3 de junho, na Católica Braga

Jornada de Filosofia da Religião vai refletir sobre “o imperativo da reconciliação e da reparação”

| 30 Mai 2023

Josep Maria Esquirol Foto © Centre de Cultura Contemporània de Barcelona

O evento levará ao Campus Camões renomados conferencistas, com destaque para o filósofo e ensaísta catalão Josep Maria Esquirol. Foto © Centre de Cultura Contemporània de Barcelona.

 

Em contexto de guerra na Europa e de crise dos abusos na Igreja, qual a resposta da religião? “Reparação e reconciliação” podem ser a chave e servirão de mote à IV Jornada de Filosofia da Religião, agendada para o próximo sábado, 3 de junho, no Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa (UCP). O evento levará ao Campus Camões renomados conferencistas, com destaque para o filósofo e ensaísta catalão Josep Maria Esquirol.

“Parece-nos que se trata de um tema fundamental para os tempos que correm”, explica ao 7MARGENS o padre Andreas Lind, um dos organizadores e conferencista desta Jornada. “Por um lado, temos o contexto de guerra, que voltou a ameaçar o continente europeu. Por outro lado, cremos viver um tempo de crescente polarização política com consequentes crispações e fragmentação ideológicas”, refere, acrescentando: “Para além de tudo isso, a crise de abusos que a Igreja enfrenta leva-nos a querer trazer para o debate este tema da reconciliação e da reparação”.

Na perspetiva deste jesuíta, é bom não esquecer que, “ao longo da história, a religião tem sido uma fonte de conflitos violentos” e que “as crenças religiosas podem ser manipuladas para justificar violência e agressão”, mas ao mesmo tempo “é importante destacar que a religião também pode ser uma força mediadora para a promoção da paz”.

Para o padre Andreas Lind, que falará sobre “O Magistério do Papa Francisco em Tempos de Guerra”, é “justo mencionar uma série de líderes religiosos que têm desempenhado papéis significativos na reconciliação pós-conflito e na promoção de diálogo inter-religioso”, e que “são exemplos de uma fé que pode fornecer princípios éticos e um senso de propósito compartilhado que motiva indivíduos e grupos a trabalharem pela paz, superando diferenças religiosas e buscando a compreensão mútua.”

 

“Convém cuidar e amparar em vez de dominar”

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“Creio que todos os interessados no tema podem tirar frutos com a Jornada, cujas conferências serão acessíveis a um público alargado”, afirma o padre Andreas Lind.

Destacando a abordagem interdisciplinar que os organizadores procuraram dar a esta IV Jornada de Filosofia da Religião, o padre Andreas Lind não esconde o entusiasmo pela possibilidade de contar, entre os conferencistas, com o “renomado Josep Maria Esquirol, líder do grupo Aporia”, cuja “filosofia da proximidade” poderá ser uma ajuda “sobretudo perante os contextos das crises sociais e económicas que, hoje, atravessamos”.

“A sua tese é simples: não é preciso superar a fragilidade da nossa condição para nos realizarmos enquanto pessoas. Muito pelo contrário: a fragilidade é condição de possibilidade da comunhão com os outros, pois possibilita uma identidade que implica a alteridade”, assinala. “Por isso, convém cuidar e amparar em vez de dominarporque só assim nos podemos aproximar da alteridade, acolhê-la e ser por ela acolhidos. Será certamente interessante escutar a conferência de Esquirol neste contexto da reconciliação que tanto ansiamos”, conclui.

Bruno Nobre, Fabrizia Raguso, Susana Vilas Boas, João Duque e João Carlos Onofre Pinto serão os restantes oradores da IV edição da Jornada de Filosofia da Religião, que irá decorrer no auditório Isidro Alves, entre as 9h30 e as 18h30

As inscrições podem ser feitas na página online da iniciativa e têm o valor de 15 euros (se realizadas até dia 2) ou de 20 euros (se feitas no próprio dia), com almoço incluído. No mesmo local, pode ser consultado o programa completo da iniciativa.

Dirigida sobretudo a estudantes, professores e investigadores nas áreas da filosofia e da teologia, trata-se de uma formação acreditada de curta duração para professores do ensino básico e secundário. “Mas creio que todos os interessados no tema podem tirar frutos com a Jornada, cujas conferências serão acessíveis a um público alargado”, afirma o padre Andreas Lind.

 

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