O Centro Internacional para o Diálogo (Kaiciid) e o Gabinete do Conselheiro Especial para a Prevenção do Genocídio (UNOSAPG) renovaram o acordo que reforça o compromisso comum de prevenir o genocídio e outros crimes atrozes. O principal objetivo é aproveitar o poder do diálogo inter-religioso e intercultural como ferramenta para detetar sinais de risco antecipadamente.
O acordo estabelece uma colaboração planeada em matéria de formação e partilha de conhecimentos, reuniões conjuntas e contribuições práticas para os esforços de implementação da ONU.
“Esta parceria, ao ser renovada, reforça a prevenção ao ligar a análise da ONU a redes de diálogo fiáveis no terreno, com as quais o Kaiciid trabalha diariamente através dos seus programas regionais espalhados por todo o mundo. Juntos, iremos expandir ferramentas práticas que ajudam os líderes a combater o incitamento à discriminação e a proteger as comunidades”, sublinha António de Almeida Ribeiro, secretário-geral interino do centro com sede em Lisboa, em comunicado enviado ao 7MARGENS.
“O envolvimento de atores religiosos e comunitários é essencial para a prevenção. Este acordo fornece um caminho claro para o intercâmbio de conhecimentos, o reforço de capacidades e o avanço na implementação dos planos de ação da ONU”, acrescenta Chaloka Beyani, conselheiro especial para a prevenção do genocídio da ONU.
A assinatura do memorando, que aconteceu no passado dia 28 de janeiro em Nova Iorque, é o resultado de anos de trabalho conjunto, a começar com o Processo de Fez, iniciado em 2015, que recorreu aos líderes religiosos para prevenir o incitamento à violência numa fase inicial, tendo-se seguido consultas regionais que contribuíram para o desenvolvimento do Plano de Ação para Líderes e Atores Religiosos.
Durante a passagem por Nova Iorque, António de Almeida Ribeiro participou também naquela que foi a primeira celebração do Dia Internacional da Coexistência Pacífica. O evento reuniu representantes diplomáticos de missões permanentes junto da ONU, responsáveis das Nações Unidas, bem como atores religiosos e da sociedade civil, sublinhando a importância da ação conjunta para promover a convivência pacífica e a coesão social.
Proclamado em 2025 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, este dia convida os Estados-Membros, organizações internacionais e a sociedade civil a promover a tolerância, o respeito pela diversidade religiosa e cultural e a solidariedade, com vista à construção de sociedades pacíficas, justas e inclusivas.
A presença do Kaiciid nesta celebração é sinal dos esforços em curso para a obtenção do Estatuto de Observador junto das Nações Unidas, alicerçados na experiência intergovernamental e inter-religiosa do centro em fóruns internacionais dedicados à paz e à convivência pacífica.



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