Tensão política cresce em Israel

Judeu ortodoxo recolhe 400 mil dólares para vítimas palestinas

| 3 Mar 2023

manifestantes em haifa, foto Shir Torem/Flash90

Ativistas de esquerda protestam contra os violentos ataques em Huwara. Foto © Shir Torem/Flash90.

 

A iniciativa de crowdfunding, lançada por um judeu ortodoxo e ativista político de esquerda a favor dos palestinos moradores da vila Huwara, devastada no domingo 26 de fevereiro por colonos israelitas, conseguiu reunir em três dias o equivalente a perto de 400 mil euros.

Centenas de colonos israelitas invadiram Huwara no domingo, queimando dezenas de carros e prédios e ferindo dezenas de residentes, como represália pelo assassínio de dois irmãos (israelitas) vítimas de um atirador furtivo quando passeavam naquela vila palestina da Cisjordânia. No dia dos confrontos, um palestino foi morto numa cidade a sul de Huwara.

O jornal Jewish News de 2 de março cita o organizador da recolha de fundos, Yair Fink, um ex-candidato do Partido Trabalhista, como tendo afirmado, depois de lamentar o assassínio dos irmãos Hillel e Yigal Yaniv: “Mesmo num momento de profunda raiva e tristeza, nunca devemos perder a nossa humanidade. Esse não é o nosso judaísmo”.

 

Separação de poderes em causa

O governo israelita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, uma coligação do partido Likud (conservador) com vários partidos ultraortodoxos fundamentalistas e outros de extrema-direita, tem vindo a ser acusado por personalidades do centro político e da esquerda liberal de quebrar as bases fundacionais do Estado de Israel e de destruir os consensos políticos e sociais que presidiram à sua formação. Em causa estão sobretudo as suas iniciativas no campo legislativo tendentes a reforçar o controlo do Executivo sobre o Tribunal Constitucional e todo o aparelho judicial, a transformar Israel num Estado confessional e a impor legislação inspirada no judaísmo ultraortodoxo e anti-LGBT.

Os protestos e manifestações de cidadãos israelitas contra o que é apelidado de “golpe de Estado legislativo” iniciaram-se em janeiro deste ano e têm vindo a crescer, obrigando a polícia a carregar, na quarta-feira, 1 de março, sobre os manifestantes que bloqueavam estradas. Na ocasião, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu comparou os manifestantes aos colonos que devastaram Huwara.

Neste clima e na sequência dos confrontos de domingo, o ministro das Finanças, Betzalel Smotrich, sentiu-se à vontade para vir a público concordar com o pedido formulado por um alto dirigente administrativo israelita para que Huwara fosse “eliminada”. Questionado sobre qual a razão que o levara a concordar com essa declaração, o ministro afirmou taxativamente: “Porque acho que a vila de Huwara deve ser exterminada”.

Nesta mesma linha, o Parlamento israelita (Knesset) aprovou em primeira leitura, na sua sessão de dia 1 de março, o projeto de Lei do Governo israelita que permitirá aplicar a pena de morte a palestinos que ataquem judeus israelitas.

Os dois primeiros meses deste ano terão sido dos mais violentos das últimas décadas do conflito israelo-palestino: 63 palestinos mortos (na sua maioria devido a incursões do exército israelita na Cisjordânia) e 14 judeus israelitas mortos, vítimas de ataques em Jerusalém oriental ocupada, ou na Cisjordânia.

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

 

Iniciativa ecuménica

Bispos latino-americanos criam Pastoral das Pessoas em Situação de Sem-abrigo

O Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) lançou oficialmente esta semana a Pastoral das Pessoas em Situação de Sem-abrigo, anunciou o Vatican News. Um dos principais responsáveis pela iniciativa é o cardeal Luís José Rueda Aparício, arcebispo de Bogotá e presidente da conferência episcopal da Colômbia, que pretende que a nova “pastoral de rua” leve a Igreja Católica a coordenar-se com outras religiões e instituições já envolvidas neste trabalho.

Lopes Morgado: um franciscano de corpo inteiro

Frade morreu aos 85 anos

Lopes Morgado: um franciscano de corpo inteiro novidade

O último alarme chegou-me no dia 10 de Fevereiro. No dia seguinte, pude vê-lo no IPO do Porto, em cuidados continuados. As memórias que tinha desse lugar não eram as melhores. Ali tinha assistido à morte de um meu irmão, a despedir-se da vida aos 50 anos… O padre Morgado, como o conheci, em Lisboa, há 47 anos, estava ali, preso a uma cama, incrivelmente curvado, cara de sofrimento, a dar sinais de conhecer-me. Foram 20 minutos de silêncios longos.

Mata-me, mãe

Mata-me, mãe novidade

Tiago adorava a adrenalina de ser atropelado pelas ondas espumosas dos mares de bandeira vermelha. Poucos entenderão isto, à excepção dos surfistas. Como explicar a alguém a sensação de ser totalmente abalroado para um lugar centrífugo e sem ar, no qual os segundos parecem anos onde os pontos cardeais se invalidam? Como explicar a alguém que o limiar da morte é o lugar mais vital dos amantes de adrenalina, essa droga que brota das entranhas? É ao espreitar a morte que se descobre a vida.

Agenda

There are no upcoming events.

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This