O Grupo Vita tem já quatro sessões de formação em linha marcadas para trabalhar com os programas de prevenção de abusos sexuais sobre crianças Girassol e Lighthouse Game (Jogo do farol, mas a designação é em inglês). Ao mesmo tempo, está a ser preparada uma versão de vídeos que incorporam ambos os programas em Língua Gestual Portuguesa (LGP), com a colaboração da Associação Portuguesa de Surdos.
A informação foi dada pela coordenadora do Grupo Vita, a psicóloga Rute Agulhas, na sessão pública de apresentação dos programas, que decorreu no Colégio de São José, das irmãs dominicanas, em Lisboa, no final do dia de terça-feira, 30 de Setembro. O conteúdo de ambos foi antecipado há dois dias pelo 7MARGENS.
As sessões de formação decorrerão nos próximos dias 7 (18h) e 30 (9h) deste mês de Outubro, para o programa Girassol (destinado a crianças dos sete aos nove anos) e nos dias 17 (9h) e 22 (18h), para o Lighthouse (crianças dos dez aos doze).
Os programas, que estão concebidos para serem utilizados sobretudo em meios católicos (catequese, aulas de Educação Moral, escuteiros…) podem vir a ser adaptados para outros meios, se para tal houver solicitações. “Eles foram pensados para o contexto da Igreja Católica”, uma vez que incluem pequenas orações e passagens bíblicas, esclareceu Rute Agulhas. “O ideal era a sociedade civil seguir este exemplo e haver programas semelhantes para todas as crianças”, acrescentou a coordenadora do Vita.
Quanto à integração da LGP, Rute Agulhas afirmou que ela pretende ser mais um elemento a par de outros incorporados nos próprios materiais: no jogo para os mais velhos, uma das personagens, Simão, é uma criança surda, enquanto “Teresa” é uma criança que precisa de alguma ajuda na locomoção, já que se movimenta em cadeira de rodas. O objectivo é usar uma linguagem e metodologias o mais “inclusivas” possíveis, justificou Rute Agulhas.
“Um longo caminho a percorrer”

Crianças experimentam os dois novos programas de prevenção de violência sexual do Grupo Vita. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS
Sobre o papel do Estado, aliás, Rute Agulhas foi muito crítica: a Convenção de Lanzarote, aprovada em 2007 pelo Conselho da Europa e que Portugal ratificou em 2012, diz que os estados devem assegurar informação a todas as crianças, incluindo no domínio da prevenção dos abusos. Diz o texto do artigo 6º: “Cada Parte [Estado] toma as necessárias medidas legislativas ou outras para que as crianças recebam, ao longo da escolaridade básica e secundária, informação sobre os riscos de exploração sexual e abusos sexuais, bem como sobre os meios de que dispõem para se proteger, adaptada ao seu estádio de desenvolvimento. Esta informação, dispensada, se necessário, com a colaboração dos progenitores, insere-se num tipo de informação mais generalizada sobre a sexualidade e centra, particularmente, a atenção nas situações de risco, nomeadamente as resultantes da utilização das novas tecnologias de informação e de comunicação.”
Isto está por fazer em Portugal e “temos um longo caminho a percorrer”, acrescentou a coordenadora do Vita. De qualquer modo, dentro da Igreja Católica Rute Agulhas espera que ambos os programas tenham adesão da parte de muitas escolas e outras entidades, já que o Grupo Vita conta, nesta matéria, com parceiros como o Secretariado Nacional da Educação Cristã, a Associação Portuguesas de Escolas Católicas, as dioceses e a Confederação dos Institutos Religiosos Portugueses. A todas as entidades que a eles adiram, depois da formação, eles serão fornecidos a custo zero.
Não sendo uma “vacina”, os programas possibilitam, concluía Rute Agulhas na sessão, que as crianças conheçam os três R: reconhecer (gestos, toques indevidos), reagir (sabendo dizendo não) e revelar a um adulto de confiança situações menos confortáveis.










