O jornalista católico e fundador do periódico chinês Apple Daily, encerrado em junho de 2021 após a entrada em vigor da nova lei de segurança nacional, foi condenado esta segunda-feira, 9 de fevereiro, a 20 anos de prisão, por alegadamente ter violado essa mesma lei, de acordo com as autoridades chinesas.
A sentença é o culminar de um longo processo judicial, que se iniciou com a primeira detenção em 2020. Desde então, Jimmy Lai foi considerado culpado de várias outras acusações, incluindo fraude e reunião ilegal, e mantido preso [ver 7MARGENS].
Ativista pró-democracia, Jimmy Lai, atualmente com 78 anos, converteu-se ao catolicismo em 1997. De acordo com declarações da sua filha, Claire Lai, à EWTN News em dezembro de 2025, o facto de ter sido preso “apenas fortaleceu a sua fé”.
Mas Claire alertou também, já em janeiro deste ano, que o pai se encontrava cada vez mais debilitado fisicamente devido ao longo período de confinamento. E lamentou que ele fosse impedido de receber a eucaristia regularmente.
Mas, segundo contou ainda, Jimmy Lai continua a “ler o Evangelho todas as manhãs” e passa o tempo “a rezar e a desenhar a Crucificação e a Virgem Maria”. A sua fé “é o que protege a sua mente e alma”, concluiu.
Uma tendência repressiva “mais ampla”, alerta ONU

“Jimmy Lai é um editor condenado a 20 anos de prisão por exercer direitos protegidos pelo direito internacional”, disse Türk. Foto © ONUJean Marc Ferré
O Alto Comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, já reagiu à sentença imposta a Lai, afirmando ter analisado o veredito e estar preocupado com o facto de este criminalizar o exercício de liberdades fundamentais, incluindo a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e a liberdade de associação.
“Jimmy Lai é um editor condenado a 20 anos de prisão por exercer direitos protegidos pelo direito internacional”, disse Türk. “Este resultado destaca como as disposições vagas e excessivamente abrangentes da legislação de segurança nacional de Hong Kong podem levar a interpretações e aplicações que violam as obrigações internacionais de Hong Kong em matéria de direitos humanos. Este veredito precisa de ser anulado imediatamente por ser incompatível com o direito internacional”, pediu.
O Alto Comissário Türk também apelou à libertação imediata do jornalista por razões humanitárias, citando a sua idade, o seu estado de saúde e o impacto dos mais dos mais de quatro anos que já passou detido..
Desde a introdução da Lei de Segurança Nacional em 2020 e da Lei de Salvaguarda da Segurança Nacional em 2024, a liberdade de imprensa em Hong Kong deteriorou-se drasticamente, com inúmeros meios de comunicação independentes encerrados pelo Estado, dezenas de jornalistas presos e repórteres estrangeiros a ter de enfrentar políticas de visto e requisitos de credenciamento mais rigorosos.
“Isto faz parte de uma tendência repressiva mais ampla em Hong Kong, onde centenas de pessoas foram presas e processadas ao abrigo destas leis”, afirmou o Türk.
Juntamente com Jimmy Lai, seis ex-funcionários do Apple Daily, um ativista e um assistente jurídico também foram condenados esta segunda-feira a penas de prisão que variam entre seis e dez anos.
Segundo dados citados pela ONU, de 2020 a 2026, pelo menos 385 indivíduos foram presos e 175 condenados por crimes relacionados com a segurança nacional.










