
Monges budistas de Myanmar continuam sem caminho livre à vista. Foto @Daniel Kirsch/Pixabay
A situação na Birmânia continua a degradar-se, na sequência do golpe militar de 1 de fevereiro último. Este domingo surgiram notícias de que a Junta no poder condenou à morte 19 ativistas opositores. Ao mesmo tempo, os indicadores económicos revelam que a situação do país está a piorar.
Os opositores condenados à morte estão envolvidos na morte de um militar, segundo a versão dada pelo Governo, divulgada pela agência católica AsiaNews. O caso terá ocorrido já em finais de março, durante confrontos numa manifestação na localidade de Okkalappa, pertencente ao distrito de Rangum, a maior cidade do país e capital até 1989.
Os profissionais de saúde são dos grupos profissionais que mais têm resistido, com uma greve permanente de protesto contra o golpe de estado, ainda que atendendo a situações de emergência. Os militares têm procurado minar a resistência, não apenas fazendo avançar médicos e enfermeiros das forças armadas, mas perseguindo os grevistas, quando estes procuram tratar as vítimas das investidas violentas nas manifestações. Segundo relatava este fim de semana o The Guardian, os militares e forças de segurança chegam a invadir instalações médicas, revistar e mesmo disparar sobre ambulâncias. Relatos destes profissionais indicam que vários colegas foram mesmo espancados e abatidos.
Segundo o jornal The Global New Light of Myanmar, afeto aos militares, depois de uma fase de manifestações multitudinárias pacíficas, a contestação passou a uma fase violenta que chegou, nas últimas semanas, a ações organizadas contra o exército e a polícia. Sem nunca referir as ações brutalmente repressivas que levaram à prisão de milhares de pessoas e à morte de várias centenas, os militares golpistas procuram fazer vingar a ideia de que o país está a regressar paulatinamente à “normalidade”.
Na economia, o cenário não parece animador. De acordo com a publicação Nikkei Asia, ligada a bolsas e mercados, que cita dados de grupos de pesquisa privados, “a economia da Birmânia está a deteriorar-se mais acentuadamente do que o temido após o golpe de 1 de fevereiro, com riscos aumentados de alta da inflação, colapso do comércio e aumento da pobreza”.
Sendo este país asiático de maioria budista (calcula-se que cerca de 90 por cento da população se referencie a Buda), têm sido crescentes os sinais da divisão dos monges, entre os apoiantes da Junta militar e os que a contestam abertamente nas ruas, como refere a BBC.
A consulta ao jornal The Global New Light of Myanmar coloca com frequência o general que chefiou o golpe a receber e reverenciar dignitários budistas, mas não se coíbe de emitir mandatos de prisão para monges que lideram ou enfileiram nas manifestações.









