Poderia dividir este meu comentário em dois aspectos: o primeiro, o antes: a notícia, a informação, a preparação, a concretização; o segundo, o depois: as contas acordam o mutismo e lembram o acontecimento. Salientarei o segundo aspecto.
Acabou a JMJ? Segundo se constou foi sagrado um novo Bispo, novo, para a JMJ. Ouviu-se falar da JMJ, apesar de o seu prazo ser prolongado, aquando da questão dos altares, por causa do deus mamona. Nos dois anos de preparação, salientou-se a passagem dos símbolos.
Após o dia seis de Agosto de 2023, ouvi, muitas vezes, falar da JMJ, por causa do deus mamona- “apresentaremos contas até ao último cêntimo”; a Jornada «vai dar generosamente lucro», afirmou D. Américo Aguiar.
De resto…a par de uma ou outra referência, de um ou outro apelo, de um ou outro encontro, de peregrinações…, tudo pontual, local, ocasional; nunca ouvi nada do que se faz nas Paróquias, para acelerar, ao menos manter o ritmo da caminhada, para mais achas na fogueira do encontro, do entusiasmo, e para os que são cristãos, católicos, da Fé.
Apresentadas as contas, parece que acabou a JMJ. Mas, as “contas” pastorais passados dois anos?
Vejamos. Já não digo na sua Paróquia, mas no seu Bairro, na sua Escola, no seu meio, nos seus contactos; notou alterações na vida, nas actividades, na presença do meio juvenil? E, sobretudo na sua Paróquia, que alterações houve, nas actividades paroquiais, na animação e participação litúrgica, sociais, lúdicas?…. Apareceu algum plano pastoral para os jovens? Qual o da sua paróquia?
Onde está o incêndio do encontro mundial dos jovens, quê das labaredas do Papa Francisco? Localmente, temos pastores ou… bombeiros?
De repente, apareceu a notícia do Jubileu do Patriarcado de Lisboa, a caminho de Roma; mas nunca ouvi, meses antes, actividades de preparação nas Paróquias.
É a minha leitura, a minha opinião; é a minha análise, depois de ouvir, depois de olhar e de ver, reparar, citando Saramago, a partir do curto “horizonte da minha janela”, na expressão do Papa Francisco.

“Os jovens, pelo menos os católicos, já o conhecem? Qual a mensagem que lhes, nos dá, relativamente ao uso da informática? Como o veem, que estímulos recebem?” Gravura: pormenor da capa livro “Carlo Acutis”.
Ouvi, ultimamente, falar no jovem Carlo Acutis, já Beato e, em sete de Setembro, canonizado. Que “aproveitamento” se tem feito? Os jovens, pelo menos os católicos, já o conhecem? Qual a mensagem que lhes, nos dá, relativamente ao uso da informática? Como o veem, que estímulos recebem? Tem-se falado como um problema premente, quanto ao seu uso…. É motivo de conversa entre eles? E se ele fosse um artista? Destes e de outros, como futebolistas, cantores… a Emissora Católica Portuguesa (RR) é eximia e abrangente em falar, pormenorizadamente, deste ou daquele cantor, artista, futebolista…; de Carlo Acutis, ainda não ouvi.
E os envolvidos na JMJ, os nossos cardeais, bispos, párocos…, também não. Soube da apresentação da relíquia, em Almada, Cristo Rei, pelo Cardeal da JMJ., D. Américo Aguiar, de que fiz o meu comentário, mas não soube de mais nada. Quem se deu à curiosidade de ler algum dos livros sobre a Vida dele? Eu já comprei e li.
Em sete de Setembro, aquando da sua Canonização, a imprensa, a Rádio e TVs, deram a notícia, mas também desejava que a Igreja, desde já, desse a informação com a respectiva formação.
E na preparação e realização da ida dos jovens a Roma na celebração do Ano Jubilar, alguém ouviu uma referência?
É notícia escrita e imagem permanentes durante a sua realização, mais de palmas, de vivas e acho bem, mas também lembro o Hélder da Câmara: “…Mas é importante, Mariama, que a Igreja de teu Filho não fique em palavra, não fique em aplauso… É preciso acertar o passo, de hoje, sem olhar ao que disserem…”
Voltando à JMJ, cito o documento da prestação de contas. Se “este resultado é fruto, também, do grande esforço de contenção de gastos que norteou toda a organização da JMJ e do extraordinário trabalho e empenho dos voluntários ao longo de quatro anos”, o resultado de que falo, se falo verdade, será também resultado do pouco esforço, e da contenção das iniciativas, dos gastos pastorais que tem norteado o após JMJ.?
Se “o sucesso da JMJ, Lisboa 2023 e o retorno obtido é o resultado do empenho de Portugal e de todos os portugueses, bem como dos peregrinos que participaram, ultrapassando as expectativas da organização”, do pós sucesso de que falo, não podemos dizer o mesmo dos portugueses, dos peregrinos, não ultrapassando, nem satisfazendo minimamente, segundo a minha perspectiva porque, que me conste, não houve organização nem preocupação, não foi solicitado apoio privado, individual, público ou paroquial, em suma, comunitário. E, se antes, o retorno obtido foi o “resultado do empenho de Portugal e de todos os portugueses”, no após JMJ, eu não vi – ainda não vi – porque faltou o empenho da Igreja diocesana e, evidentemente, dos diocesanos, dos paroquianos…
Se “para o sucesso foi também importante o apoio do público e do sector privado, indispensáveis para ajudar a construir este grande encontro de jovens de todo o mundo com o Papa”, a seguir ao dia seis, talvez tivesse faltado o apoio das dioceses, apoio público, do sector privado, os paroquianos que, em meu entender, não tem havido, que, sendo indispensáveis, têm falhado para o encontro dos jovens de Portugal, de cada diocese, de cada paróquia sobretudo com Jesus Cristo, através do seu Bispo, do seu Pároco, continuando a mostrar o entusiasmo do encontro que tiveram com o Papa.
Serão de simples lembrança ou de mágoa, de alvitre… as palavras do Papa Francisco aos bispos portugueses que lhe foram agradecer: “não deixeis que nada se perca da JMJ que nasceu, cresceu, floriu e frutificou nas vossas mãos a sua organização”.
Serafim Falcão é professor aposentado do Ensino Secundário e autor de A Alegria do Evangelho na nossa Paróquia, baseado, motivado e inspirado na exortação apostólica do Papa Francisco. Contacto: s.m.falcao@gmail.com










