
“Os jornalistas sabem estar à espera, vão à frente, perguntam todos ao mesmo tempo, por vezes pertinentes e impertinentes, até irreverentes, contundentes, fazem perguntas ardilosas, sabem ir ao cerne das questões, cumprem a sua profissão… porque não no campo eclesiástico?” Foto © Freepik
O Presidente da República, o primeiro-ministro, os candidatos, presidentes de clubes, etc, etc,… antes, depois, logo a seguir ao discurso, à entrevista, e depois a seguir a estes, e durante toda a semana, debates e mais debates em todas as TVs e rádios que se estendem à imprensa. E é bom, mas não tanto… E eu até gosto, mas não tanto… tiro dúvidas, fico ou não esclarecido, em algumas questões sinto-me eu a apresentá-las…
Na Igreja, o Papa fala, escreve exortações, fala aos e dos jovens, agora há três anos que insiste no Sínodo, são nomeados novos bispos e cardeais portugueses, estes tomam posse, mais ou menos o programa é o mesmo – “não trago programa, ainda não conheço, mas vamos caminhar juntos, venho cheio de sonhos, estou disponível a todos, sobretudo aos mais necessitados, esquecidos, abandonados, peço a colaboração de todos…” . Em resumo, projectos sociológicos que não são essencialmente pastorais, campo principal dos que, exclusivamente, para tal se prepararam e se entregaram – pastores, não sociólogos ou assistentes sociais. Fazem-se leves e passageiras entrevistas, mas não sobre o campo pastoral, e esquece-se a personagem e o seu múnus.
E ficamos por aqui, porque não há debates, pedidos de esclarecimento, sobre o que pensa e pretende fazer, que colaboradores precisa, se alguém quisesse colaborar, segundo os seus carismas, como diz S. Paulo, em que parte do seu programa pastoral se poderia enquadrar….
Qual o programa pastoral, o que pensa sobre o clero, as homilias, a dinâmica das paróquias, o laicado, a concretização do que vem do Papa, da Conferência Episcopal, do senhor bispo e, presentemente, sobre o ano sinodal. Não me lembra de ouvir perguntas sobre este assunto, sobre o qual, o que se sabe sobre isso. Alguém sabe o que se faz na sua paróquia?
A Igreja não tem TV – já teve –, estamos num estado laico? Não tem especialistas? Onde estão, o que fazem os teólogos que se doutoraram em Roma, estudaram latim, grego, hebraico, aramaico… E quê da Rádio Renascença, Emissora Católica Portuguesa, ” a par com Mundo, ímpar na música? E na actualidade, “música para sentir, informação para decidir”…
Não entendo, não percebo, incomoda-me. Quem me explica esta diferença de tratamento quer da parte da Igreja, quer, sobretudo, da parte dos fiéis e, ainda mais sobretudo, da parte dos jornalistas?
1. Da Igreja. Prefere ficar caladinha, sossegada, que ninguém a incomode, passar despercebida?… Cristo não teve tais atitudes. Expunha-se. Não tem pessoas: os teólogos, os que recebem prémios literários, os professores catedráticos doutorados em Roma e em outras Universidades de renome, conforme a especialidade: filosófica, teológica, hermenêutica, patrística, pastoral, litúrgica?… e até de secretaria, de economia, de museologia e de bibliotecário… Estarão estes no caminho imperativo de Jesus: “Ide e ensinai”?
2. Da parte dos fiéis. Será que o povo só reage se não tiver o padre para a “missinha” ao domingo? Durante a semana, “por alma de…”; de quando em vez, para o baptizado, para o casamento, para o funeral?… Os cristãos aguentam… e não reagem porque ainda vão tendo, mas a geração que se segue, já nem esta falta vai sentir… Além disso, também não reagem porque não estão informados, nem recebem formação e… “tudo está no seu lugar, graças a Deus”!
3. Da parte dos jornalistas. Estes sabem estar à espera, vão à frente, perguntam todos ao mesmo tempo, por vezes pertinentes e impertinentes, até irreverentes, contundentes, fazem perguntas ardilosas, sabem ir ao cerne das questões, cumprem a sua profissão… porque não no campo eclesiástico?
Talvez matéria para uma outra reflexão…
Serafim Falcão é professor aposentado do Ensino Secundário e autor de A Alegria do Evangelho na nossa Paróquia, baseado, motivado e inspirado na exortação apostólica do Papa Francisco. Contacto: s.m.falcao@gmail.com










