Orquestra Maré do Amanhã

Jovens músicos de favela do Rio recebem bênção do Papa e atuam em Lisboa

| 15 Jan 2024

Orquestra Maré do Amanhã. Foto © Orquestra Maré do Amanhã

Para o espetáculo de dia 2 de fevereiro, o maestro Filipe Kochem preparou um alinhamento que inclui música popular brasileira, êxitos do pop internacional, e “Uma casa portuguesa”. Foto © Orquestra Maré do Amanhã

 

Estrearam-se em Portugal, com várias apresentações pelo país, durante a Jornada Mundial da Juventude, e o sucesso foi tal que já têm data marcada para regressar: os jovens músicos da Orquestra Maré do Amanhã (projeto social implementado numa das mais violentas favelas do Rio de Janeiro, Brasil) vão dar um grande concerto no Teatro Tivoli, em Lisboa, no próximo dia 2 de fevereiro, às 19 horas. Antes disso, irão tocar para o Papa, durante uma audiência exclusiva em que receberão a sua bênção.

“Eu acredito que a bênção do Papa possa transformar a vida dos meninos. Já conversei com cada um deles para na hora visualizar essa energia passando para o Complexo da Maré. Porque a nossa missão é realmente transformar aquele local. Eles são as nossas ferramentas para essa transformação. E precisam ter essa força, com a benção do Papa, para poderem realizar bem esse trabalho”, afirma o criador do projeto e diretor da orquestra, Carlos Eduardo Prazeres, em comunicado enviado ao 7MARGENS.

Carlos Eduardo Prazeres é filho do maestro português Armando Prazeres, sequestrado e assassinado precisamente na favela da Maré, em 1999. Onze anos depois, Carlos decidiu levar às crianças daquele local instrumentos musicais em vez de armas e criou a orquestra social. O projeto, que começou com apenas 26 alunos, já alcançou mais de 7.000 crianças e jovens, e tem um repertório variado, desde Guns n’ Roses até Anitta, passando pela música clássica ou The Beatles.

Por ocasião da JMJ em Lisboa, a Orquestra Maré do Amanhã fez diversos flash mobs pela cidade, e alguns concertos no Festival Músicas do Mundo, em Sines, na Catedral do Sé do Porto, e em Arouca, terra natal do maestro Armando Prazeres.

“Nesse regresso à Europa, não havia como não voltarmos a Portugal, depois de termos sido tão bem recebidos pelo público português. Também ficámos com vontade de mostrar em Lisboa o repertório completo, como nós fizemos nas outras cidades. Os flash mobs foram incríveis. Mas ainda faltava um concerto em Lisboa”, explica Carlos Eduardo, lembrando ainda que é aqui que se encontra sedeado o principal patrocinador da Orquestra Maré do Amanhã, a Galp: “Queremos muito apresentar-nos para os funcionários da Galp, a nossa grande parceira, que nos ajuda a realizar os nossos sonhos”.

Para o espetáculo de dia 2 de fevereiro, que será de entrada livre, o maestro Filipe Kochem preparou um alinhamento que inclui muita música popular brasileira, êxitos do pop internacional, e especialmente para o público lisboeta a orquestra tocará “Uma casa portuguesa”. Os bilhetes deverão ser levantados no local.

 

O sonho de implementar o projeto em Portugal

Orquestra Maré do Amanhã, aula de música. Foto © Orquestra Maré do Amanhã

No Brasil, o projeto está presente em 22 espaços educativos do Complexo da Maré e conta já com dois núcleos no Pará.a. Foto © Orquestra Maré do Amanhã

Além do concerto, Carlos Eduardo Prazeres tem outra motivação para regressar a Portugal: é que um dos seus grandes objetivos é desenvolver um projeto semelhante ao da Orquestra Maré do Amanhã no nosso país.

“Estou buscando algumas propostas de patrocínio. Já enviei para algumas empresas e estou aguardando. É o meu sonho. Retornar o que meu pai fez pelo Brasil, mas na terra dele, Portugal. Já temos tudo projetado com o maestro Filipe Kochem vindo para Portugal num primeiro momento a ajudar a implementar esta ideia”, explica.

No Brasil, o projeto está presente em 22 espaços educativos do Complexo da Maré e conta já com dois núcleos no Pará.

Eleita Património Cultural Imaterial do Rio de Janeiro em 2023, a Orquestra Maré do Amanhã tem somado inúmeras conquistas, como o concerto na Passagem de Ano do Rio de Janeiro para 2,5 milhões de pessoas; o desfile no Sambódromo com a bateria da Escola de Samba Beija-Flor em 2016; e a participação no Rock in Rio, em 2019. Será que se avizinha mais uma?

 

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