O Movimento pelo Judaísmo Progressista (MPJ, na sigla em inglês) realizou na Sinagoga Judaica Liberal em St. John’s Wood (Londres) uma cerimónia recordando as vítimas do 7 de outubro, na qual familiares de reféns e de pessoas assassinadas nos ataques do Hamas falaram sobre a perda e sobre a esperança de um futuro pacífico.
Entre os oradores estava Sharone Lifschitz, cujos pais, Yocheved e Oded Lifschitz, foram feitos reféns a 7 de outubro de 2023. Yocheved foi libertada, mas Oded morreu no cativeiro. Lifschitz falou sobre os seus pais e a perda da sua casa e sublinhou a sua convicção de que israelitas e palestinianos precisam, em última análise, de encontrar uma maneira de conviver.
Por sua vez, Magen Inon, cujos pais, Bilha e Yakov, foram assassinados em casa a 7 de outubro, partilhou memórias da sua família e referiu a sua esperança de ver crianças israelitas e palestinianas a crescer juntas.
A cerimónia “Lembrando o 7 de outubro: Por Tudo o que Perdemos”, decorreu esta terça-feira, dia 6 de outubro, e reuniu mais de 100 pessoas no local e outras 600 participando online. Os vários ataques do Hamas no dia 7 de outubro de 2023 contra civis em território israelita causaram cerca de 1.200 mortos e 240 reféns, muitos dos quais viriam a morrer durante o cativeiro. A resposta israelita destruiu quase todas as infraestruturas da Faixa de Gaza, fez mais de 80.000 vítimas e um número incontável de feridos.
De acordo com a jornalista do Jewish News Annabel Sinclair, a principal intervenção da cerimónia coube à rabina Yael Vurgan, que atua junto a comunidades na região de Sha’ar HaNegev, próxima da fronteira com Gaza. Yael Vurgan apoia pessoas que enfrentam o luto, o deslocamento e a perda das suas casas, e descreveu como, mesmo três anos depois, os ataques continuam a moldar o quotidiano. Apesar das dificuldades, a rabina afirmou que as pessoas têm o dever de “continuar a acreditar na humanidade e na paz”.
A deputada Florence Eshalomi, ministra de Estado no Ministério da Habitação, Comunidades e Governo Local e responsável pela pasta de Assuntos Religiosos, também participou na cerimónia convidando “todos a unirem-se contra o antissemitismo e o ódio”, afirmando: “Coletivamente, devemos superar as divisões e preservar a amizade e os laços que nos unem.”
Segurança e paz para israelitas e palestinianos
A cerimónia foi encerrada com o acender de sete velas em memória dos diferentes grupos afetados pelos ataques, incluindo as vítimas fatais, as famílias enlutadas, os reféns e os seus parentes, os feridos e traumatizados, as comunidades deslocadas e aqueles que arriscaram a própria vida para resgatar outras pessoas. A última chama representou a esperança de um futuro diferente.
A rabina Alexandra Wright, rabina sénior da Liberal Jewish Synagogue, conduziu o Kaddish dos Enlutados antes de o presidente da MPJ, Ed Kessler, proferir uma oração final pela paz. Em seguida, os presentes cantaram o HaTikvah.
Os líderes do Movimento pelo Judaísmo Progressista, a rabina Charley Baginsky e o rabino Josh Levy declararam, após a cerimónia, à jornalista do Jewish News: “A força deste culto residiu no facto de ter reunido pessoas de toda a comunidade judaica num espaço promovido pelo Movimento pelo Judaísmo Progressista. Isso está na essência do Judaísmo Progressista: acolher as pessoas, independentemente da sua origem, bem como o seu luto, as convicções e as interrogações que trazem consigo.”
Defendendo que a relação do movimento com Israel “é um vínculo amplo que, por vezes, abrange pontos de vista divergentes”, aqueles responsáveis reiteraram que “o nosso amor e a nossa ligação são profundos”. E concluíram: “Tudo isso esteve presente na cerimónia. No meio da memória e da dor, o que prevaleceu foi a esperança: a esperança que cantamos juntos no HaTikvah e a nossa determinação em trabalhar por um futuro no qual israelitas e palestinianos possam viver em segurança e em paz.”










