
António Meireles, Fernanda Silva, Graça Morais e Joana Baião, durante a apresentação dos catálogos. Foto © Rúben Castanheiro
É um “enorme prazer” poder apresentar em Bragança obras de Júlio Pomar, seu amigo e “uma das principais figuras da arte em Portugal”, disse Graça Morais referindo-se à exposição Júlio Pomar: Coleção Atelier – Museu, que está aberta ao público até ao final de junho. A pintora falava na apresentação de dois catálogos de obras suas – Graça Morais: Os rituais do silêncio e Homenagem a António Mega Ferreira – Linhas da Terra/Os Olhos Azuis do Mar, que teve lugar ao fim da tarde de dia 8 de fevereiro no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, em Bragança.
A artista manifestou “saudades de estar no Centro” e sobretudo de “estar com pessoas” e apontou a exposição, que vai estar presente até ao final do mês de junho, como uma afirmação de que as “9 horas de distância” entre Bragança e Lisboa não devem impedir que no Nordeste se possa usufruir da melhor pintura nem que se divulgue e informe o que de culturalmente relevante se passa na região.
Perante mais de três dezenas de pessoas, resistentes à chuva intensa que caía na cidade, Graça Morais deteve-se a contar algumas das suas vivências e os processos de realização de alguns dos seus quadros, rematando: “tenho oferecido a Bragança o melhor que posso oferecer”. A exposição temporária de Júlio Pomar é uma iniciativa da pintora, através de um pedido inicial à família do artista de que resultou o empréstimo de algumas das suas obras, escolhidas em colaboração com o Atelier-Museu Júlio Pomar. Graça Morais não esqueceu todo o trabalho necessário para concretizar uma exposição, desde o momento que se idealiza, referindo o envolvimento de tanta gente que é preciso mobilizar: transportadoras, catalogadores, camarários e vigilantes.
Joana Baião, a curadora da exposição Graça Morais: Os rituais do silêncio, que permanecerá no Centro por mais umas semanas, agradeceu o “acesso único e exclusivo” que pôde ter não só ao “ateliê, mas também às gavetas, dossiers e rascunhos” da pintora. “Lançar um catálogo é a consequência de um trabalho muito longo” só possível pela “honra” e pelo “privilégio” de “estar ao lado de Graça há mais de cinco anos”. Para ela, enquanto investigadora, depois do trabalho que mobilizou muita gente, é “bom ter o objeto na mão”. Assim como, enquanto curadora da exposição, recorda a “cumplicidade” com Graça Morais e todo o trabalho “por detrás das molduras”.

Joana Baião, curadora da exposição Graça Morais: Os rituais do Silêncio, recordou a “cumplicidade” com a pintora e o trabalho “por detrás das molduras”. Foto © Rúben Castanheiro.
Joana Baião é investigadora no Laboratório Artes na Montanha – Graça Morais, no Centro de Investigação de Montanha (CIMO), que pertence ao Instituto Politécnico de Bragança. Além disso, colabora com o Instituto de História da Arte, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (IHA / NOVA FCSH) onde lecionou, no Departamento de História da Arte, entre 2018 e 2023.
António Meireles, professor do departamento de Artes Visuais na Escola Superior de Educação de Bragança desde 2002, apresentou alguns aspetos do desafio “pintar a pintora Graça Morais” lançado a crianças de turmas do 1º ciclo, com idades entre os 7 e os 8 anos. Só uma turma teve o privilégio de estar com a pintora, todas as crianças das restantes, conheceram-na através das suas obras, sendo estimuladas a “imaginar como seria Graça Morais”. António deu conta do testemunho de uma delas: “Graça Morais só pode ser muito bonita”, porque “faz obras bonitas”.
No final da conversa, Graça Morais, aproveitando o testemunho de António, referiu que “a arte é para todos” e que as pessoas devem sentir-se “livres para visitar e observar as obras do Centro”.
“A arte em Bragança respira saúde”
“A arte em Bragança respira saúde”, disse Fernanda Vaz Silva, vice-presidente da Câmara Municipal de Bragança, que também esteve presente na apresentação, salientando o investimento que vem sendo desenvolvido desde 1997 e o facto de o município não regatear esforços na “promoção e divulgação da cultura brigantina”.
Para ajudar à promoção do Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, o Município de Bragança definiu estratégias para, de acordo com Vaz Silva, chegar não só à “cidade”, mas também ao “meio rural”. Apesar de ser uma região com cada vez menos jovens, os poucos que há “aderem à arte e à cultura”.
O Centro possui sete salas, coexistindo diferentes exposições. Há salas da exposição permanente de Graça Morais, e outras de exposição temporária, onde se dá a conhecer a obra de vultos muito importantes da Arte Contemporânea, quer nacional, quer internacional. O que, segundo Vaz Silva, possibilitam “conhecer o mundo” sem sair de Bragança.

Uma da obras de Graça Morais, no Centro de Arte Contemporânea. Foto © Rúben Castanheiro











