Justiça australiana anula condenação do cardeal Pell por abuso de menores

| 7 Abr 20

Cardeal George Pell

Cardeal George Pell, 2012. Foto Kerry Myers/Wikimedia Commons

​O cardeal australiano George Pell, condenado em março de 2019 a seis anos de prisão por abuso sexual de duas crianças em Melbourne, foi agora absolvido pelo Supremo Tribunal da Austrália, tendo o coletivo de juízes considerado não haver evidências suficientes que provem a ocorrência dos crimes dos quais era acusado.

Há “uma possibilidade significativa de uma pessoa inocente ter sido condenada porque a prova não estabeleceu culpa com o nível de evidência exigido”, pode ler-se na decisão, divulgada esta terça-feira, 7 de abril, à qual a agência de notícias Efe teve acesso. Esta decisão não é passível de recurso.

O caso de pedofilia associado ao ex-responsável pelas finanças do Vaticano remonta a 2014, ano em que duas supostas vítimas o denunciaram por ter cometido abusos sexuais na década de 1990. As testemunhas eram, na altura, adolescentes e integravam o grupo coral da Catedral de St. Patrick, em Melbourne (Austrália), diocese da qual George Pell era arcebispo.

Em comunicado, divulgado também esta terça-feira, o cardeal salientou que a decisão unânime do Supremo Tribunal da Austrália remediou “uma séria injustiça”. “Não guardo qualquer rancor ao meu acusador [o outro morreu entretanto], nem pretendo que a minha absolvição se acrescente à dor e amargura que tantos sentem; já há dor e amargura suficientes. Contudo, o meu julgamento não era um referendo à Igreja Católica, nem um referendo sobre como as autoridades da Igreja na Austrália lidaram com o crime de pedofilia na Igreja. A questão era se eu tinha cometido esses crimes horrendos, e eu não os cometi”, escreveu George Pell.

Em agosto do ano passado, o Supremo Tribunal de Victoria tinha rejeitado um recurso interposto pela defesa de Pell, mantendo a sentença ditada ao arcebispo emérito. O caso seguiu depois para o Supremo, cujos sete juízes ordenaram agora que todas as condenações sejam retiradas e que o veredito seja alterado para absolvição. O cardeal abandonou já a prisão de Barwon, a 68 km de Melbourne, e irá viver para uma instituição religiosa naquela cidade.

O presidente da Conferência Episcopal Australiana, o arcebispo Mark Coleridge, reconheceu que a decisão do Supremo Tribunal será bem recebida por aqueles que acreditam na inocência do cardeal, ao mesmo tempo que será devastadora para os outros. O responsável aproveitou para reiterar o compromisso inabalável da Igreja com a segurança dos mais jovens e com uma resposta eficaz aos sobreviventes e vítimas de abusos sexuais contra menores.

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