
O repórter Victor Ticay foi levado para a mesma prisão onde esteve o bispo de Matagalpa, Rolando Álvarez. Foto: Direitos Reservados.
A polícia municipal de Nandaime, cidade no sudoeste da Nicarágua, prendeu o jornalista Victor Ticay na sequência da transmissão em direto de uma procissão na página de notícias que este mantém no Facebook, La Portada. Após a detenção, que decorreu na quinta-feira, 6 de abril, o vídeo foi retirado do ar, e o repórter encaminhado para a prisão de alta segurança conhecida como El Chipote, a mesma onde já esteve o bispo Rolando Álvarez e onde se encontram vários padres católicos, avança esta terça-feira a Catholic News Agency.
No início deste ano, o governo de Daniel Ortega tinha anunciado a proibição das atividades religiosas em vias públicas em todo o país, e as restrições foram reforçadas durante a Quaresma e Semana Santa, período em que se realizam as tradicionais vias-sacras e diversas procissões, tendo sido proibidas 3.000 só na semana passada.
Ao longo dessa semana, segundo um relatório da ONG Unidad Nacional Azul y Blanco, pelo menos 15 nicaraguenses, na sua maioria opositores do regime de Ortega e fiéis católicos, incluindo Ticay, foram presos no país.
“O governo da Nicarágua demonstrou mais uma vez o seu desrespeito pelo direito à liberdade de expressão no meio de um clima absurdo de censura total, que se estende até às atividades religiosas”, afirmou Carlos Martínez de la Serna, diretor de programas do Comité de Proteção de Jornalistas (CPJ), que exige a libertação imediata de Ticay e o fim da prisão de jornalistas por “fazerem o seu trabalho”.
“As autoridades devem libertar imediatamente o jornalista Víctor Ticay e acabar com a sua implacável campanha de intimidação e ameaças contra a imprensa para forçá-la ao silêncio ou ao exílio”, acrescentou o responsável desta organização internacional.
Las autoridades de #Nicaragua deben liberar inmediatamente al periodista Víctor Ticay y dejar de detener a miembros de la prensa por su trabajo, declaró @pressfreedomhttps://t.co/CXxLbfGjPX
— CPJ Américas (@CPJAmericas) April 9, 2023
Também a Associação de Jornalistas e Comunicadores Independentes da Nicarágua condenou a prisão, descrevendo-a como “arbitrária e ilegal”. O grupo pediu a “libertação imediata” do jornalista.
Apesar da perseguição do regime de Ortega à Igreja Católica, os nicaraguenses acudiram massivamente às igrejas durante a Semana Santa. Na domingo de Páscoa, durante a missa celebrada na Catedral de Manágua, o arcebispo Leopoldo Brenes mostrou-se grato porque em todas as celebrações às quais presidiu “a igreja esteve totalmente cheia”. “Alegro-me, – acrescentou na sua homilia – porque os relatos, os comentários que recebi dos padres, das suas paróquias, são de que em toda a liturgia os nossos templos estiveram praticamente cheios”.
Na sua benção “Urbi et Orbi” de domingo de Páscoa, o Papa Francisco fez questão de evocar as comunidades cristãs que celebraram esta importante festa “em circunstâncias particulares, como sucede na Nicarágua e na Eritreia”, tendo rezado por quem “é impedido professar, livre e publicamente, a sua fé”.










