
A engenheira agrónoma Alaa Thalji tem um projeto de reciclagem de cascas de frutas e vegetais para produzir um polímero químico que remove 99 por cento dos metais pesados da água. Foto © UNICEF Nadia Bseiso.
Aya Kreik, estudante de arquitetura em Amã, Jordânia, é uma jovem inovadora. Ela e a sua equipa conseguiram converter os resíduos agrícolas em fertilizantes orgânicos ricos em nutrientes, revitalizando o solo e incentivando os agricultores a evitar o uso de fertilizantes químicos.
Esta estudante é apenas uma de um grupo de dezena e meia de outros jovens que, na Jordânia, onde muitos lutam para encontrar o suficiente para comer, estão a pôr em prática formas criativas de combater a insegurança alimentar e criar empregos sustentáveis e ecologicamente corretos.
O projeto de Aya Kreik insere-se nas ações do Programa de Inovação da Juventude em Segurança Alimentar, da responsabilidade das agências UNICEF e Programa Alimentar Mundial (PAM). A iniciativa envolveu um grupo de jovens jordanos, com idades entre 18 e 26 anos, os quais, de acordo com uma informação da ONU, apresentaram “uma ampla gama de ideias, desde a abordagem do problema dos resíduos sólidos à reciclagem de cascas de frutas e vegetais”.
“A minha ideia de inovação visa aumentar a imunidade das plantas a doenças e ajudar o solo a reter água em grande proporção, o que reduz a quantidade de água necessária para irrigação. Um método moderno de tratamento de resíduos, que não produz gases de efeito estufa”, explica ela. “Estou orgulhosa do ponto onde cheguei. Estamos prestes a iniciar a primeira unidade de produção múltipla liderada por mulheres na Jordânia”, declara Kreik. “Nós, jovens, precisamos de pensar fora da caixa e apresentar novas ideias relacionadas com a sustentabilidade ambiental”.
O projeto arrancou no início da pandemia. Com as dificuldades que surgiram, os participantes pensaram em ideias para nos tornarmos autossuficientes, no que diz respeito a comida.
A formação recebida incidiu sobre as implicações da insegurança alimentar, as oportunidades e desafios diretamente ligados à segurança alimentar, o papel da tecnologia na formação do futuro dos alimentos e estratégias para mudar a cadeia alimentar tradicional.
Alaa Al-Hijazeen, já formado em sistemas bancários e finanças, e Nourhan Al Gharabli, estudante de Inteligência Empresarial, lançaram uma startup que, de acordo com a ONU, “produz plantas auto-irrigáveis e auto-alimentadoras, usando um novo tipo de hidrogel, composto por polímeros auto-absorventes, que podem transformar a humidade do ar em água pura”.
“O nosso objetivo não é ganhar dinheiro”, diz Alaa, “mas causar impacto e mudar a vida das pessoas. As alterações climáticas estão a ter impactos diretos na segurança alimentar, no ar que respiramos e na água que bebemos. Todos nós precisamos de agir”. E acrescenta: “O próximo passo é transformar essa ideia em realidade. E estamos a considerar explorar mais negócios ambientais. O nosso meio ambiente é um grande recurso e podemos usá-lo de forma sustentável”.
A engenheira agrónoma Alaa Thalji, que participou nesta formação em inovação, tem um projeto próprio que envolve a “reciclagem de cascas de frutas e vegetais para produzir um polímero químico que remove 99 por cento dos metais pesados da água.
Especializada em tratamento de água, Thalji teve a ideia no seu segundo ano na universidade e conta como foi: “Tive uma aula chamada Poluentes Químicos Ambientais, que nos apresentou os perigos que os poluentes representam para a nossa saúde, e outra aula chamada Tratamento de Água Potável, onde o nosso professor continuou a dizer-nos como a água que contém metais pesados não pode ser usada para beber”.
Foi então que, pensando nas muitas fontes de água que infelizmente não se podem usar, começou a trabalhar num polímero químico orgânico e seguro, explica.
Com 63% dos seus habitantes com menos de 30 anos, a Jordânia tem uma das populações mais jovens do mundo, e o envolvimento e mobilização dos jovens são cruciais para encontrar soluções para a insegurança alimentar.










