Visto de fora

“La Croix”: Um assunto dos jovens

| 1 Ago 2023

Jornada Nacional da Juventude em Benguela, Angola, novembro 2022 Foto JMJ Lisboa 2023

Jornada Nacional da Juventude em Benguela, Angola, novembro 2022 Foto JMJ Lisboa 2023

 

O diário francês La Croix tem prestado uma significativa atenção à Jornada Mundial da Juventude (JMJ). Hoje, por exemplo, destaca uma circunstância lamentável: apesar de a iniciativa pretender congregar jovens de todos os continentes, os jovens africanos têm sido confrontados com a relutância do país anfitrião em conceder-lhes o visto de entrada no território.

A JMJ justifica também o editorial, assinado por Isabelle de Gaulmyn, chefe de redacção. No texto, intitulado “JMJ 2023: Além dos números”, a jornalista começa por notar que os jovens – e os franceses, nota, “fazem boa figura” por serem o terceiro grupo mais numeroso, logo a seguir aos espanhóis e aos italianos – suscitam várias perguntas dos jornalistas: “Quem são eles? É possível ter 20 anos em 2023 e acreditar em Deus? Quais são as suas motivações?” Também “os católicos mais velhos escrutinam as suas opiniões: São mais ou menos abertos do que eles? Gostam da missa latina ou de cânticos com guitarra? Preferem a oração ou agir na sociedade?”

Não querendo dar respostas, Isabelle de Gaulmyn constata que há grupos organizados que tentam recuperar este vasto movimento, julgando que “aqui está uma nova geração que trará sangue novo a um organismo muito doente, a Igreja Católica”. Quanto aos numerosos bispos presentes neste encontro, a jornalista escreve que se adivinha “a sua alegria diante deste testemunho de que também a transmissão da fé pode funcionar…”

Após “esta bela imagem de uma juventude feliz por rezar”, Isabelle de Gaulmyn refere a armadilha que se encontra na dúvida sobre quantos jovens estarão em Lisboa. “Quantas angústias escondidas por trás desta questão, especialmente numa sociedade europeia amplamente descristianizada, onde estes católicos são vistos como arquiminoritários”. Para a jornalista, há também uma armadilha em relação ao modo como se olha a juventude, por nela sempre tendermos a querer reflectir o nosso próprio rosto e a colocar todos os nossos fantasmas. “Vamos parar de sobrecarregar os ombros destes jovens”. Vamos parar de “pensar por eles, de orar por eles. De ver neles o barómetro da saúde do catolicismo, algo que eles não são”.

Para Isabelle de Gaulmyn, devemos simplesmente alegrar-nos por os jovens estarem em Lisboa “e poderem, à sua maneira, viver uma experiência humana e, talvez, espiritual. É a experiência deles. E isso é um assunto deles”.

 

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