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Grupo Vita, abusos sexuais, crianças, Girassol, LightHouse Game
Sessão de apresentação dos programas Girassol e Lighthouse Game. Foto © Agência Ecclesia.

Formação vai avançar

Jogos de prevenção de abusos em crianças lançados pelo Vita incluirão Língua Gestual

| 01/10/2025

O Grupo Vita tem já quatro sessões de formação em linha marcadas para trabalhar com os programas de prevenção de abusos sexuais sobre crianças Girassol e Lighthouse Game (Jogo do farol, mas a designação é em inglês). Ao mesmo tempo, está a ser preparada uma versão de vídeos que incorporam ambos os programas em Língua Gestual Portuguesa (LGP), com a colaboração da Associação Portuguesa de Surdos.

A informação foi dada pela coordenadora do Grupo Vita, a psicóloga Rute Agulhas, na sessão pública de apresentação dos programas, que decorreu no Colégio de São José, das irmãs dominicanas, em Lisboa, no final do dia de terça-feira, 30 de Setembro. O conteúdo de ambos foi antecipado há dois dias pelo 7MARGENS.

As sessões de formação decorrerão nos próximos dias 7 (18h) e 30 (9h) deste mês de Outubro, para o programa Girassol (destinado a crianças dos sete aos nove anos) e nos dias 17 (9h) e 22 (18h), para o Lighthouse (crianças dos dez aos doze).

Os programas, que estão concebidos para serem utilizados sobretudo em meios católicos (catequese, aulas de Educação Moral, escuteiros…) podem vir a ser adaptados para outros meios, se para tal houver solicitações. “Eles foram pensados para o contexto da Igreja Católica”, uma vez que incluem pequenas orações e passagens bíblicas, esclareceu Rute Agulhas. “O ideal era a sociedade civil seguir este exemplo e haver programas semelhantes para todas as crianças”, acrescentou a coordenadora do Vita.

Quanto à integração da LGP, Rute Agulhas afirmou que ela pretende ser mais um elemento a par de outros incorporados nos próprios materiais: no jogo para os mais velhos, uma das personagens, Simão, é uma criança surda, enquanto “Teresa” é uma criança que precisa de alguma ajuda na locomoção, já que se movimenta em cadeira de rodas. O objectivo é usar uma linguagem e metodologias o mais “inclusivas” possíveis, justificou Rute Agulhas.

 

“Um longo caminho a percorrer”

Crianças experimentam os dois novos programas de prevenção de violência sexual do Grupo Vita. Foto Clara Raimundo

Crianças experimentam os dois novos programas de prevenção de violência sexual do Grupo Vita. Foto © Clara Raimundo/7MARGENS

Sobre o papel do Estado, aliás, Rute Agulhas foi muito crítica: a Convenção de Lanzarote, aprovada em 2007 pelo Conselho da Europa e que Portugal ratificou em 2012, diz que os estados devem assegurar informação a todas as crianças, incluindo no domínio da prevenção dos abusos. Diz o texto do artigo 6º: “Cada Parte [Estado] toma as necessárias medidas legislativas ou outras para que as crianças recebam, ao longo da escolaridade básica e secundária, informação sobre os riscos de exploração sexual e abusos sexuais, bem como sobre os meios de que dispõem para se proteger, adaptada ao seu estádio de desenvolvimento. Esta informação, dispensada, se necessário, com a colaboração dos progenitores, insere-se num tipo de informação mais generalizada sobre a sexualidade e centra, particularmente, a atenção nas situações de risco, nomeadamente as resultantes da utilização das novas tecnologias de informação e de comunicação.”

Isto está por fazer em Portugal e “temos um longo caminho a percorrer”, acrescentou a coordenadora do Vita. De qualquer modo, dentro da Igreja Católica Rute Agulhas espera que ambos os programas tenham adesão da parte de muitas escolas e outras entidades, já que o Grupo Vita conta, nesta matéria, com parceiros como o Secretariado Nacional da Educação Cristã, a Associação Portuguesas de Escolas Católicas, as dioceses e a Confederação dos Institutos Religiosos Portugueses. A todas as entidades que a eles adiram, depois da formação, eles serão fornecidos a custo zero.

Não sendo uma “vacina”, os programas possibilitam, concluía Rute Agulhas na sessão, que as crianças conheçam os três R: reconhecer (gestos, toques indevidos), reagir (sabendo dizendo não) e revelar a um adulto de confiança situações menos confortáveis.

 

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