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Conferência organizada sábado passado, 21, no auditório da Escola Universitária Católica de Cabo Verde, na cidade da Praia. Foto DR
O auditório da Escola Universitária Católica de Cabo Verde, na cidade da Praia, acolheu uma conferência no passado sábado. Foto: Direitos reservados

Diocese de Santiago

Justiça e Paz em Cabo Verde: Vem aí uma “rerum digitalis” do Papa Leão?

A intervenção da Igreja Católica no mundo e no olhar os problemas que o afetam mudou com a intervenção do Papa Leão XIII e a sua encíclica Rerum Novarum (1891) e este novo modo de intervir sobre as questões que afetam o mundo tem vindo a ser seguido, designadamente pelo Papa João Paulo II e pelo Papa Francisco. Agora, espera-se que do Papa Leão XIV venha uma Rerum Digitalis que faça uma reflexão sobre os impactos sociais da tecnologia digital, como a inteligência artificial, a automação e a economia digital e aponte os caminhos para que consigamos defender a dignidade da pessoa humana, a família e uma ordem social mais justa.

Esta foi uma das considerações do padre José Eduardo Afonso, diretor da EU-Católica, em Cabo Verde, numa conferência organizada sábado passado, 21, no auditório da Escola Universitária Católica de Cabo Verde, na cidade da Praia. O responsável falava sobre o tema “Da Rerum Novarum à era digital – a Doutrina Social da Igreja entre Leão XIII e Leão XIV”, numa iniciativa presidida pelo cardeal e bispo da Diocese de Santiago, Arlindo Furtado, e inserida numa conferência sobre o papel da Igreja Católica na promoção da paz e justiça, organizada pela Comissão Diocesana Justiça e Paz (CDJP). Esteve ainda presente a secretária de Estado da Família e Inclusão social de Cabo Verde, Lídia Lima.

Durante a conferência foi abordado também o tema do “Papel da Comissão Diocesana Justiça e Paz”, pelo presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz de Portugal, Pedro Vaz Patto. O modo de funcionamento e intervenção deste organismo foi apresentado em traços muito genéricos, mas suficientes para que os participantes percebessem como é que esta instituição de leigos se mostra atenta aos problemas da sociedade e do mundo, refletindo sobre eles e tomando posições públicas autónomas orientadas pela doutrina social da Igreja. Ficou-se a conhecer, por exemplo, que a CNJP emitiu recentemente uma nota sobre a situação na Faixa de Gaza e a violação inaceitável e injustificável dos direitos humanos que diariamente ocorre com a intervenção de Israel sobre esse território, além de outra nota sobre as decisões do governo português na limitação das situações do agrupamento familiar.

Conferência organizada sábado passado, 21, no auditório da Escola Universitária Católica de Cabo Verde, na cidade da Praia. Pedro Vaz Patto ao centro. Foto DR

Durante a conferência foi abordado o tema do “Papel da Comissão Diocesana Justiça e Paz” pelo presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz de Portugal, Pedro Vaz Patto (ao centro). Foto: Direitos reservados

Um dos participantes fez notar que defender, promover e fazer aplicar a doutrina social da Igreja em Cabo Verde não é difícil, uma vez que a Constituição Democrática de 1992 declara expressamente que Cabo Verde “garante o respeito pela dignidade da pessoa humana e reconhece a inviolabilidade e inalienabilidade dos direitos humanos como fundamento de toda a comunidade humana, da paz e da justiça”.

A CDJP da Diocese de Santiago tem como principais objetivos promover os valores da inclusão, equidade, justiça, paz e direitos humanos, segundo o Evangelho e a Doutrina Social da Igreja, na construção de um Cabo Verde mais solidário e socialmente mais equilibrado.

 

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O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

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