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Solidão. Foto © Bepslabor

Sondagem da Harvard Kennedy School

Juventude americana deprimida e assustada com a violência

| 02/05/2023

Solidão. Foto © Bepslabor

A possibilidade de poderem vir a ter de viver na rua preocupa 43 por cento dos jovens americanos hispânicos e 39 por cento dos jovens americanos negros. Foto © Bepslabor.

 

Quase metade dos jovens americanos (48%) sentiram-se inseguros no mês passado, com 40 por cento preocupados com o facto de poderem vir a ser vítimas de violência armada, revela uma sondagem nacional realizada pelo Instituto de Política da Harvard Kennedy School junto de 2.069 jovens americanos entre os 18 e os 29 anos. A mesma percentagem (47%) reconhece “sentir-se em baixo, deprimido, ou sem esperança” e 24 por cento consideraram automutilar-se em vários dias durante as duas semanas anteriores ao inquérito realizado em meados de março.

Um em cada três (35%) jovens americanos negros afirma que a polícia local o faz sentir menos seguro enquanto apenas um quarto (23%) partilha da opinião contrária. Quase dois em cada três jovens americanos (63%) apoiam leis de controlo de armas mais rígidas e três quartos deles (73%) acreditam que ficar condenado a viver na rua pode acontecer com qualquer pessoa. A possibilidade de poderem vir a ter de viver na rua preocupa 43 por cento dos jovens americanos hispânicos e 39 por cento dos jovens americanos negros.

A Harvard Kennedy School conduz este tipo de sondagens há 20 anos, dando particular atenção à opinião dos jovens sobre a política e questões relacionadas com a mesma. Embora a análise dos resultados indique uma progressiva aproximação dos jovens americanos em idade de votar aos valores e temas do Partido Democrático, o índice de aprovação do Presidente Biden entre este segmento do eleitorado é de apenas 36 por cento, uma queda de três pontos percentuais em relação ao outono passado (39%) e cinco pontos percentuais desde a primavera anterior (41%).

Em relação às políticas públicas, as deslocações em dez anos da opinião dos jovens americanos são muito evidentes. Assim, se, em 2013, 42 por cento concordavam com a afirmação “o seguro básico de saúde é um direito de todas as pessoas e, se alguém não tiver meios para o pagar, o Governo deve oferecê-lo”, hoje são 65 por cento dos inquiridos que partilham desta opinião. De igual modo, em dez anos os que concordavam que “a alimentação e uma casa são um direito que o Governo deve garantir àqueles que não podem pagar passou de menos de metade (44%) para quase dois terços (62%). “O Governo deveria gastar mais para reduzir a pobreza?” – “sim”, respondiam 35 por cento em 2013; hoje são 59 por cento os que dizem “sim”. E à pergunta “deve o Governo fazer mais para conter as alterações climáticas, mesmo à custa do crescimento económico, hoje metade dos inquiridos responde positivamente, enquanto há uma década apenas 29 por cento subscrevia este investimento.

Em termos morais são hoje mais os jovens americanos (27%) que classificam as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo como moralmente erradas, do que há 20 anos (22%) e hoje são um terço (65%) os jovens americanos que estão preocupados com a liderança moral da nação, quando há 20 anos apenas metade (53%) referia ter essa preocupação.

A sondagem apurou também que a mudança de sensibilidade política de uma geração para outra é mais visível naqueles que cresceram em lares conservadores (só 42% se dizem republicanos enquanto 21% se afirmam democratas), do que nos que foram educados em famílias liberais (60% são democratas e apenas 9% se dizem republicanos).

 

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