Jornadas de formação e actualização sobre o perfil do Sacerdote

| 10 Abr 2024

Urge modificar os métodos de trabalho
José Alves, Arcebispo Emérito de Évora

Bispos do Algarve, Beja, Évora e Setúbal.

Foto: Bispos do Algarve, Beja, Évora e Setúbal. © Site da Diocese de Setúbal

Tomei conhecimento de que algumas dioceses se salientaram pela reunião dos seus padres. O mesmo deviam ter feito todas as dioceses, antes da JMJ e do Sínodo, com temas, objectivos, estratégias, intervenientes e metodologias diferentes… como tais eventos exigiam.

Algumas dioceses reuniram o seu clero em retiro; outras adoptaram a modalidade de Encontro. Refiro-me apenas a estas últimas pela sua originalidade, pelos temas e pelos intervenientes, que não se restringiram ao clero. Além dos intervenientes e dos temas, há que considerar igualmente os objectivos, as metodologias e a actualidade das temáticas abordadas.

Reporto-me, nesta breve súmula, às Jornadas de atualização do clero das Dioceses do sul (Algarve, Beja, Évora e Setúbal), que tiveram lugar de 15 a 19 de janeiro em Albufeira.

Denominado “Jornadas de formação, de actualização sobre o perfil do Sacerdote”, foi caracterizado como “uma profecia diante da cultura individualista” que se vive na sociedade” por um antigo colaborador do Papa Francisco, como Secretário do Dicastério para a Vida consagrada, convidado para este Encontro.

Deste Encontro, permito-me salientar:

a) o tema “Presbíteros, ‘à imagem e semelhança’ do Bom Pastor”;
b) o diversificado leque de participantes, que incluiu bispos, padres, diáconos e alguns seminaristas em final de formação, para além do Núncio Apostólico (Embaixador da Santa Sé) em Portugal, D. Ivo Scapolo;
c) o perfil dos intervenientes activos, entre os quais se contaram  o Arcebispo coadjutor de Mérida-Badajoz (Espanha), D. José Rodriguez Carballo, da Ordem dos Frades Menores,  reitores de seminários; membros dos cleros português e espanhol, leigos e professores do ISTE, da Faculdade de Teologia de Santo Isidro de Sevilha, e finalmente, o Arcebispo Emérito de Évora.

Destaco ainda os subtemas abordados:

a) “Os conselhos evangélicos’ da ‘Pobreza, castidade e obediência na vida do pastor”;
b) “A espiritualidade mariana na vida do Presbítero”;
c) “O panorama das Vocações Sacerdotais na Igreja Católica. Mudanças e Desafios”;
d) “Perfil do Presbítero para o do sul de Portugal e a ‘Importância da Liturgia na vida do pastor”;
e) “Sagrada Escritura: identidade e missão do pastor”;
f) “A formação teológica/intelectual do pastor”;
g) “A vida pastoral: pastor ou gestor? servidor ou senhor?”

 

Jornadas de atualização do clero das Dioceses do Sul

Jornadas de atualização do clero das Dioceses do Sul. Foto © Samuel Mendonça / Folha do Domingo.

 

Não posso deixar de salientar a avaliação que o próprio Bispo de Setúbal, cardeal D. Américo Aguiar, fez ao trabalho já feito, a anteceder o Encontro. Se o meu objectivo é louvar e apresentar como exemplo este trabalho pastoral, não posso deixar de salientar o trabalho já feito, nas palavras do seu bispo: a redistribuição da diocese «por regiões pastorais», incluindo, e isto é importante, os «leigos envolvidos»; e conclui que está «a dar frutos», embora “ainda em fase experimental”.

Contrariamente ao que se costuma dizer, aquando das tomadas de posse – “não trago planos”, “não tenho nada na manga, mas venho cheio de sonhos”, “de  boa vontade, disponível a todos, a todos peço colaboração”, “vamo-nos conhecendo, caminhando juntos, ajudando os que mais precisam…” – este  senhor Bispo planificou no caminho da Sinodalidade porque, como ele próprio disse, “- é esse o caminho que temos de seguir, desvanecendo hesitações quer próprias quer do clero, e mesmo e apesar da parte do clero mais novo.

Assim, dividiu cada região por centros evangelizadores, incluindo os leigos para que, “conhecendo-se melhor, se possam ajudar a suprimir a falha de algum serviço nas paróquias ou quando falta o pároco, alargando ainda mais um serviço, sobretudo da celebração dominical, que queremos que não falte nenhuma paróquia”.

Como eu louvo esta atitude pastoral, conciliar e sinodal, “quando falta o Pároco”. Todas as Dioceses deviam ter este projecto. Sugeria, por isso, informar e formar, na linha dos Actos dos Apóstolos (6:3-4) “… escolhei de entre vós homens” (ou mulheres na adaptação hodierna), ” da vossa confiança…”. Isto iria evitar que, ao domingo, os padres andem num cross – a expressão é de um padre –  a celebrar missas. Esse(as) escolhidos(as) animariam a comunidade local na celebração da Palavra com a Eucaristia, com também está na linha do enunciado pelo Senhor Bispo: “E isto está já a dar frutos, continua, ou seja, os leigos envolvidos neste movimento estão a verificar que afinal podem ser muito mais participativos na sua colaboração, na sua intervenção”.

Reconhecendo as dificuldades, principalmente a da mudança, da ruptura com o “sempre- se fez, foi assim”, “no meu tempo”, “não me ensinaram assim…”,” tal padre, os outros padres não andam com estas coisas”…, afirma que  “não tem sido fácil mudar um bocadinho a maneira de ser, de estar, de fazer, de participar” na própria vida da paróquia porque muitas pessoas “estão habituadas a uma atitude mais passiva”, e têm “dificuldade em dar opinião”.

Esta expressões fazem-me lembrar as palavras do Papa Francisco: « … o fechar-se, a resistência ao Espírito Santo – aquela frase que fecha sempre, que nos detém: “sempre se fez assim”. Isto mata. Isto mata a liberdade, mata a alegria, mata a fidelidade ao Espírito Santo que age sempre antes de tudo, fazendo a Igreja progredir.» (08 de Maio 2017, homilias de Santa Marta).  Por experiência, são esta e as outras expressões a maior dificuldade para a mudança conciliar; mas entendo que informando e formando, muda-se alegre, entusiasticamente e em colaboração a mentalidade para uma acção pastoral activa.

À citação do Santo Padre junto outras do Arcebispo Coadjutor de Mérida-Badajoz (Espanha), um dos oradores da jornada de formação, onde abordou, perante um auditório de 77 pessoas – bispos, padres, diáconos, leigos e alguns seminaristas – temática relativa à preparação dos leigos para que assumam a sua responsabilidade de membros activos da Igreja.

Neste sentido, D. José Carballo fez um fortíssimo apelo à participação de todos os leigos, num espírito de comunhão em sintonia com o caminho traçado para o Sínodo, de que destacarei duas passagens:

“Quero convidar os leigos para que ocupem, que façam força, se necessário, para que ocupem o seu lugar na Igreja e quero convidar os padres a que deixem lugar aos leigos na Igreja. O padre não tem porque fazer tudo e não pode fazer tudo. Com o tempo poderemos menos, porque seremos menos e seremos mais idosos.”

“Somos Igreja, somos comunidade, a oração mais bonita que temos no cristianismo é o Pai Nosso e está tudo no plural. É uma denúncia contra o individualismo, nós temos que apostar por uma Igreja sinodal, na qual os bispos, os padres, os religiosos, religiosas, e os leigos nos sintamos todos no mesmo barco.”

Concluo com o senhor Bispo D. Américo Aguiar, realçando que as pessoas quando “ganham um pouco mais de consciência” verificam que é esse o caminho e que “mesmo as dificuldades, entre o clero e entre as comunidades, são normais e são naturais”. Perante este Encontro, estas palavras deste Senhor Bispo, qual das Dioceses, dos Bispos, qual Clero, que leigos estarão mais no caminho do Vaticano II, da Exortação Apostólica A Alegria do Evangelho (Evangelii Gaudium), do Papa Francisco, da Sinodalidade?

De uma coisa estou eu certo: de Retiro, não ouviremos falar mais, mas do Encontro… ouviremos e sobretudo as paróquias irão sentir a diferença. É que devemos usar os meios necessários para avançar no caminho de uma conversão pastoral e missionária que não pode deixar as coisas como estão. «Neste momento, não nos serve uma “simples administração”-» (A Alegria do Evangelho, 25, Ed. Paulinas, 2013). Por isso, “urge modificar os métodos de trabalho” (Arcebispo Emérito de Évora).

Como ensina o Santo Padre, é «necessária uma evangelização que ilumine os novos métodos de se relacionar com Deus, com os outros e com o ambiente, e que suscite os valores fundamentais» (A Alegria do Evangelho, 74)

Serafim Falcão é professor aposentado do Ensino Secundário e autor de A Alegria do Evangelho na nossa Paróquia, baseado, motivado e inspirado na exortação apostólica do Papa Francisco. Contacto: s.m.falcao@gmail.com

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