massa dos arménios como “genocídio”

| 24 Abr 21

Memorial do Genocídio. A cada 24 de Abril milhares de pessoas dirigem-se ali para recordar os arménios mortos pelo Império Otomano. Imagem do filme ArTmenians (Terra Líquida), de Ricardo Espírito Santo e Helena Araújo.

 

O Presidente dos Estados Unidos da América, Joe Biden, reconheceu que o massacre dos arménios pelo Império Otomano em 1915 foi um “genocídio”, noticiou o diário The Washington Post na tarde deste sábado, 24. A Casa Branca, refere o jornal, tinha sempre evitado usar a designação para não prejudicar as relações dos Estados Unidos da América com a Turquia.

Memorial do Genocídio. Imagem de ArTmenians (Terra Líquida), de Ricardo Espírito Santo e Helena Araújo.

 

“O povo americano homenageia todos os arménios que morreram no genocídio que começou faz hoje 106 anos”, disse Joe Biden num comunicado citado pelo Washington Post. O Presidente afirmou que a vontade de “renovar a resolução comum para evitar que atrocidades futuras ocorram em qualquer parte do mundo. E vamos buscar a cura e a reconciliação para todas as pessoas do mundo.”

 

 

Memorial do Genocídio. Imagem do filme ArTmenians (Terra Líquida), de Ricardo Espírito Santo e Helena Araújo.

Criança arménia a mostrar as mãos com feridas cicatrizadas, depois de ter sido crucificada durante o genocídio arménio

O diário lembra que os historiadores, que têm adoptado o termo “genocídio”, estimam em 1,5 milhões o número de arménios mortos durante uma campanha de marchas forçadas e de assassinatos em massa em consequência do receio otomano de que a população arménia cristã alinhasse com a Rússia durante a Primeira Guerra Mundial, apoiando o arqui-inimigo dos turcos otomanos.

O jornal acrescenta que a Turquia reconheceu que muitos arménios foram mortos em combates com as forças otomanas em 1915, mas contesta as contagens mais elevadas de vítimas. O país nega que os eventos tenham sido um genocídio, alegando que houve combates e mortes entre militares de ambos os lados e considerando que aquelas alegações são uma calúnia contra o fundador da nação, Mustafa Kemal Ataturk.

A declaração de Joe Biden surgiu no mesmo dia em que, como tradicionalmente, em Erevan, a capital da Arménia, milhares de arménios, com velas e flores nas mãos, evocaram o aniversário do início dos massacres. Muitos deles, dirigem-se ao Memorial do Genocídio, em Erevan, a capital, onde depositam flores e acendem velas.

Um dos arménios mais famosos, o cantor depois naturalizado francês Charles Aznavour, que lutou para que fosse reconhecida a existência de um genocídio contra o seu povo, evoca esta tragédia na canção Ils sont tombés, gravada na noite de 23 para 24 de Abril de 1975, num estúdio londrino. A seguir pode ver-se uma versão gravada dentro do próprio Memorial do Genocídio:

 

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