Lavou-nos a Cruz os olhos, enxugou-os o túmulo vazio

| 4 Abr 2021

O Sábado antecipa o despertar de Domingo de Páscoa. A cruz lavou-nos os olhos, enxugados pelo túmulo vazio. Uma proposta de meditação pascal, a partir de dois poemas de Luís Soares Barbosa.

Assombro

Ilustração: Sieger Köder, Assombro

 

DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO
O próprio caminho veio ao teu encontro e
te despertou do sono em que dormias.

quantas portas se abriram sem que esperássemos
mais que a errância fissurada do olhar
o amor breve
incerto litoral de onde fossemos?
quantas portas se abriram depois dessas
sempre que a noite se cerrou à nossa volta?

ao arrepio de quanto a idade teme
e do que a prudência aconselha em voz corrida
não é adequado preparar o corpo para túmulo

por maior que seja a extensão da morte
dela ainda será pedra removida

pois teu corpo é meu corpo levantado
e nem lava avareza ou imundície
o reterá na orla do crepúsculo

 

 

 

DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO
lavou-nos a Cruz os olhos; enxugou-os o túmulo vazio

a minha oração é um deserto nevado
em tua cruz se crava o meu silêncio

nós, os que estamos no campo das perguntas,
não procuramos meteoritos ou prodígios
nem paisagem nem céu será bastante
nem o teu rosto que supliciado o ocultam os cabelos
nem tão pouco o sangue em que romântica se compraz a compaixão

nós, os que fazemos o campo das perguntas,
reconhecemos-te às vezes quando o pão se parte
e o olhar se resguarda enxuto das miragens

a nossa lavoura é deus que vem
e este humano ofício de pensar,
certa manhã quando por fim erguida,
as mãos vazias
que o amor visitam
que no amor vacilam

 

 

Autor dos poemas: Luís Soares Barbosa
Voz: António Durães
Produção: Eduardo Jorge Madureira

 

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