Pela Human Rights Watch

Junta militar da Birmânia acusada de crimes contra a humanidade

| 2 Ago 21

freira, Birmânia, Myanmar, militares, religiosa

Cenas como esta têm multiplicado as críticas ao governo birmanês. Foto DR

 

A organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) acusou os militares da Junta que fez o golpe de estado e passou a dirigir a Birmânia de terem recorrido a repressão violenta dos protestos contra o golpe e de terem torturado e assassinado cidadãos feitos prisioneiros.

Este tipo de atos, cometidos desde 1 de fevereiro último, violam as convenções humanitárias internacionais e constituem “crimes contra a humanidade”, refere a ONG, sediada em Nova Iorque, num extenso comunicado.

As Nações Unidas, os órgãos regionais e os governos, incluindo a União Europeia, os Estados Unidos e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), devem responder a esta violação sistemática dos direitos humanos “complementando, fortalecendo e coordenando as sanções internacionais contra os militares e a liderança da junta”, sustenta a HRW. Para além das sanções, defende um embargo global de armas e restrições financeiras que reduziriam as receitas da junta com as indústrias extrativas”.

Desde o golpe militar, manifestações em muitos casos multitudinárias encheram as ruas de todo o país para protestar pacificamente pela reposição da legalidade democrática e o respeito dos resultados eleitorais. “Como parte de um ataque generalizado e sistemático à população, nota a Human Rights Watch, as forças de segurança dispararam repetidamente e usaram força excessiva para dispersar e causar danos aos manifestantes”, calculando esta organização em mais de 900 os que foram abatidos pelas forças militares e policiais, incluindo 75 crianças. Mais de uma centena de pessoas, de entre as milhares que foram presas, foram levadas pelos agentes da autoridade, desconhecendo-se o seu paradeiro, de acordo com a mesma fonte.

Os crimes aparentes contra a humanidade cometidos desde 1 de fevereiro incluem, além dos “assassinatos e desaparecimentos forçados, tortura, estupro e outras formas de violência sexual, privação severa de liberdade e outros atos desumanos que causam grande sofrimento”.

O comunicado da organização detalha ainda situações que, segundo o seu entendimento e a legislação internacional, configuram o que designa por “crimes contra a humanidade”.

Já não é a primeira vez, lê-se no documento, que os militares birmaneses cometeram este tipo de crimes. Isso terá acontecido contra a população de etnia Rohingya em 2012-2013 e novamente em 2017, como parte de campanhas de limpeza étnica.

 

Conflito armado, fome e emergência sanitária
cardeal charles maung bo myanmar foto diocese de yangon

O cardeal charles maung bo deixou apelos à paz. Foto © Direitos Reservados 

 

O cardeal Charles Bo, arcebispo de Rangum e presidente da Conferência Episcopal da Birmânia acaba de lançar um “grito desesperado”, chamando a atenção para o rápido agravamento das condições de vida da população do país.

O surgimento de combates entre milícias armadas de resistentes e militares da Junta militar levaram à rutura de circuitos económicos e de abastecimentos, o que trouxe a fome, agora agravada com o recrudescimento da pandemia da covid-19.

“Estamos em tempos apocalípticos” alertou o cardeal. Em algumas semanas os casos de contágio triplicaram, havendo mais de 185 mil pessoas hospitalizadas. Necessita-se a todo o custo de garrafas de oxigénio para tratar os contagiados nas suas casas, dado o congestionamento dos hospitais e “longas filas nos cemitérios”, refere a agência católica italiana SIR.

“Imploramos àqueles que nos governam: sede bons pastores, salvai o nosso povo ”, apelou o cardeal que, em todo o caso, considerou também que, “se não houver paz, centenas de pessoas serão enterradas todos os dias”. “Não podemos permitir conflitos; faço um apelo mais uma vez: a paz é a única vacina contra aquilo que está a transformar-se num apocalipse de morte e doença”, acrescentou o arcebispo.

 

Nós somos porque eles foram. E nós seremos nos que vierem a ser.

Nós somos porque eles foram. E nós seremos nos que vierem a ser. novidade

A homenagem aos que perderam as suas vidas nesta pandemia é uma forma de reconhecermos que não foram só os seus dias que foram precoce e abruptamente reduzidos, mas também que todos nós, os sobreviventes, perdemos neles um património imenso e insubstituível. Só não o perderemos totalmente se procurarmos valorizá-lo, de formas mais ou menos simbólicas como é o caso da Jornada da Memória e da Esperança deste fim-de-semana, mas também na reflexão sobre as nossas próprias vidas e as das gerações que nos sucederão.

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Parlamento aprovou voto de solidariedade com vítimas da pandemia e iniciativa cidadã

Jornada da Memória e da Esperança

Parlamento aprovou voto de solidariedade com vítimas da pandemia e iniciativa cidadã novidade

A Assembleia da República (AR) manifestou o seu apreço pela Jornada de Memória e Esperança, que decorre neste fim-de-semana em todo o país, através de um voto de solidariedade com as vítimas de covid-19 e com as pessoas afectadas pela pandemia, bem como com todos os que ajudaram no seu combate, com destaque para os profissionais de saúde.

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